O preço de uma expulsão

POR GERSON NOGUEIRA

O Brasileiro da Série C é o campeonato da transpiração, da marcação predominando sobre a criação e da força superando a técnica. O PSC ficou com 10 jogadores ao longo de mais de 80 minutos e teve uma atuação satisfatória, marcando firme e conseguindo em vários momentos criar ataques perigosos. Um cochilo de marcação quase ao final acabou resultando no gol do Vitória, que determinou a derrota bicolor.

É preciso considerar que a perda de um jogador logo aos 8 minutos prejudica a estratégia de qualquer equipe. Foi o que ocorreu com o PSC, que ficou sem o volante Mikael, expulso após atingir Rafinha, do Vitória, que se encontrava caído no gramado.

Sem o árbitro de vídeo provavelmente o pisão de Mikael passaria despercebido. O árbitro ficou mais atento à falta e só tomou conhecimento do que havia ocorrido após ser chamado pelo VAR. E expulsou corretamente o aloprado volante do PSC.

O prejuízo causado por Mikael se estendeu pelo resto da partida, pois o time teve que correr sempre mais, a fim de conseguir marcar o time adversário. Por sorte, o Vitória – como a maioria dos times brasileiros – não soube explorar a vantagem numérica, mas José Aldo e Vieira precisaram se desdobrar para acompanhar o ataque rubro-negro.

Ao invés de partir para uma distribuição mais rápida, explorando os lados do campo e os passes curtos, caiu na mesmice das ligações diretas e dos cruzamentos inúteis. Léo Gomes era o meia encarregado de fazer a transição, mas não acertou nenhum passe.

Os homens de frente esbarravam na boa marcação imposta pelo meio-campo do Papão, à frente José Aldo e Vieira. Em meio a isso, apesar de já ter sido punido com a expulsão, o PSC seguiu pilhado. O zagueiro Naylor peitou seguidamente o árbitro buscando cavar a expulsão de um adversário, mas correndo o risco de desfalcar ainda mais seu time.  

Durante o 1º tempo, o PSC cuidou de conter as investidas do Vitória procurando sair rápido, como é a característica do time. Marlon prendia a atenção dos zagueiros e Serginho surgia com liberdade para arrematar de fora da área. Quando não tinham a bola, todos voltavam para marcar.

Acertou um chute perigoso aproveitando rebote na entrada área. Logo depois, em cobrança de falta, assustou o goleiro Dalton. Com a postura reativa, o PSC não permitiu que o Vitória tomasse conta do jogo. Alan Santos, zagueiro rubro-negro, levou um amarelo após acertar Dalberto. Punição poderia ter sido mais rigorosa.

Márcio Fernandes só fez substituições no 2º tempo, quando colocou Robinho e Danrlei nas vagas de Marlon e Dalberto. Funcionou bem porque a zaga baiana começou a dar chutões, permitindo que Igor Carvalho e Patrick Brey se revezassem em arremessos/cruzamentos sempre perigosos.

A grande chance, a chamada bola do jogo, surgiu aos 25 minutos, quando José Aldo fez um passe de curva para Danrlei à altura do meio-campo. Em velocidade, o centroavante avançou até a área e bateu forte, mas o goleiro Dalton conseguiu espalmar evitando o que seria o gol alviceleste.

Aqui cabe uma observação: Danrlei atuou pouco na Série C, ficando ausente das quatro últimas partidas, o que compromete ritmo e afeta o tempo de bola. Errou na definição do lance, é verdade, mas trouxe ao ataque um vigor que Dalberto não conseguiu dar no 1º tempo.

O gol de Rodrigão, que havia entrado minutos antes, surgiu de uma desatenção dos laterais do PSC. No início da jogada, aos 38’, Patrick Brey foi envolvido pela troca de passes dos atacantes. Quando Gabriel Honório deu o balão em direção à área, Igor Carvalho ficou olhando a bola e deixou de marcar Rodrigão. Livre, o atacante bateu de primeira e fez o gol.

Mesmo abatido pelo gol, o PSC ainda pressionou com Marcelo Toscano e Robinho, em lances que alvoroçaram a defensiva do Vitória. A prova de que o time lutou até o fim, teve capacidade para elaborar jogadas e poderia ter obtido um resultado melhor.

Gol vira alvo de polêmica e queixas bicolores

Logo depois da partida se iniciou um debate nas redes sociais sobre o lance que do gol rubro-negro. A bola teria batido no peito ou no braço do jogador Gabriel Honório, antes do cruzamento para a finalização de Rodrigão? As imagens não são conclusivas. Aceleradas ou em câmera lenta, elas dão margem a dúvidas e apimentam a discussão. Do ponto de vista do torcedor, é absolutamente normal que questione e reclame da marcação.

