Os 22 grampos secretos de Lula

Por Leandro Demori – The Intercept_Brasil

Todo mundo lembra do áudio do Bessias? Em 16 de março de 2016, Sergio Moro tornou público um diálogo em que Dilma Rousseff tratou com Lula de sua posse como ministro da Casa Civil. Ao ouvir o áudio, tinha-se a certeza de que Lula queria garantir seu foro privilegiado para fugir a Lava Jato.

Quando aquele único áudio de 1min35s se tornou público pela televisão, milhares de pessoas tomaram as ruas trajando verde e amarelo. Pressionado, o STF impediu a posse de Lula com uma decisão de Gilmar Mendes. Acontece que Gilmar foi enganado por Moro e pela Lava Jato.

Em setembro de 2019, uma reportagem da Vaza Jato revelou que a Polícia Federal gravou não apenas um, mas VINTE E DOIS telefonemas de Lula após a ordem para interromper as escutas que revelaram o famoso diálogo do Bessias.

O que diziam aqueles telefonemas de Lula com políticos, sindicalistas e o então vice-presidente Michel Temer? Que Lula disse a seus diferentes interlocutores naquele dia que estava relutante em aceitar o convite de Dilma para ser ministro. Ele só o aceitou após sofrer pressões de aliados.

(Na verdade, o ex-presidente só mencionou as investigações da Lava Jato uma vez.)

De posse das anotações das conversas, a reportagem da Vaza Jato elucida que Lula estava, de fato, empenhado em buscar uma reaproximação com Temer e o MDB. Sua meta era salvar o governo Dilma, e não buscar foro privilegiado.

Ao levantar sigilo sobre apenas um áudio, Moro mentiu para o país e direcionou a história da nação para no que, depois, daria na eleição de Jair Bolsonaro – com seu apoio, recompensado com um cargo no Ministério da Justiça e a promessa de que seria o próximo ministro do STF.

Hoje, uma notícia dá conta de que até mesmo um ministro do STJ defendeu invasão de manifestantes ao STF ainda em 2016. João Otávio Noronha estava indignado, em 2016, com o tal áudio do Bessias. Em que pese o absurdo de seu desejo antidemocrático, Noronha foi mais um enganado pelo superman de borracha.

Os grampos que nunca ouvimos seguem desaparecidos. Será que o Sergio poderia nos deixar ouvir?

As façanhas do lateral/ala artilheiro

Contra o Colo-Colo, na noite desta quarta-feira, pela Copa Libertadores, o ala paraense Yago Pikachu fez o quarto gol do Fortaleza e alcançou a excepcional marca de 129 gols na carreira. O Tricolor cearense venceu por 4 a 3, no Monumental de Santiago, e se classificou para a próxima fase do torneio. Acompanhe abaixo todos os gols da carreira de Pikachu por jogos, competições e temporadas.

Registro de gols por jogo, começando por 2011:

