O mais novo fiasco azulino

POR GERSON NOGUEIRA

O infortúnio do Remo na Série C não causou o mesmo impacto junto à torcida que o rebaixamento do ano passado. Desta vez, o desânimo já se manifestava bem antes da rodada final. O jogo com o Botafogo-SP só confirmou a tragédia anunciada: sem repertório técnico de qualidade, o Leão foi vencido pelo time paulista, que mostrou o tempo todo mais disposição para buscar o resultado.

A diferença é que o Botafogo não precisava do resultado, pois já estava garantido na fase de grupos. Quem corria atrás era o Remo, que dependia da vitória e da combinação de outros resultados. Faltou o mais importante. O time perdeu e não teve como aproveitar a vantagem que a Aparecidense lhe deu, vencendo o Botafogo-PB por apenas um gol de diferença. Em resumo: os astros até ajudaram, mas o Remo não soube aproveitar.

A atuação contra o Botafogo paulista foi uma espécie de compilação de outras partidas da equipe na competição. Sem jogadas pelos lados, insistia nos passes longos e deixava os três atacantes – Bruno Alves, Brenner e Thiaguinho – sem utilidade na frente.

Os melhores momentos ocorreram quando a bola foi cruzada na área botafoguense, mas não havia ninguém em condições de aproveitr. O Botafogo equilibrou as ações e chegou ao gol ainda primeiro tempo em jogada que pegou a zaga remista mal posicionada. Nada muito diferente do que havia ocorrido em jogos anteriores.

Quando o time voltou para o segundo tempo, já sabendo que a Aparecidense vencia o seu jogo, imaginou-se uma atitude mais arrojada, em busca do empate e da virada. Nada disso aconteceu. O Botafogo foi ao ataque e fez 2 a 0 com extrema facilidade.

Àquela altura, nem o mais otimista dos azulinos acreditava mais em milagre. Daniel Felipe ainda descontou, mas o time não teve força e nem equilíbrio emocional para um último esforço em busca de uma reversão no placar. O jogo terminou melancolicamente. O Remo sofreu nova eliminação em disputa nacional e, desta vez, saindo de uma Série C na qual entrou como um dos cotados para disputar o acesso.

Os erros sem conta cometidos ao longo da campanha desaguaram todos no compromisso final. O 12º lugar na classificação expressa bem o que foi o Remo na Série C. Faltou técnica, arrojo e comprometimento.

Como no ano passado, a culpa pelo fiasco é generalizada. No futebol não há espaço para individualizar êxitos e fracassos. Os problemas precisam ser dimensionados coletivamente. Por ordem, respondem pelo vexame a diretoria, os dirigentes que atuam no futebol, a comissão técnica e o time.

A ideia de que era possível fazer ajustes ao longo da disputa mostrou-se infeliz. Nenhuma das peças contratadas com o campeonato em andamento funcionou a contento, o que inclui o técnico Gerson Gusmão, que substituiu Paulo Bonamigo e terminou a competição sem entender direito o que é o Remo e sua exigente torcida.

Tropeço em casa não tira entusiasmo do Papão

Não chegou a ser um desastre, mas a derrota do PSC em casa para o Floresta acendeu luzes amarelas no painel bicolor na Série C. A partida, disputada de novo com a Curuzu lotada, tinha tudo para ser uma festa de coroamento da excelente campanha no Brasileiro. A derrota por 1 a 0 não pode tirar, porém, o ânimo da equipe para a fase mais importante da competição.

O time entrou no embalo da empolgação da torcida e foi agudo nos primeiros lances, mas sofreu um duro baque com o gol marcado por Rafael Luz em cabeceio ainda no primeiro tempo. O lance surgiu de um escanteio pela direita, que a zaga não marcou direito.

José Aldo, Serginho e Marlon tentaram recolocar as coisas nos eixos, mas a bola passava perto ou ia nas mãos do goleiro do Floresta. A sequência de chances desperdiçadas começou a inquietar o torcedor e a intranquilizar o time. À medida que o gol não saía, os erros começaram a acontecer.

Passes e lançamentos errados indicavam o desgaste que o time sofria pelo empenho excessivo para chegar ao gol. Nesse sentido, é preciso contextualizar o jogo de sábado. O adversário veio para tudo ou nada, consciente de que precisava vencer para escapar à degola.

O Floresta foi bem disciplinado em tentar neutralizar as ações mais fortes do PSC do meio para a frente. Pipico e Serginho foram bem vigiados, sem opções para chutes da entrada da área. Quando isso foi permitido, os chutes saíram tortos e sem direção.