Prestei atenção ao lance, repeti inúmeras vezes e fiquei com a mesma impressão: a bola parece tocar no peito ou no ombro do atacante. Aparentemente, o VAR considerou tudo legal, mas a queixa (legítima) dos bicolores é de que o árbitro não foi chamado para revisar.

A essa altura, uma providência técnica passa a ser obrigatória: com o VAR, os jogos dos quadrangulares precisam ter câmeras posicionadas atrás da linha de fundo, justamente para esclarecer jogadas rápidas e polêmicas como a do gol do Vitória.

Copa Verde: cada vez mais no campo da incerteza

O Remo liberou quase metade do elenco utilizado na campanha da Série C. A providência é acertada porque não há como manter jogadores e onerar a folha salarial quando não há receita por entrar. Serão quatro meses sem jogos, dependendo apenas de patrocínio e promoções.

A decisão de fazer o desmanche do elenco, ficando apenas jogadores com contratos mais longos e possivelmente cinco remanescentes da campanha, se ampara na absoluta incerteza que ronda a realização da Copa Verde.

Até o momento, a CBF não deu sinais de que pretenda bancar a competição, espécie de patinho feio do calendário da entidade. Todo ano é a mesma coisa: as datas das competições são definidas, mas a entidade esquece da Copa Verde. Desta vez, ao que parece, o esquecimento é definitivo.

Caso aconteça, o torneio será realizado no final da temporada ou em janeiro de 2023, como ocorreu com a edição passada. Até lá, o Remo já terá iniciado o processo de formação de um novo elenco. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 22)

Papão faz jogo equilibrado mesmo com um a menos, mas toma gol no final

O PSC estreou neste domingo na fase de grupos da Série C e perdeu por 1 a 0 para o Vitória, em jogo disputado à tarde, no estádio Barradão, em Salvador. O centroavante Rodrigão marcou o gol rubro-negro na reta final da partida, após jogada pelo lado direito do ataque, a melhor chegada do Vitória em todo o jogo. A bola foi cruzada no segundo pau e o atacante pegou de primeira, nas costas de Igor Carvalho, sem chances para o goleiro Tiago Coelho.

O jogo foi disputado em ritmo intenso, de forte marcação, desde os primeiros minutos. O PSC ficou em desvantagem numérica logo aos 8 minutos com a expulsão do volante Mikael, que atingiu o jogador Rafinha, que estava caído no gramado. O VAR chamou o árbitro e a expulsão foi confirmada.

Apesar de ficar com um a menos, o PSC não abriu mão de tentativas no ataque e equilibrou a partida. Esteve bem perto de abrir o placar com dois chutes perigosos de Serginho. O Vitória ameaçou num cabeceio de Tréllez.

No segundo tempo, com Danrlei substituindo Dalberto, surgiu a melhor chance da partida. Após um passe perfeito de José Aldo, o centroavante avançou com a bola em direção à área, mas chutou rasteiro facilitando a defesa do goleiro Dalton.

Com a derrota, o PSC caiu para a quarta colocação do grupo, atrás de ABC (1º), Vitória (2º) e Figueirense. Na próxima rodada, sábado (27), na Curuzu, o Papão recebe o ABC.

Em busca do primeiro triunfo

POR GERSON NOGUEIRA

É o primeiro desafio do quadrangular decisivo para o PSC. Primeira chance de acumular pontos preciosos na briga pelo acesso à Série B. Diante de um dos favoritos do grupo, o Papão precisa fazer valer a força de seu jogo, responsável pela grande campanha na fase inicial do campeonato. Ao lado de Mirassol e Figueirense, o time de Márcio Fernandes terminou com 33 pontos, segundo colocado na pontuação geral – abaixo do líder Mirassol no número de vitórias.

Diante de um adversário que teve um desempenho instável na etapa classificatória, melhorando somente nas dez rodadas finais, é legítimo acreditar que o PSC tem boas possibilidades de obter um resultado positivo na partida deste domingo, no estádio Barradão.

Vencer não é tarefa impossível. O Vitória acumula oito resultados positivos – cinco vitórias e três empates –, mas está longe de ser um time imbatível. Entre os destaques do rubro-negro baiano, estão o goleiro Dalton, o meia Léo Gomes e os atacantes Tréllez, Luidy e Rafinha, ex-Remo. Já alertei aqui para o perigo da bola aérea, muito bem treinada pelos baianos.

Em casa, diante de sua torcida, o Vitória costuma pressionar desde os primeiros minutos. O PSC já enfrentou esse desafio na primeira fase, diante de quase 30 mil pessoas no Barradão. Naquela tarde, mesmo com vários desfalques, o time paraense equilibrou o jogo e teve duas grandes chances no primeiro tempo. Um erro na saída de bola propiciou o gol que garantiu o triunfo do Vitória.

