Um jogo de risco na Paraíba

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo tem pela frente hoje um dos jogos mais complicados de sua caminhada na Série C. Enfrenta, em João Pessoa, o Botafogo local sob um clima de ameaças e hostilidades. Tudo porque dois jogadores e o técnico Gerson Gusmão trocaram o Belo pelo Leão.

Quis o destino que o jogo, válido pela 16ª rodada, encontre os times em situações diferentes na competição. O Remo é o nono colocado, com 21 pontos, tentando desesperadamente voltar ao G8. Já o Botafogo é o terceiro, com 25 pontos e um jogo a menos.

Apesar dessa condição privilegiada, o Botafogo está mordido com o Remo. Quer a todo custo vingar o que considera uma afronta por parte do campeão paraense. Entende que faltou ética. Não importa que o futebol brasileiro tenha normalizado a prática de tirar jogadores e técnicos de um outro clube.  

Nada disso, porém, parece afetar a tranquilidade que os remistas adquiriram com o triunfo sobre o ABC. E, para dar ainda mais esperanças, o técnico Gerson Gusmão detém amplo conhecimento sobre o adversário, onde esteve até recentemente.

A torcida entendeu o momento e abraçou a causa. Um numeroso grupo de torcedores foi se despedir da delegação na sexta-feira à tarde, acompanhando o ônibus do clube desde o Baenão até o aeroporto de Val-de-Cans. Uma forma eloquente de demonstrar apoio e confiança.

Sem Anderson Uchoa, seu jogador mais regular, o Remo terá o desafio de reeditar a boa atuação do domingo passado. O primeiro volante será substituído por Marciel, que fará dupla com Paulinho Curuá na marcação. Anderson Paraíba, um dos alvos da ira paraibana, será o meia-armador.

O ataque volta a ter uma configuração de fato ofensiva. Brenner será escoltado por dois pontas agudos, Bruno Alves e Leandro Carvalho. As chances de um bom resultado existem, sendo que até o empate pode ser interessante para os azulinos.

Da penúria técnica das divisões nacionais

Os jogos da Série C são, em geral, difíceis de assistir. O nível médio das equipes é muito ruim, beirando o patético em alguns momentos. Erros de passe são a marca registrada dos times. Ausência de organização. Trombadas em profusão. Chutões para todo lado. Nada tão surpreendente assim levando em conta a precariedade técnica dos times.

Apesar de seus muitos problemas, é possível relevar e entender o baixo nível da competição que abriga a dupla Re-Pa. Os investimentos são menores, a TV aberta não se interessa pelos jogos e os únicos que ainda vão a campo são os torcedores dos times mais tradicionais – Vitória, Remo, PSC, ABC e Botafogo-PB.  

Numa comparação direta, a Série B, uma divisão mais bem aquinhoada, com receita garantida para os clubes participantes, transmissão de todos os jogos, é um caso imperdoável. Vejo diariamente jogos horrendos, verdadeiro festival de pancadaria e espancamento da bola.

Ainda na sexta-feira acompanhei Sampaio x Sport, respectivamente quinto e sexto colocados. Uma pelada desavergonhada, sem inspiração individual e sem arrumação tática dos dois lados. O Sampaio, menos pior, conseguiu fazer dois gols em cruzamentos na área e um de pênalti, acertando um disparo de fora da área para fechar o placar.

Pimentinha, o eterno, foi o mais lúcido em campo. E isso já explica o que foi o jogo. Prevalecem os sistemas encaixotados, expressões do medo dos técnicos. Fecham-se em duas linhas de marcação para garantir o emprego. Só mudam quando sofrem gol. O pior é que não difere muito da divisão de elite, o que mostra que o futebol no Brasil está rigorosamente no limbo. Nunca esteve tão ruim.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda a atração, a partir das 21h30, na RBATV. Participações de Lauane Chuliê e deste escriba de Baião. Em pauta, a Série C do Campeonato Brasileiro. A edição é de Lourdes Cézar.

Glorioso SAF não engrena e as joias sofrem

O Botafogo, visto como novo rico depois que aderiu à SAF, não acerta o passo na Série A. Reforçado de maneira meio atrapalhada, em alguns jogos semeia ilusões, noutros é pura decepção. Contra o Inter protagonizou a virada mais espetacular do campeonato. Diante do Palmeiras, tomou uma sova vergonhosa.

Na Copa do Brasil, aprontou daquelas coisas típicas do folclore botafoguense. Tomou de 5 a 0 (no placar agregado) do modestíssimo América-MG. No Brasileiro, coleciona insucessos mesmo quando joga bem, como contra o Santos, na Vila.

Mandava no jogo, tocava a bola com consciência, criava oportunidades, mas – como de hábito – desperdiçava gols com a irresponsabilidade dos tontos. Aí, como sempre ocorre, o Peixe aproveitou dois contra-ataques e matou a parada.

Em meio a isso, uma boa geração de joias vai ficando em segundo plano ou começa a levar pancadas injustas. Matheus Nascimento, um atacante de boa técnica e visão de jogo, perdeu duas chances e passou a ser cornetado. O liso Jefinho, driblador infernal, também ficou no quase.

Existem outros, como Kayke, Hugo e DG, que correm o mesmo risco: serem julgados pela inadequação a um time em eterna construção. O português Luís Castro experimenta tanto que parece a reinvenção do Professor Pardal.

A torcida, desalentada, já vê ali adiante os faróis da Série B. Valha-nos quem?

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 24)

Um comentário em “Um jogo de risco na Paraíba

  1. Futebol horrível, time sem perspectiva, inexistente, nem a disposição se faz presente no time, se contentam com as limitações técnicas que o grupo possui.
    Depois das derrotas para Brasil-RS, Altos-PI e Atlético-CE, e o futebol que vem apresentando, o Remo não oferece a menor condição de garantir a classificação, só resta torcer para se manter na C.
    A troca de técnico não passou de um seis por meia dúzia. A Diretoria não se programou para C, mais uma vez pensou, que a conquista do Parazão seria referência, mas não levou em conta a derrota para o rival na decisão.
    Agora a conta chegou, recebeu apoio financeiro do Estado e não soube montar um time competitivo.

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