Na etapa final, por força da insistência nas subidas ao ataque, o PSC abriu a defesa e correu riscos de sofrer o segundo gol. O torcedor não gostou do que viu, pois esperava uma atuação com autoridade e segurança.

Saiu insatisfeito da Curuzu e consciente de que o time precisará ter um comportamento inteiramente diferente nos compromissos do quadrangular, que começam no próximo sábado diante do Vitória, em Salvador.

O meio-campo, que já foi dinâmico e rico em ideias, vem há algum tempo mostrando um certo esgotamento, facilitando a marcação adversária e sem apresentar a mesma conexão com o ataque. A zaga, aqui e ali, comete desatenções que resultam em gols.

O ensaio final para o quadrangular, que tinha tudo para ser no sábado, agora terá que ser aperfeiçoado nos treinos da semana. Nada que não possa ser ajustado, mas o fato é que os sinais de alerta estão postos e precisam ser bem observados. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 15)

6 comentários em “O mais novo fiasco azulino

  1. Tenho acompanhado o futebol bicolor e confesso que não tem me empolgado em nada.
    Um time vulnerável em bolas alçadas na área. Zagueiros batendo cabeça e oferecendo gols a lá 0800 aos seus adversários.
    Um meio campo que parece ter esgotado seu repertório, e um ataque que mesmo o time marcando muitos gols, deixa a desejar por conta dos seus atacantes.
    As diversas finalizações atabalhoadas são reflexos da falta de confiança no arremate final.
    A segunda fase, onde temos dois times em ascenção, Vitória e Figueirense, causam-me preocupação com a queda de rendimento desde o tosco empate diante do rebaixado Brasil de Pelotas dentro da Curuzu.
    Não há mais espaço para erros.
    É vencer ou se juntar ao rival em mais um ano de série C.
    Não sou de acreditar em estatísticas principalmente quando o assunto envolve o mais ilógico dos esportes, o futebol.
    A conferir dentro do gramado quem irá subir para a tão sonhada segunda divisão brasileira.
    Toda sorte ao meu amado PAYSANDU e que junto com ele suba alguma equipe do nordeste.

  2. O novo formato da série C deste ano exigiu uma peneira maior entre seus 20 disputantes.
    Tínhamos 9 equipes do Nordeste, com apenas dois classificados, 3 do Norte onde apenas o Paysandu passou de fase e 8 equipes do eixo sul e suldeste cujo o número de classificados deu o direito de por na série B logo de cara, dois representantes desta região.
    O grupo da “morte” contém o Paysandu, e um único time do Sul, o Figueirense.
    Neste grupo a região Norte e Nordeste têm a maioria, e tomara que sejamos um dos classificados juntamente com mais um do nordeste.

  3. Hj a midia colocou ainda a questao das farras no plantel entao teve de tudo na lambanca azulina: incompetencia. Farras. Politicagem do Vinicius, ruindades…

  4. O Remo é uma barca sem rumo, sem direção dentro e fora de campo. Não apenas jogadores devem ser mandados embora, mas essa diretoria incompetente, amadora, deve pedir o boné e cair fora. Se não sair com as próprias pernas, deve ser empurrada pra fora do clube. Acordem conselheiros. Acordem torcedores.

    Rildo, se o blog arquiva suas matérias com os respectivos comentários, vai achar o que eu disse quando o goleiro Vinícius elegeu-se vereador. Na ocasião, com as barbas de molho, opinei que o Remo deveria contratar outro goleiro para, pelo menos, fazer sombra ou revesar com ele na função. Mas parte da torcida e dessa diretoria amadora enxergava o cara como um semideus, intocável. Deu no que deu.

  5. A eliminação “precoce” do Remo caiu como uma luva para o goleiro Vinicius, pois não tendo mais que se preocupar com treinamentos, viagens, hotéis, etc., se dedicará, em tempo integral, à sua ambiciosa pretensão de chegar à Câmara Federal, sem sequer ter cumprido um mandato de Vereador… !!
    Independente de não conhecermos um projeto deste Vereador, que contribua para melhoria da abandonada Belém, ele conta com a torcida azulina para lhe colocar no top 3 dos mais votados.. !! .

  6. Desastre, fiasco, tragédia anunciada, nem me lembro de alguma obra da literatura mundial que teve desfecho tão tenebroso quanto esse do Clube do Remo.

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