  1. Banespa de Augusto Corrêa 1×3 Paysandu-Amistoso
    2012
  2. Águia de Marabá 2×1 Paysandu-Paraense
    3 Paysandu 3×0 Trem-Amistoso
    4 Paysandu 2×1 Águia de Marabá-Paraense
    5 Paysandu 2×2 Independente-Paraense
    6 Paysandu 2×1 Sport-Copa do Brasil
    7 Sport 1×4 Paysandu-Copa do Brasil
    8 Paysandu 1×1 Águia de Marabá-Paraense
    9 Guarany de Sobral 1×2 Paysandu-Série C
    10 Luverdense 2×2 Paysandu-Série C
    11 Fortaleza 3×1 Paysandu-Série C
    12 Paysandu 4×0 Salgueiro-Série C
    13 Paysandu 2×0 Macaé-Série C
    14 Macaé 3×2 Paysandu-Série C
    2013
    15 Paysandu 2×2 São Francisco-Paraense
    16 Paysandu 6×2 Águia de Marabá-Paraense
    17 Paysandu 3×1 Tuna-Paraense
    18 São Francisco 0x2 Paysandu-Paraense
    19 Paysandu 3×1 Remo-Paraense
    20 Tuna 2×2 Paysandu-Paraense
    21 Paysandu 1×1 América RN-Série B
    22 Palmeiras 3×2 Paysandu-Série B
    23 Paysandu 2×0 Sport-Série B
    24 Paysandu 2×1 Chapecoense-Série B
    25 Guaratinguetá 1×1 Paysandu-Série B
    26 Figueirense 3×2 Paysandu-Série B
    27 Paysandu 1×0 ABC-Série B
    28 Paysandu 1×0 Palmeiras-Série B
    29 Icasa 2×1 Paysandu-Série B
    2014
    30 Paysandu 3×1 Santa Cruz de Cuiarana-Paraense
    31/32 Paysandu 6×0 São Francisco-Paraense
    33 Paysandu 2×2 Paragominas-Paraense
    34 Paysandu 6×1 Princesa do Solimões-Copa Verde
    35 Santa Cruz de Cuiarana 2×4 Paysandu-Paraense
    36 Paysandu 3×1 Independente-Paraense
    37 Paysandu 3×0 São Francisco-Paraense
    38 Paysandu 1×0 ASA-Série C
    39 Paysandu 2×1 Sport -Copa do Brasil
    40 Remo 2×2 Paysandu-Paraense
    41 Paysandu 2×0 Remo-Paraense
    42 Paysandu 3×0 CRB-Série C
    43 CRAC 0x3 Paysandu-Série C
    44 Macaé 1×1 Paysandu-Série C
    2015
    45/46 Paysandu 4×0 Gavião Kyikatejê-Paraense
    47 Paysandu 2×0 Santos AP-Copa Verde
    48 Paragominas 1×2 Paysandu-Paraense
    49 Remo 1×3 Paysandu-Paraense
    50 Remo 0x2 Paysandu-Copa Verde
    51 Paysandu 9×0 São Francisco-Paraense
    52 ABC 1×2 Paysandu-Copa do Brasil
    53 Paysandu 2×1 Ceará-Série B
    54 Boa Esporte 0x1 Paysandu-Série B
    55 ABC 0x2 Paysandu-Série B
    56 Náutico 1×1 Paysandu-Série B
    57 Paysandu 2×0 Atlético GO-Série B
    58 Paysandu 3×0 Bahia-Copa do Brasil
    59 Fluminense 2×1 Paysandu-Copa do Brasil
    60 Botafogo 2×3 Paysandu-Série B
    61 Paysandu 1×2 Fluminense-Copa do Brasil
    62 Vitória 3×1 Paysandu-Série B
    63 Atlético GO 2×1 Paysandu-Série B
    64 América MG 3×1 Paysandu-Série B
    2016
    65 Luverdense 1×1 Vasco-Série B
    66 Santa Cruz 2×3 Vasco-Copa do Brasil
    67 Vasco 3×2 Oeste-Série B
    68 Vasco 2×0 Joinville-Série B
    2017
    69 Vasco 1×0 Madureira-Carioca
    70 Flamengo 2×2 Vasco-Carioca
    71 Nova Iguaçu 0x2 Vasco-Carioca
    72 Vasco 2×1 Bahia-Brasileiro
    73 Vasco 1×0 Avaí-Brasileiro
    2018
    74 Vasco 4×2 Nova Iguaçu-Carioca
    75 Universidad de Concepción 0x4 Vasco-Libertadores
    76 Vasco 2×0 Universidad de Concepción-Libertadores
    77 Vasco 4×0 Jorge Wilstermann-Libertadores
    78 Vasco 4×3 Boavista-Carioca
    79/80 Botafogo 2×3 Vasco-Carioca
    81 Vasco 2×1 Atlético MG-Brasileiro
    82 Vasco 2×3 Vitória-Brasileiro
    83 Universidad de Chile 0x2 Vasco-Libertadores
    84 Vasco 1×0 Paraná-Brasileiro
    85/86 Vasco 3×2 Sport-Brasileiro
    87 Vasco 2×0 Bahia-Copa do Brasil
    88 Vasco 1×4 Corinthians-Brasileiro
    89 São Paulo 2×1 Vasco-Brasileiro
    90 Vasco 2×1 Bahia-Brasileiro
    91 Vasco 2×0 Cruzeiro-Brasileiro
    92 Vasco 2×0 São Paulo-Brasileiro
    2019
    93 Vasco 1×0 Fluminense-Carioca
    94 Vasco 2×0 Resende-Carioca
    95 Botafogo 1×1 Vasco-Carioca
    96 Avaí 0x1 Vasco-Copa do Brasil
    97 Fortaleza 1×1 Vasco-Brasileiro
    98 Foz do Iguaçu 1×3 Vasco-Amistoso
    99 Grêmio 2×1 Vasco-Brasileiro
    100 Vasco 1×0 Fortaleza-Brasileiro
    101 Flamengo 4×4 Vasco-Brasileiro
    102 Vasco 1×1 Chapecoense-Brasileiro
    2020
    103 Vasco 3×0 Botafogo-Brasileiro
    104 Vasco 3×2 Atlético MG-Brasileiro
    2021
    105 Fortaleza 1×0 Ypiranga de Erechim-Copa do Brasil
    106 Fortaleza 6×0 Atlético/Cearense
    107/108 Atlético MG 1×2 Fortaleza-Brasileiro
    109 Fortaleza 5×1 Internacional-Brasileiro
    110 Fortaleza 3×2 Chapecoense-Brasileiro
    111 São Paulo 2×2 Fortaleza-Copa do Brasil
    112 Bahia 4×2 Fortaleza-Brasileiro
    113 Fortaleza 1×0 Grêmio- Brasileiro
    114 Chapecoense 1×2 Fortaleza-Brasileiro
    115 Fortaleza 3×0 Athletico PR-Brasileiro
    116 Fortaleza 2×1 Bahia – Brasileiro
    2022
    117/118 Náutico 2×2 Fortaleza-Copa do Nordeste
    119 Pacajus 0x5 Fortaleza-Cearense
    120 Altos 1×1 Fortaleza-Copa do Nordeste
    121 Ferroviário 0x1 Fortaleza-Cearense
    122 Fortaleza 1×0 Sport-Copa do Nordeste
    123 Internacional 2×1 Fortaleza-Brasileiro
    124/125 Fortaleza 4×0 Caucaia-Cearense
    126 Fortaleza 1×1 São Paulo-Brasileiro
    127 Vitória 0x1 Fortaleza-Copa do Brasil
    128 Alianza Lima 0x2 Fortaleza-Libertadores
    129 Colo Colo 3×4 Fortaleza-Libertadores

