Tempos de glória

A genialidade e a magia do futebol mundial reunidas numa só foto. Idos de 1962, sete craques da Seleção Brasileira posam antes de um clássico Botafogo x Santos. Garrincha, Zito, Nilton Santos, Pelé, Zagallo, Pepe e Didi. Hoje à noite, sem nenhum vestígio de craque em campo, os dois tradicionais clubes se enfrentam pelo Campeonato Brasileiro.

Estudo do Instituto Igarapé mostra que crime organizado da Amazônia se espalhou pelo Brasil

Estudo inédito do Instituto Igarapé mostra que a cadeia do crime organizado da Amazônia se espalhou por todo o Brasil

Ecossistema do crime da região está espalhado por 24 Estados e 254 cidades do país

Áreas protegidas e terras indígenas concentram boa parte da ação da PF: 45% das operações mapeadas buscaram reprimir ilicitudes cometidas nessas localidades

Oito cidades localizadas em outros países também foram alvo de investigações

Análise realizada pelo Instituto Igarapé a partir de mais de 300 operações da Polícia Federal (PF) realizadas entre os anos de 2016 e 2021 demonstra que, além de possuir uma natureza organizada, a criminalidade ambiental na Amazônia está muito longe de ser um problema apenas local. As ramificações do ecossistema do crime ambiental chegaram em 24 dos 27 estados brasileiros, com exceção de Alagoas, Pernambuco e Paraíba.

De acordo com o artigo “Territórios e Caminhos do Crime Ambiental na Amazônia Brasileira: da floresta às demais cidades do país”, lançado nesta terça-feira (19/07), essas operações se desdobraram em 846 territórios espalhados na América do Sul. O estudo faz parte da série “Mapeando o Crime Ambiental na Amazônia”. Os territórios mapeados nas operações da PF estão em 197 municípios da Amazônia Legal, (75% do total de cidades identificadas), 57 municípios fora da Amazônia Legal (22%) e oito em cidades de países vizinhos (3%).

As operações da PF foram motivadas pelo desmatamento descontrolado com alvo em diferentes economias ilícitas ou contaminadas com ilicitudes como a extração ilegal de madeira, a mineração ilegal (sobretudo do ouro), a grilagem de terras e atividades agropecuárias com passivo ambiental. É o que mostrou o artigo estratégico “O ecossistema do crime ambiental na Amazônia: uma análise das economias ilícitas da floresta”, lançado em fevereiro pelo Instituto Igarapé. Essas atividades movimentam um ecossistema de criminalidade que envolve crimes ambientais e não ambientais, como crimes financeiros, tributários, corrupção, fraude e crimes violentos.

“Já havíamos identificado que o crime ambiental não acontece sozinho. O que esse novo artigo mostra é que todo o Brasil é responsável pelo o que acontece na Amazônia.”, avalia Melina Risso, diretora de Pesquisa do Instituto Igarapé. “O lócus do crime ambiental é a Amazônia Legal que acaba sofrendo os impactos sociais, econômicos e ambientais. Porém, os desdobramentos ultrapassam suas fronteiras. Atividades criminosas em diferentes estados brasileiros e países sul americanos participam dessa cadeia de ilicitudes amazônica”, conclui.

“O objetivo do Instituto Igarapé não é nomear atores ou fazer denúncias. Queremos compreender melhor o escopo, a escala e as dinâmicas por trás desse ecossistema de crimes ambientais para promover melhores políticas públicas e corporativas que protejam as pessoas e a floresta” afirma Ilona Szabó de Carvalho, presidente do Instituto Igarapé. “O que está claro é que precisamos de ações urgentes e permanentes do poder público e do setor privado e financeiro, que por sua vez precisa fechar as brechas que ainda permitem ilegalidades nas cadeias de suprimento e operações financeiras, e atrair capital responsável para a região”, complementa.

O Pará é o estado que mais aparece no mapeamento. Foram 83 operações da Polícia Federal que atuaram em 161 territórios divididos em 46 municípios. Rondônia aparece em segundo lugar com 122 territórios em 29 municípios e Amapá vem em seguida com 101 territórios em dez municípios. Fora da Amazônia Legal, o estado de São Paulo se destaca com 36 territórios, seguido do Paraná com 14 territórios e do estado de Goiás com 10 territórios.

Internacionalmente, as operações tiveram desdobramentos na Guiana Francesa e Venezuela (cinco cada), Suriname (quatro), Colômbia (duas), Paraguai e Bolívia (um cada). Considerando as atividades econômicas ilícitas investigadas pela Polícia Federal, o ecossistema da madeira é o que mais possui territórios mapeados (366), sendo 87% na Amazônia Legal e 13% fora dela. No total, 23 estados brasileiros e 166 municípios estão conectados a essa economia ilícita. 22% dos territórios estão em áreas protegidas na Amazônia Legal – como Terras Indígenas (TIs), Unidades de Conservação (UCs) e Áreas de Preservação Permanente (APPs).

