Datafolha: Lula pode vencer no 1º turno; 75% dos eleitores não muda mais o voto

A ofensiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tentar ganhar a eleição de outubro já no primeiro turno, que envolveu a atração de dois apoios às vésperas do início da campanha oficial, até agora não surtiu efeito. Segundo a nova pesquisa do Datafolha, realizada de terça (16) a quinta (18), Lula tem hoje 51% dos votos válidos, antes 35% de seu oponente mais bem colocado, o presidente Jair Bolsonaro (PL). Na rodada anterior, no fim de julho, Lula tinha 52%. Segundo o levantamento, o mais amplo feito até agora, 75% das pessoas dizem que não mudam mais o voto.

Ciro Gomes (PDT), o terceiro colocado, tem 8% dos válidos. O instituto ouviu 5.744 eleitores em 281 cidades de terça (16) e esta quinta (18). A pesquisa, contratada pela Rede Globo e pela Folha, foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número BR-09404/2022.

Voto válido é a métrica adotada pela Justiça Eleitoral para contabilizar o resultado final das eleições, e exclui os brancos e nulos. É declarado vencedor sem necessidade de um segundo turno qualquer candidato que ultrapasse em um voto a barreira dos 50% do eleitorado.

A margem estreita tem deixado petistas em alerta, cientes de que a ida de Bolsonaro para o segundo turno poderá mobilizar sua militância e ver ampliados os efeitos do pacote bilionário de bondades para os menos favorecidos e das reduções de preço de combustíveis.

Com a modorrenta situação de Ciro e de Simone Tebet (MDB) nos escalões inferiores da disputa, haverá também uma pressão adicional sobre essas candidaturas: como ambas se posicionam como independentes, mas mais hostis a Bolsonaro em termos de perfil de eleitorado, o risco do discurso de voto útil em Lula contra o presidente deverá subir.

Sinal claro disso é a operação de marketing da equipe lulista para amainar a imagem à esquerda naturalmente associada ao eleitor, buscando retirar a cor vermelha da preponderância nos materiais de campanha e destacando a presença do ex-tucano Geraldo Alckmin (PSB) na vice da chapa.

DATAFOLHA para PRESIDENCIAL POR ESTADOS, 16 e 18 de agosto:

SÃO PAULO:
🔴Lula (PT) 44%
🟤Bolsonaro (PL) 31%
🟡Ciro (PDT) 9%

RIO DE JANEIRO:
🔴Lula (PT) 41%
🟤Bolsonaro (PL) 35%
🟡Ciro (PDT) 7%

MINAS GERAIS:
🔴Lula (PT) 49%
🟤Bolsonaro (PL) 29%
🟡Ciro (PDT) 6%

STF é informado sobre empresários bolsonaristas que defendem o golpe

O gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), já tem conhecimento sobre o grupo de empresários bolsonaristas que defendem golpe de Estado caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhe as eleições de outubro. Segundo informou o colunista Guilherme Amado, do site Metrópoles, as mensagens foram trocadas em um grupo de Whatsapp. Além das ameaças de golpe, os empresários costumam atacar o STF, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A partir do conhecimento dessa atividade, o gabinete de Moraes pode tomar, em tese, algumas providências. A primeira delas pode ser incluir os empresários em dois inquéritos: o que investiga a organização de atos antidemocráticos e o das fake news, que apura a disseminação de ataques e mentiras a instituições brasileiras.

Existe preocupação por parte de Moraes com a garantia da normalidade das eleições de outubro e, antes disso, com manifestações programadas para o feriado de Sete de Setembro. Os dois inquéritos são os principais instrumentos do ministro nesse sentido. Ele pode, por exemplo, determinar buscas e apreensões em locais que considerar importantes para frear grupos radicais. Ou, ainda, ordenar a prisão de suspeitos de cometerem crimes contra instituições.

Antes do Sete de Setembro do ano passado, Moraes bloqueou uma série de contas de pessoas suspeitas de organizar atos contra a democracia. O feriado do ano passado ficou ainda mais tenso porque o presidente Jair Bolsonaro fez discursos com ataques ao STF, chamou as eleições de “farsa”, disse que só sairia do cargo “preso ou morto” e pregou a desobediência a ordens judiciais. Neste ano, a expectativa da cúpula do Judiciário é que Bolsonaro inflame menos seus seguidores. Aliados do presidente tentam convencê-lo a não provocar ministros do STF durante as manifestações. (Da coluna de Carolina Brígido)