Os 129 gols por competição:

Série A – 30
Paraense – 24
Série B – 21
Copa do Brasil – 13
Carioca – 10
Série C – 10
Libertadores – 6
Cearense – 5
Copa do Nordeste – 4
Amistoso – 3
Copa Verde – 3

Os 129 gols por temporada:

2011 – 01
2012 – 13
2013 – 15
2014 – 15
2015 – 20
2016 – 04
2017 – 05
2018 – 19
2019 – 10
2020 – 02
2021 – 12
2022 – 13

(Fonte: Jorginho Neves)

Projeto militar é ter administração paralela ao presidente, aponta pesquisador

Por Chico Alves, no UOL

A reunião de três institutos recheados de oficiais das Forças Armadas resultou na elaboração do documento “Projeto de Nação”, com propostas para serem implantadas no país até 2035. O texto de 93 páginas chama a atenção por ideias controversas como a cobrança do atendimento pelo SUS, o fim da autonomia universitária, sugestão de ocupar a Amazônia e oposição ferrenha ao “globalismo”, termo adotado pelo governo de Jair Bolsonaro para se referir à interdependência entre as nações.

Para o antropólogo Guilherme Lemos, da Universidade Federal de São Carlos, que pesquisa o papel das Forças Armadas no Brasil, o documento tem como base a criação de um Centro de Governo, que seria um órgão independente da administração federal e que cuidaria de implantar as propostas sem ser afetado pelas mudanças de governo resultantes do processo eleitoral.

“Equivale basicamente a você retirar das mãos civis, e sobretudo do próprio processo eleitoral e de alternância do poder da população escolhendo um representante, e colocar o poder nessa ‘administração’ do governo federal que não varia com as mudanças dos desejos do eleitor”, alertou o pesquisador à coluna.