Dos mais de 350 territórios ligados à mineração, 80% estão dentro da Amazônia Legal e 20% estão espalhados pelo país ou até mesmo em países na fronteira. Ao todo, 125 cidades e 20 estados brasileiros fazem parte dos caminhos da mineração ilegal. Dentro da Amazônia os destaques são Alto Alegre (RR), Ourilândia do Norte, Itaituba e Jacareacanga (PA). Fora da Amazônia, o município que se destaca neste ecossistema é São Paulo (SP).

O estudo do Instituto Igarapé alerta para um cenário no qual as áreas protegidas da Amazônia se encontram cada vez mais sob ameaça do crime ambiental e crimes conexos. 45% das operações da Polícia Federal no período investigaram ilícitos cometidos no interior de áreas protegidas. Dos 451 territórios mapeados como local principal do crime ambiental na Amazônia Legal, 141 (31%) se encontram no interior de Terras Indígenas (TIs). No total, 37 TIs tiveram desdobramentos das operações mapeadas. Entre as afetadas estão: TI Yanomami em Roraima (com 26 aparições em ações policiais ligadas de combate à mineração ilegal e extração ilegal de madeira), TI Munduruku no Pará (com oito menções ligadas à mineração ilegal), TI 7 de Setembro em Rondônia (com oito menções, ligadas à extração ilegal de madeira e mineração ilegal). Um total de 19 Terras Indígenas foram objeto de investigações relacionadas a crimes com alguma dimensão de violência.

As terras ou florestas públicas não destinadas, áreas florestais pertencentes aos governos estaduais ou federais que ainda não tiveram seu uso decretado, estiveram quase ausentes da mirada da Polícia Federal no período examinado. Entre 2016 e 2021, apenas 7 operações (2% do total) foram deflagradas neste tipo de território. O desmatamento ocorrido nestas áreas é, no entanto, grande fonte de pressão nas atuais taxas de perda de cobertura florestal na Amazônia e sabidamente relacionado ao processo de grilagem.

Ainda neste sentido, o estudo também mostra a preocupante tendência de expansão dos territórios afetados pelo ecossistema do crime ambiental em porções do espaço amazônico para além do tradicional “Arco do Desmatamento” (as regiões da Amazônia Legal em que a perda da cobertura florestal já foi consolidada). Juntos, estes achados produzem um alerta para as ameaças que hoje pesam em áreas até então mais protegidas de floresta e reforçam a necessidade de combater os crimes ambientais e crimes conexos como estratégia de controle do desmatamento na Amazônia.

A série “Mapeando o crime ambiental na Bacia Amazônica” busca produzir estudos que forneçam uma melhor compreensão da dinâmica contemporânea do crime ambiental e ilegalidades relacionadas na Bacia Amazônica e gere recomendações a um conjunto de atores envolvidos no combate a estes crimes e ilegalidades em nível local, nacional e regional. Os estudos desenvolvidos para esta Série lançam luz sobre dimensões menos exploradas desses fenômenos.

Para saber mais sobre o Programa de Segurança Climática do Instituto Igarapé: https://igarape.org.br/temas/seguranca-climatica/

Sobre o Instituto Igarapé:

O Instituto Igarapé é um think and do tank independente focado nas áreas de segurança pública, climática e digital e suas consequências para a democracia. Seu objetivo é propor soluções e parcerias para desafios globais por meio de pesquisas, novas tecnologias, comunicação e influência em políticas públicas. O Instituto trabalha com governos, setor privado e sociedade civil para desenhar soluções baseadas em dados. Fomos premiados como a melhor ONG de Direitos Humanos no ano de 2018 e melhor think tank em política social pela Prospect Magazine em 2019. Somos uma instituição sem fins lucrativos, independente e apartidária, com sede no Rio de Janeiro. Nossa atuação, no entanto, transcende fronteiras locais, nacionais e regionais. O Instituto Igarapé tem profissionais em cidades de todas as regiões do Brasil e no Canadá, Colômbia, Estados Unidos e Reino Unido. Temos parcerias e projetos em mais de 20 países. (https://igarape.org.br/sobre-o-igarape/)

E o novo Mangueirão vem aí

POR GERSON NOGUEIRA

A partir de setembro, Remo e PSC poderão disputar jogos da Série C no estádio Jornalista Edgar Proença. A entrega do novo Mangueirão será no próximo dia 30 de agosto. O cronograma de obras atingiu 84% nesta semana, confirmando as datas estabelecidas há um ano e meio, quando a monumental reforma foi iniciada.

O anúncio oficial foi feito pelo governador Helder Barbalho: “Já em setembro, Remo e Paysandu poderão disputar a Série C aqui, além também da disponibilidade do estádio para as demais agremiações, para o esporte amador e o atletismo do nosso Estado”.

Quando o amistoso da Seleção Brasileira ficou inviabilizado pelas futricas internas da Federação Paraense de Futebol, com sua chusma de incompetentes, houve quem se desse ao trabalho de lançar desconfiança sobre o prazo de entrega do novo Mangueirão.

