Ipec: vantagem de Lula possibilita vitória no 1º turno

Pesquisa Ipec divulgada nesta segunda-feira (15), encomendada pela TV Globo, mostra o ex-presidente Lula (PT) com 44% das intenções de voto e o presidente Jair Bolsonaro (PL) com 32% na eleição para a Presidência da República em 2022. Ciro Gomes (PDT) vem em seguida, com 6% das intenções. Simone Tebet (MDB), com 2%, e Vera (PSTU), com 1%, também pontuaram e estão empatadas na margem de erro. Os nomes de Constituinte Eymael (DC), Felipe d’Avila (NOVO), Léo Péricles (UP), Pablo Marçal (PROS), Sofia Manzano (PCB) e Soraya Thronicke (UNIÃO) foram citados, mas não atingiram 1% das intenções de voto, cada um.

A soma dos votos dos demais candidatos não supera o percentual de Lula, o que mantem o petista com chances de vencer no primeiro turno.

  • Lula (PT): 44%
  • Jair Bolsonaro (PL): 32%
  • Ciro Gomes (PDT): 6%
  • Simone Tebet (MDB): 2%
  • Vera (PSTU): 1%
  • Constituinte Eymael (DC): 0%
  • Felipe d’Avila (NOVO): 0%
  • Léo Péricles (UP): 0%
  • Pablo Marçal (PROS): 0%
  • Sofia Manzano (PCB): 0%
  • Soraya Thronicke (UNIÃO): 0%
  • Branco/nulo: 8%
  • Não sabe/não respondeu: 7%

O nome do candidato Roberto Jefferson (PTB) não consta nesta pesquisa. Segundo o Ipec, o motivo é que, quando a pesquisa foi registrada no TSE, ainda não havia informações suficientes sobre a candidatura, que foi oficializada posteriormente.

A pesquisa ouviu 2.000 pessoas entre os dias 12 e 14 de agosto em 130 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-03980/2022.

A pesquisa mostra que Lula vai melhor entre os jovens, os mais pobres e os que vivem na região Nordeste. As intenções de voto no petista são mais expressivas entre:

  • Eleitores que avaliam como ruim ou péssima a gestão do presidente Jair Bolsonaro (73%);
  • Aqueles que têm renda familiar mensal de até 1 salário mínimo (60%);
  • Os que vivem na região Nordeste (57%);
  • Aqueles que têm ensino fundamental (53%);
  • Jovens de 16 a 24 anos (52%);
  • Eleitores em domicílios que alguém recebe benefício do governo federal (52%);
  • Os católicos (51%).

Já Bolsonaro vai melhor entre homens e evangélicos:

  • Eleitores que avaliam positivamente a sua gestão atual (81%);
  • Os evangélicos (47%);
  • Aqueles cuja renda familiar mensal é superior a 5 salários mínimos (46%) e de mais de 2 a 5 salários mínimos (41%);
  • Homens (37%, entre as mulheres é citado por 27%).

O Ipec perguntou ainda a intenção de voto em um eventual segundo turno entre Lula e Bolsonaro. O ex-presidente lidera a disputa com 51%, enquanto Bolsonaro tem 35%.

  • Lula (PT): 51%
  • Jair Bolsonaro (PL): 35%
  • Branco/nulo: 9%
  • Não sabe/não respondeu: 5%

Google ensina extrema direita brasileira a lucrar

Do The Intercept_Brasil

Em outubro de 2020, pingou na minha caixa de entrada o comunicado “Jovem Pan é case de sucesso no Google News Initiative”. No texto, a assessoria de imprensa da emissora afirmava que “o jornalismo digital da Jovem Pan” figurava como destaque do programa de financiamento de projetos jornalísticos da big tech. O case era o Jovem Pan News, programa do YouTube – plataforma do Google – que se tornaria o embrião do canal de televisão. 

“O jornalismo só é válido se for compartilhado. É uma honra para a Jovem Pan ser um dos cases da Iniciativa do Google. Além da plataforma reconhecer o esforço e o trabalho da Pan e a credibilidade do nosso jornalismo, ela é capaz de disseminar todo o nosso conteúdo em grande escala”, declarou Claudine Bayma, diretora de marketing da emissora, no comunicado enviado à imprensa.