Na entrevista a seguir, Lemos fala do texto, que foi lançado na quinta-feira (19), em cerimônia conduzida pelo general da reserva Luiz Eduardo da Rocha Paiva e que teve a presença do vice-presidente da República e do chefe do Estado-Maior do Exército:

Qual é a importância desse documento e por qual motivo devemos prestar atenção ao que ele propõe?

Guilherme Lemos – Em primeiro lugar, porque é proposta de institutos vinculados aos militares, como o Instituto General Villas Bôas, o Instituto Sagres e o Instituto Federalista. O lançamento teve a participação do chefe do Estado-Maior do Exército, do vice-presidente da República, o general Hamilton Mourão. Então não há dissociação entre o projeto e o que o Exército Brasileiro enquanto instituição pensa sobre o Brasil nas mais diversas áreas. Por exemplo, área de saneamento, o sistema prisional, área educacional e todas essas dimensões. Um dos elementos mais importantes do documento é aquilo que eles chamam de Centro de Governo, a sigla CDG, que seria aquilo que pensam como uma estrutura administrativa dentro do governo federal para gerir os outros ministérios todos, Minas e Energia, Casa Civil, entre outros, para fazer a gestão institucional. Seria uma estrutura administrativa que independe da própria Presidência da República. Por consequência, independe da própria alteração de governo. Se manteria essa administração paralela à Presidência. Isso já estaria implementado em 2035. Eu chamaria atenção para esse processo administrativo, que equivale basicamente a você retirar das mãos civis, e sobretudo do próprio processo eleitoral e de alternância do poder da população escolhendo um representante, e colocar o poder nessa “administração” do governo federal que não varia com as mudanças dos desejos do eleitor. Isso seria a cristalização do projeto político que os militares vêm pensando desde pelo menos 2014, quando o Bolsonaro começa a fazer campanha dentro da Aman (Academia Militar das Agulhas Negras).

Quais os pontos mais graves do projeto?

O projeto pode ser visto como a cristalização do pensamento militar atual, que também tem muita coisa do passado. Vem com toda aquela história de anticomunismo, algo comum nas instituições militares brasileiras. O comunismo vai ser reatualizado nesse projeto na forma de globalismo. Por causa do globalismo entra toda aquela história de segurança nacional que a gente já viu na história brasileira, do inimigo interno. Esse inimigo interno seriam desde os deputados extremistas entre aspas que é como eles colocam, que “ideologizariam” a política brasileira, até professores universitários, professores do ensino fundamental e toda essa coisa de “ideologizar” crianças e etcetera. O projeto diz que um dos objetivos seria retirar toda essa “ideologização”, todo esse “extremismo”, que é ensinado dentro de sala de aula desde o ensino fundamental até nas universidades. Para solucionar o problema das universidades, eles dizem expressamente que deveria haver uma interferência na autonomia universitária. Isso está no projeto: interferir nas nomeações de reitores, que seriam pessoas fora dessa vertente globalista, dessa vertente esquerdista. Tratam também de outras áreas. Como o saneamento, que se abriria cada vez mais para o mercado privado. Tem a coisa do sistema prisional, aquele projeto de mandar chefes de quadrilha para os presídios federais. Também tratam da Amazônia, com toda aquela cosmologia militar que vem desde os anos 90 ou mesmo desde o governo militar, aquela proposta de ocupar a Amazônia, por causa da ameaça à soberania da Amazônia por conta da ausência do Estado. Esses são os principais projetos, fora o que eles pensam sobre a classe política, algo que entra em toda aquela cosmologia sobre corrupção, que as elites políticas são corruptas, e que por isso é preciso um líder que não seria extremista, que não abriria mão para essa elite corrupta.

As propostas seriam implantadas por força de decreto?

Esse Projeto de Nação seria encaminhado aos poucos ao governo federal para que aquilo que eles falam em cada área fosse implementado por decreto, sim. Isso está muito claro na fala do general Rocha Paiva, no evento de lançamento do documento.

Em que medida esse projeto representa o pensamento de parcela significativa das Forças Armadas ou é apenas expressão de um grupo que está mais próximo do poder?

