Bolsonaro liga para a família da vítima de Foz de Iguaçu para tentar “limpar imagem”

A policial civil Pâmela Suellen Silva, viúva do petista assassinado em Foz de Iguaçu (PR), Marcelo Arruda, vê tentativa de uso político da tragédia pelo presidente. Pâmela só tomou conhecimento da visita do deputado bolsonarista Otoni de Paula a dois irmãos de seu marido no início desta noite, ao receber um vídeo da conversa que o presidente teve com eles por telefone. Ela diz que não foi convidada para a agenda e nem recebeu nenhum contato de Bolsonaro ou do governo lhe prestando solidariedade. Marcelo Arruda foi morto por um extremista apoiador de Bolsonaro.

— Acredito que Bolsonaro está preocupado com a repercussão política, porque, tanto no vídeo que fez no cercadinho como no que conversa com os irmãos do Marcelo, Bolsonaro diz que estão tentando colocar a culpa nele — afirmou Pâmela à coluna, referindo-se à declaração dada nesta terça-feira elo presidente, de que o assassino Jorge José da Rocha Guaranho, autor dos disparos contra Marcelo, também foi alvo de agressões. Bolsonaro disse que a vítima jogou uma pedra no carro de Guaranho.

Pâmela classificou a fala de Bolsonaro como “ridícula” e afirmou que o presidente tenta “distorcer o fato real”, de que Guaranho invadiu a festa com uma arma fazendo ameaças. Sobre o motivo de Otoni de Paula ter se encontrado apenas com dois irmãos de Marcelo e não ter convidado a esposa da vítima para que se manifestasse sobre o episódio, ela respondeu:

— Ele os procurou porque esses dois irmãos são apoiadores do Bolsonaro, das ideias de direita. Sempre havia essa debates entre eles, mas eles se respeitavam e cada um seguia sua vida.

Durante a conversa que teve com os dois irmãos, Bolsonaro disse que a imprensa e a esquerda têm procurado jogar a culpa do caso sobre ele.

— Possivelmente, estão preocupados só com a própria imagem — comentou Pâmela.

Ela afirmou à coluna que, se fosse convidada por Bolsonaro para um encontro, só aceitaria com a condição de dar uma coletiva de imprensa relatando os fatos que aconteceram.

— Não aceitaria ir só para fazer foto.

(Por Bela Megale/O Globo)

Deixe uma resposta