Para hoje, o Papão precisa estar muito mais organizado e consciente das responsabilidades de marcação contra um ataque que vem funcionando bem. A saída rumo ao ataque, explorando o contragolpe, é um dos trunfos à disposição da equipe. Deu certo diante do Ferroviário, em Fortaleza, e nos jogos recentes contra Campinense e Altos-PI, ambos fora de casa.

Com alta capacidade reativa, o PSC baseia seu jogo no entrosamento de um meio-de-campo que tem Mikael, João Vieira e José Aldo, apoiado por Marlon e Serginho, ficando Robinho normalmente com a função mais adiantada no ataque. Márcio Fernandes treinou também uma opção de ataque mais conservadora, com Dalberto centralizado.

A depender dos humores do treinador, pode ser essa a formação inicial bicolor. Ou, ainda, um trio ofensivo com Pipico como atacante ao lado de Robinho e Marlon. 

Nas últimas partidas da primeira fase, a atenção dos adversários se concentrou sobre José Aldo e Marlon, destaques do time bicolor e homens responsáveis pela construção de jogadas e finalização. Não por acaso, Marlon é coartilheiro da Série C, com 10 gols, ao lado de Alex Henrique (Aparecidense).

Muito vigiados, Marlon e José Aldo tiveram desempenhos abaixo do normal nas últimas sete rodadas, contribuindo para uma queda de rendimento de toda a equipe. O revés em casa diante do Floresta, no sábado passado, evidenciou essa situação. Diante do Vitória, hoje, todos esses problemas deverão estar superados em nome do projeto do acesso, que pode ter um embalo e tanto caso o Papão conquiste os três pontos. (Foto: Vítor Castelo/Ascom PSC)

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, a partir das 21h30, na RBATV, com participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, a rodada inicial do quadrangular da Série C. A edição é de Lourdes Cézar.

Os sobreviventes do desastre azulino na Série C

Vinícius, Zé Carlos (que acertou renovação), Paulinho Curuá e Ronald são os jogadores que restaram da desastrosa campanha azulina na Série C. Por exclusão, a situação faz justiça aos “nativos” do elenco. 

Bem verdade que os goleiros não são paraenses, mas estão adaptados ao futebol regional, principalmente Vinícius, ídolo da torcida por cinco temporadas e que caiu em desgraça por falhas graves no Re-Pa do Brasileiro.

Curuá foi o principal voltante do time quando foi escalado de cara. Raras vezes isso ocorreu com Paulo Bonamigo, cinco vezes com Gerson Gusmão. Ainda assim, fechou a Série C como autor do gol mais bonito, o sensacional sem-pulo diante do ABC. 

Ronald, principal revelação do Remo desde Roni, fazia um campeonato excelente, embora – a exemplo de Curuá – pouquíssimo aproveitado por Bonamigo na temporada, quando sofreu a lesão grave, após uma sequência de ataques desferidos pelos beques de roça da Série C. 

O afastamento inesperado de Ronald, único atacante velocista e driblador do elenco, foi uma baixa de graves consequências e um dos fatores a contribuir para o fiasco remista. 

Não deixa de ser simbólico que o quarteto, por coincidência, tenha o papel ao mesmo tempo de remanescente e de semente de um novo Remo que surgirá em dezembro. 

Taça das Favelas reúne mais de 500 jovens atletas

Realizada pela primeira vez no Estado, a Taça das Favelas PA começou neste sábado, 20, em dois pontos da capital paraense. A Arena Águia, localizada na Alameda das Andradas, no Curuçambá, em Ananindeua, e as arenas Formigão 1, 3 e 4, no bairro Maguari, também em Ananindeua, vão receber os jogos de abertura. No total, 16 times masculinos disputam uma vaga na final, prevista para 8 de outubro. 

Todos os times participantes são oriundos de projetos sociais desenvolvidos na região metropolitana. Antes do torneio começar foram realizadas peneiras nos locais de atuação de cada time.

Organizado pela Central Única das Favelas – Cufa, a Taça das Favelas é uma das maiores competições de futebol amador de campo do mundo, a maior entre as favelas. Neste ano, o campeonato chega ao Pará, com mais de 500 jovens que participam das seletivas entre os bairros até a final.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 21)

A imagem do dia

Lula e Alckmin aparecem diante da multidão que lotou o Vale do Anhangabaú, neste sábado, no primeiro grande comício da campanha petista. O evento reuniu cerca de 70 mil pessoas e lançou oficialmente as candidaturas de Fernando Haddad (PT) ao governo do Estado e de Márcio França (PSB) ao Senado. (Foto: Ricardo Stuckert)