O projeto é emanação do pensamento que o Exército Brasileiro tem sobre o Brasil, como eles entendem a política e como eles entendem a si próprios enquanto uma instituição de Estado. Não sei se isso é uma visão majoritária ou compartilhada com a Marinha e a Aeronáutica, mas o projeto, sobretudo na questão da Amazônia, na questão própria dessa centralização administrativa nesse centro de governo, ele é representativo da geração que sai da AMAN em 1970, o general (Augusto) Heleno, do Braga Neto, de todos esses que estão atualmente no governo federal. Então eu diria que ela é bem representativa do que essa parcela do generalato, dos que chegaram a general durante a gestão dos presidentes Lula e Dilma. É representativa de como eles enxergam a política e que obviamente essas visões têm histórico de longa duração que são lastreadas na própria ideia do Exército ser o salvador da pátria, que o Exército propor um Projeto de Nação. Desde 1990 eles falam isso, que as elites brasileiras não são capazes de levar um Projeto de Nação adiante e que eles têm que se incumbir de dar um projeto ao Brasil nas mais diversas áreas. Então, a própria gestão federal atual é a cristalização desses processos de militares interferindo na política, dentro da política, praticando política. O projeto é a cristalização do próprio processo que eles implementaram nos últimos anos, a começar de 2014, quando resolveram que Bolsonaro era um projeto político que os levaria de volta ao poder.

Qual é o grande perigo desse projeto?

Em primeiro lugar, é colocado como se tivesse respaldo da sociedade. Mas é evidente que isso nasce dentro da caserna e que não tem respaldo algum da sociedade brasileira, que está alheia ao conteúdo do que eles estão propondo. A sociedade deveria estar atenta a esses processos de militares estarem falando expressamente em um documento público sobre o desejo de se manterem no poder, de manterem o poder no governo federal, independente da alternância decorrente do processo eleitoral. Isso não sou eu que estou falando, são eles que estão falando no próprio documento. Se a gente levar em conta a representatividade de figuras como o general Villas Bôas e o próprio vice-presidente da República em apoio a esse projeto, ele é extremamente significativo e extremamente importante de se chamar atenção. Independe da alternância de poder, é para ser implementado no atual governo e nos que virão.

Previsível e desorganizado

POR GERSON NOGUEIRA

Paulo Bonamigo é um técnico que desfruta merecidamente de muito prestígio e respeito junto ao torcedor do Remo. Não é para menos. Em sus passagens pelo clube sempre fez um trabalho sério e responsável, embora às vezes sem obter os resultados pretendidos. Em 2022, ele conseguiu finalmente o título paraense, que havia deixado escapar em 2021, mas o trabalho de preparar o elenco para o Brasileiro não frutificou. Até hoje, o time pouco exibiu de produtivo e pratica um futebol previsível.

O fato é que o Remo não tem um sistema adequado à realidade do elenco. Boas peças foram contratadas, mas isso não se reflete nas escalações e até nas mudanças o longo dos jogos. Não sabe ser ofensivo o tempo todo – como o Ypiranga foi n segunda-feira – e não joga em blocos, o que dificulta muito quando é atacado. Mais grave: todo mundo sabe que o time começa num ritmo, mas depois baixa as linhas e permite espaços.

A equipe tem perdido na Série C pontos preciosos por absoluta incompetência. Foi assim contra Manaus, S. José (em casa), Brasil de Pelotas e este último contra o Ypiranga. Dos quatro, o Remo poderia ter vencido pelo menos dois, o que garantiria tranquilidade e um lugar lá no topo da tabela de classificação. Ao contrário, a instabilidade prevalece e o time vive uma gangorra. Vence uma, perde outra em seguida.

Em Erechim, velhos erros e práticas totalmente em descompasso com o futebol moderno voltaram a assombrar o Remo, com prejuízos que poderiam ter sido evitados. O jogo usual na Série C exige aproximação entre os blocos, saídas rápidas e capacidade de se adaptar ao modelo do oponente. O Remo não conseguiu atingir nenhuma dessas exigências.

Para piorar, um jogador importante como Erick Flores, que viveu o seu melhor momento sob o comando de Felipe Conceição na Série B 2021, voltou a jogar como antes, de forma mais descuidada e exagerando nas tentativas individuais.