Na verdade, o sonho de Helder era reinaugurar o estádio com a presença da Seleção Brasileira de Tite, preferencialmente contra a Argentina, em partida adiada das Eliminatórias Sul-Americanas. Ocorre que a demora da eleição na FPF deu à CBF o motivo perfeito para cancelar o jogo.

A obra de modernização do Mangueirão custou R$ 146 milhões. As obras começaram em fevereiro de 2021. O principal item da revitalização foi o aumento da capacidade do estádio, que pulou de 35 mil para 53.645 espectadores, confortavelmente instalados.

Apesar da manutenção da pista de atletismo, o projeto acrescentou cobertura às rampas de acesso e um novo anel foi instalado atrás de cada gol, ocupando o antigo espaço vazio. A grama foi replantada e o conjunto dá ao Mangueirão aspecto de uma verdadeira arena Fifa.

O novo Mangueirão brotará com uma arquitetura de construção ecológica, dotado de sistemas de captação e reaproveitamento da água da chuva e painéis para produção de energia solar.  

Em atenção às normas da Fifa, o estádio terá área exclusiva para a central do VAR. O torcedor acostumado às linhas arquitetônicas externas do Mangueirão pode ficar tranquilo, a reforma não alterou suas características originais. 

Clima de guerra aguarda o Leão na Paraíba

O maior desafio do Remo na Série C deve ser a partida de domingo, em João Pessoa, contra o Botafogo local. Nem tanto pelo que o time paraibano representa, mas pelo clima de confrontação que se desenha contra os azulinos. Aborrecidos com as investidas azulinas sobre jogadores do elenco botafoguense, a diretoria do clube reclamou muito quando o Remo oficializou proposta pelo meia Anderson Paraíba, jogador que era considerado peça importante no Belo.

Logo em seguida, ao demitir o técnico Paulo Bonamigo, o Remo foi buscar o substituto justamente no Botafogo. Procurou Gerson Gusmão, apresentou uma oferta e o treinador decidiu trocar João Pessoa por Belém.

Estava declarada a nova guerra de Canudos. A direção do Belo encarou as atitudes como perseguição ao clube e seus dirigentes chegaram a ironizar os azulinos, dizendo que o Remo passou a ser uma “filial” do Botafogo.

Tudo parecia serenado até que chegou a semana do duelo entre os desafetos. Em programas de rádio de João Pessoa, os torcedores se manifestam tratando a partida como de vida ou morte. Gusmão ganhou até meme com sua foto emoldurando uma nota de 100 reais.

Uma patacoada sem fim. Clubes procuram reforços de acordo com seus interesses e recursos. Acontece em todas as divisões – o Flamengo tirou Dorival do Ceará e o Santos foi buscar Lisca Doido no Sport – e a vida segue seu curso.

Cabe ao time azulino ter tranquilidade para resistir à pressão extracampo. Ao mesmo tempo, se o Belo jogar pilhado (como sua torcida), abre caminho para que o Leão use o aspecto emocional em seu favor.

Direto do blog campeão

“Ufa, ufa! Feliz com a vitória, que veio em excelente hora. A atitude do técnico remista em cutucar o vespeiro deu certo. Continuo não colocando a mão no fogo por essa diretoria fraca, mas hoje vejo que Gerson Gusmão chacoalhou os arraiais azulinos. Paulinho Curuá jamais deveria ter saído do time, sempre que entrava proporcionava boas jogadas. Bruno Alves é outro que não deveria ter saído. Brenner perde muitos gols, mas é uma referência e vence pela persistência. Agora vejamos como o time vai se comportar nos jogos restantes. É necessário fazer os 6 pontos que restam dentro de casa e beliscar ao menos 1 ponto contra os Botafogos. Qualquer tropeço será fatal para o objetivo da classificação”. Camilo Ferreira

Presidente rompe com a era da omissão na FPF

Um dos primeiros atos externos do novo presidente da FPF, Ricardo Gluck Paul, recentemente eleito e empossado, deve ser no jogo entre Botafogo-PB e Remo, domingo, em João Pessoa. Devido às hostilidades manifestadas em relação ao clube paraense, o dirigente manteve contato com a presidente da Federação Paraibana, Michelle Ramalho, pedindo apoio e assistência à delegação azulina na cidade.

Um gesto oportuno e que revela uma guinada na gestão da FPF, que nos últimos anos praticamente deixava os clubes ao deus-dará. Ricardo decidiu criar um grupo de trabalho com membros das duas federações para tratar de todos os aspectos da partida, em especial a questão da segurança.

“Estamos numa fase decisiva da Série C, é um dever da FPF estar ao lado dos seus filiados em quaisquer circunstâncias. Conversei com o presidente Fábio Bentes e ratifiquei que não mediremos esforços para garantir que o Clube do Remo tenha toda tranquilidade e segurança para desenvolver seu trabalho em busca da classificação”, pontuou Ricardo, que deve acompanhar a delegação remista a João Pessoa. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 20)