Na época, pedi mais informações à assessoria. Fui solenemente ignorada. Nos meses seguintes, a Jovem Pan se consolidou como principal porta-voz do bolsonarismo no YouTube. É o maior canal de extrema direita monitorado pela Novelo Data, empresa de análise de dados que monitora centenas de canais desde 2018. 

Agora, uma extensa reportagem de Ana Clara Costa na revista Piauí mostra que o Google, de fato, teve um papel determinante na consolidação do canal. A gigante de tecnologia despejou, em dezembro de 2018, 300 mil dólares para impulsionar o jornalismo da Jovem Pan por meio do Google News Initiative. Deu muito certo. 

Segundo a reportagem, o sucesso levou o Google a convidar em 2019 o dono da emissora, Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, o Tutinha, e o presidente executivo Roberto Araújo para fazerem uma apresentação na sede da multinacional, em Palo Alto, nos EUA. Os dois conseguiram barganhar o direito de vender publicidade em seus vídeos, além de uma tolerância maior com violações nas políticas de conteúdo da empresa. Discurso de ódio e desinformação, por exemplo. À Piauí, o YouTube negou que exista tratamento diferenciado para a Jovem Pan. 

Os afagos foram mútuos. Embora o Google prefira publicamente destacar como seu projeto financia iniciativas de combate à desinformação, no ano passado, por ironia, um enorme anúncio da empresa na contracapa da própria revista Piauí afirmava em letras garrafais: “juntos, valorizamos o jornalismo de qualidade”. Nele, a companhia destacava os projetos jornalísticos “de qualidade” que haviam sido beneficiados pelo seu financiamento. A Jovem Pan estava entre eles. 

Hoje, o programa da Jovem Pan “Os pingos nos Is”, principal difusor do bolsonarismo nas redes e elogiado pelo presidente, chega a 100 milhões de visualizações por mês. Para os negócios do Google, é claro, a explosão de audiência de um canal é excelente. Além de todo o marketing positivo que o sucesso de um canal viabilizado por sua iniciativa pode gerar, há ainda a verba dos anúncios. Ela é diretamente relacionada à quantidade de cliques – portanto, à audiência – e dividida entre a empresa e o canal. Mais audiência, mais cliques, mais grana. 

Em novembro de 2019, mostramos no Intercept como, na época do impeachment de Dilma Rousseff, o Google treinou blogueiros antipetistas para otimizarem seus anúncios no AdSense, seu sistema de anúncios direcionados, e conquistarem mais audiência. Espalhando fake news, eles conseguiam até R$ 25 mil por mês em anúncios. 

No YouTube, a ordem de grandeza é outra: o lucro do canais chega à casa dos milhões de reais por ano, segundo um inquérito do Supremo Tribunal Federal que investigava os atos antidemocráticos. Alguns dos canais que mais lucram hoje são dos blogueiros que, no passado, aprenderam a tirar máximo proveito das lições e agrados do Google. 

Agora, ainda segundo a Piauí, o Google vê a Jovem Pan como um problema – justamente pelo fato de a emissora estar na linha de frente da defesa do bolsonarismo. Pode ser tarde demais. 

O mais novo fiasco azulino

POR GERSON NOGUEIRA

O infortúnio do Remo na Série C não causou o mesmo impacto junto à torcida que o rebaixamento do ano passado. Desta vez, o desânimo já se manifestava bem antes da rodada final. O jogo com o Botafogo-SP só confirmou a tragédia anunciada: sem repertório técnico de qualidade, o Leão foi vencido pelo time paulista, que mostrou o tempo todo mais disposição para buscar o resultado.

A diferença é que o Botafogo não precisava do resultado, pois já estava garantido na fase de grupos. Quem corria atrás era o Remo, que dependia da vitória e da combinação de outros resultados. Faltou o mais importante. O time perdeu e não teve como aproveitar a vantagem que a Aparecidense lhe deu, vencendo o Botafogo-PB por apenas um gol de diferença. Em resumo: os astros até ajudaram, mas o Remo não soube aproveitar.

A atuação contra o Botafogo paulista foi uma espécie de compilação de outras partidas da equipe na competição. Sem jogadas pelos lados, insistia nos passes longos e deixava os três atacantes – Bruno Alves, Brenner e Thiaguinho – sem utilidade na frente.