O jogo praticado por Flores é sinalizador do dilema vivido pelo time. Ao preferir o risco de fazer passes entre dois e até três marcadores, demonstra pouco confiar no conjunto. Excedeu-se em erros, atrasou inúmeras saídas e tomou decisões quase sempre erradas. Como isso é contagiante, acabou influenciando Marciel, que fez sua pior atuação pelo Remo desde que virou titular. A perda de dois defensores (Everton Sena e Leonan) gerou problemas, mas não justificar a atuação desleixada que o time teve depois de abrir vantagem logo aos 14 minutos.

Tudo isso deveria ter sido corrigido para o 2º tempo, mas Bonamigo, que se contentou em substituir Flores por Fernandinho no intervalo, não reforçou o setor de marcação e só foi mexer depois, promovendo a entrada do estreante João Patrick, que nem era a alternativa mais coerente, visto estar voltando a atuar depois de longa inatividade.

Acabou levando um amarelo logo de cara e depois foi punido com o segundo cartão, sendo expulso e abrindo ainda mais as linhas defensivas. Sem jogadores para criar, o Remo passou a depender de bolas esticadas por Marlon e Kevem para Bruno Alves e Brenner, isolados na frente.

Com isso, o Ypiranga ficou mais tranquilo ainda e o Remo sem poder ofensivo. Um time desarticulado e sem alma, facilmente dominado, escapando por pouco de tomar o terceiro gol – Vinícius fez um milagre numa finalização em dois tempos.

Poderia ter sido diferente se o técnico optasse por simplificar as coisas, lançando Paulinho Curuá no lugar de Marciel (que ficou até o fim do jogo errando quase tudo) e Ronald para substituir Flores, o que mexeria com o setor defensivo do adversário e daria ao Remo uma alternativa de escape pelo lado esquerdo recolocando Brenner no jogo.

O problema é que opções simples nem sempre interessam a quem tem conceitos já consolidados, o que parece ser o caso do treinador azulino.

Direto do blog campeão

“Gerson, infelizmente o Bonamigo não tem um padrão de jogo, não sei se por deficiência técnica dos jogadores que não acertam nenhum passe ou se o Bonamigo chegou no seu limite de conhecimento, técnico e tático. O time não tem posicionamento em campo, não ganha uma segunda bola, o tempo todo é chutão pra frente, não segura a bola no meio, erra muitos passes, vive de lampejos durante o jogo e não tem jogadas ensaiadas. O Ypiranga é apenas razoável, e o Remo mais uma vez ficou atrás se acovardando. Acho que o Bonamigo deveria fazer igual ano passado, sair numa boa, entregar o lugar por não conseguir mais extrair nada desse grupo. O time parece que se reúne na véspera para jogar. A Diretoria precisa também reunir com os jogadores, cartões amarelos infantis e expulsão no banco de reserva, aí não dá. Esses caras deveriam ver como os jogadores da Europa se comportam, profissionais na essência da palavra”. Jaime de Atlanta (EUA)

“O time está perdido. O Everton Sena saiu há pouco tempo do NASP, e já está voltando. O Jean Patrick saiu do NASP e foi expulso na estreia. O Kevem entra e faz gol contra e o Bonamigo insiste em preterir o Ronald. Onde vamos chegar?”. Bira Corrêa

“Já joguei a toalha em relação a Bonamigo faz tempo. O Remo segue tropeçando nas próprias pernas nessa Série C, sem plano de voo, digo, de jogo, específico pra cada partida, local e adversário. Bonamigo é o típico treinador brasileiro. Fica impassível na beira do gramado, vê a vaca se atolando no brejo sem esboçar reação alguma, esperando o intervalo para fazer as substituições e modificações táticas que acha necessárias, mas as mesmas de sempre. Discordo dos analistas que ficam exigindo, clamando, implorando pela entrada de Ronald quando a casa já está caindo ou já desabou. Ao fazer isso, chancela-se os erros do técnico que tem a obrigação de montar o time e fazê-lo jogar com harmonia, sem depender da boa atuação de um ou dois jogadores apenas. Aliás, o Remo tem um elenco de razoável pra bom, mas necessitando de um técnico que o faça jogar como um time”. Miguel Silva

(Coluna publica da na edição do Bola desta quarta-feira, 25)