Os melhores momentos ocorreram quando a bola foi cruzada na área botafoguense, mas não havia ninguém em condições de aproveitr. O Botafogo equilibrou as ações e chegou ao gol ainda primeiro tempo em jogada que pegou a zaga remista mal posicionada. Nada muito diferente do que havia ocorrido em jogos anteriores.

Quando o time voltou para o segundo tempo, já sabendo que a Aparecidense vencia o seu jogo, imaginou-se uma atitude mais arrojada, em busca do empate e da virada. Nada disso aconteceu. O Botafogo foi ao ataque e fez 2 a 0 com extrema facilidade.

Àquela altura, nem o mais otimista dos azulinos acreditava mais em milagre. Daniel Felipe ainda descontou, mas o time não teve força e nem equilíbrio emocional para um último esforço em busca de uma reversão no placar. O jogo terminou melancolicamente. O Remo sofreu nova eliminação em disputa nacional e, desta vez, saindo de uma Série C na qual entrou como um dos cotados para disputar o acesso.

Os erros sem conta cometidos ao longo da campanha desaguaram todos no compromisso final. O 12º lugar na classificação expressa bem o que foi o Remo na Série C. Faltou técnica, arrojo e comprometimento.

Como no ano passado, a culpa pelo fiasco é generalizada. No futebol não há espaço para individualizar êxitos e fracassos. Os problemas precisam ser dimensionados coletivamente. Por ordem, respondem pelo vexame a diretoria, os dirigentes que atuam no futebol, a comissão técnica e o time.

A ideia de que era possível fazer ajustes ao longo da disputa mostrou-se infeliz. Nenhuma das peças contratadas com o campeonato em andamento funcionou a contento, o que inclui o técnico Gerson Gusmão, que substituiu Paulo Bonamigo e terminou a competição sem entender direito o que é o Remo e sua exigente torcida.

Tropeço em casa não tira entusiasmo do Papão

Não chegou a ser um desastre, mas a derrota do PSC em casa para o Floresta acendeu luzes amarelas no painel bicolor na Série C. A partida, disputada de novo com a Curuzu lotada, tinha tudo para ser uma festa de coroamento da excelente campanha no Brasileiro. A derrota por 1 a 0 não pode tirar, porém, o ânimo da equipe para a fase mais importante da competição.

O time entrou no embalo da empolgação da torcida e foi agudo nos primeiros lances, mas sofreu um duro baque com o gol marcado por Rafael Luz em cabeceio ainda no primeiro tempo. O lance surgiu de um escanteio pela direita, que a zaga não marcou direito.

José Aldo, Serginho e Marlon tentaram recolocar as coisas nos eixos, mas a bola passava perto ou ia nas mãos do goleiro do Floresta. A sequência de chances desperdiçadas começou a inquietar o torcedor e a intranquilizar o time. À medida que o gol não saía, os erros começaram a acontecer.

Passes e lançamentos errados indicavam o desgaste que o time sofria pelo empenho excessivo para chegar ao gol. Nesse sentido, é preciso contextualizar o jogo de sábado. O adversário veio para tudo ou nada, consciente de que precisava vencer para escapar à degola.

O Floresta foi bem disciplinado em tentar neutralizar as ações mais fortes do PSC do meio para a frente. Pipico e Serginho foram bem vigiados, sem opções para chutes da entrada da área. Quando isso foi permitido, os chutes saíram tortos e sem direção.

Na etapa final, por força da insistência nas subidas ao ataque, o PSC abriu a defesa e correu riscos de sofrer o segundo gol. O torcedor não gostou do que viu, pois esperava uma atuação com autoridade e segurança.

Saiu insatisfeito da Curuzu e consciente de que o time precisará ter um comportamento inteiramente diferente nos compromissos do quadrangular, que começam no próximo sábado diante do Vitória, em Salvador.

O meio-campo, que já foi dinâmico e rico em ideias, vem há algum tempo mostrando um certo esgotamento, facilitando a marcação adversária e sem apresentar a mesma conexão com o ataque. A zaga, aqui e ali, comete desatenções que resultam em gols.

O ensaio final para o quadrangular, que tinha tudo para ser no sábado, agora terá que ser aperfeiçoado nos treinos da semana. Nada que não possa ser ajustado, mas o fato é que os sinais de alerta estão postos e precisam ser bem observados. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 15)