Para quando setembro chegar

POR GERSON NOGUEIRA

Depois de um ano e dois meses de obras em ritmo intenso, o estádio estadual Jornalista Edgar Proença, o Mangueirão, já se encontra no terço final de melhoramentos. Quando for entregue, em setembro, a cidade de Belém terá ganho uma arena multiuso de padrão Fifa, moderno e confortável para receber um público de até 55 mil espectadores (antes só comportava 35 mil, e olhe lá).

A grande notícia é que o curso acelerado das obras vai permitir, caso tudo se encaminhe de acordo com o cronograma atual, a realização do último jogo da Seleção Brasileira no país antes da Copa do Mundo do Qatar, nada menos que o clássico Brasil x Argentina adiado nas Eliminatórias e remarcado para 22 de setembro.

Na entrevista que concedeu ontem, o secretário de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas, Ruy Cabral, ressaltou que o orçamento de R$ 146 milhões tem sido cumprido à risca. Os melhoramentos incluem 14 rampas de acesso, gramado novo, restaurantes e bares.

A confirmação oficial do clássico Brasil x Argentina só virá após a inspeção que uma comissão da CBF fará no Mangueirão no próximo dia 14 de junho, chefiada pelo diretor Juninho Paulista.

Cabe lembrar que, desde 2020, o governador Helder Barbalho faz gestões junto à CBF para assegurar a presença da Seleção Brasileira na festa de inauguração do novo Mangueirão. Depois que Rogério Caboclo foi defenestrado, o recém-eleito presidente da entidade, Ednaldo Rodrigues, reafirmou a promessa de garantir um jogo do escrete em Belém.

A conquista de uma praça esportiva de alto nível constitui um presente precioso para o futebol paraense. Em outros Estados, que ganharam arenas para a Copa de 2014, houve uma expressiva evolução dos clubes. A situação cearense é um bom exemplo: Fortaleza e Ceará se consolidam na Série A, com participação nos principais torneios sul-americanos.

No Pará, onde a federação segue sem comando, a recuperação tende a ser mais demorada e sofrida. Mas é sempre legítimo esperar por dias melhores.

Camisa 10 lidera rosário de lesões no Remo

A área de criação do Remo tem sido o setor mais implacavelmente castigado por contusões desde o ano passado. Jogadores importantíssimos para a armação ficaram ausentes por semanas sacrificando a equipe em momentos cruciais da Série B 2021. Felipe Gedoz, Matheus Oliveira e Erick Flores passavam mais tempo no DM do que jogando.

Nem bem 2022 começou e ambos (Flores e Gedoz) voltaram a frequentar o departamento médico, voltando a desfalcar a equipe no Parazão. Quando um ficava em condições, o outro saía de cena. Para a Série C, após liberar Gedoz, o clube foi atrás de um outro camisa 10.

Albano chegou e estreou marcando gol contra o Confiança, mas sofreu contusão logo na terceira partida, diante do Cruzeiro, pela Copa do Brasil. Está afastado há duas semanas e só deve voltar na 9ª rodada da Série C.

Carente no setor, o time passa a contar agora com Jean Patrick, que chegou ao clube há quase dois meses, mas inicialmente precisou se recuperar de uma lesão. Inscrito no BID, o camisa 10 pode finalmente estrear contra o Ypiranga, na próxima segunda-feira, 23.

Estrela de Pikachu brilha também na Libertadores

O Fortaleza bateu o Alianza Lima por 2 a 0, na noite de quarta-feira, na capital peruana, pela 5ª rodada da Copa Libertadores e se manteve vivo na luta pela classificação em seu grupo. O jogo foi especial para o tricolor cearense, que cravou sua primeira vitória fora do país disputando o torneio continental. E foi também uma noite de protagonismo do ala paraense Yago Pikachu, autor de um gol e uma assistência caprichada.

Com a camisa 22, Pikachu tem se revelado um dos jogadores mais importantes do Fortaleza na temporada. Sem guardar posição, à vontade no esquema do argentino Juan Pablo Vojvoda, ele cravou anteontem a sua 20ª participação em gols no ano – marcou 12 e deu 8 assistências.

O elogiado desempenho da temporada passada já foi igualado por ele, com 21 jogos a menos. No total, Pikachu cumula 40 participações em gols pelo Leão do Pici, ganhando dois títulos estaduais e uma Copa do Nordeste, na qual fez o gol do título, para variar. Por tudo isso, pode-se dizer que hoje o Fortaleza é Pikachu e mais 10.

Excesso de cartões atrapalha e preocupa Papão

Em plena preparação para dois compromissos em casa, que podem garantir a volta à zona de acesso na Série C, o PSC convive com uma preocupação à parte: o risco de perda de jogadores importantes por suspensão nas próximas rodadas. No momento, cinco atletas estão pendurados.

O atacante Marlon, o volante Mikael, o lateral esquerdo Patrick Brey e o zagueiro e capitão Genílson são os titulares ameaçados. O quinto com a corda no pescoço é Alessandro, reserva imediato no meio e ataque.

A recente ausência do meia José Aldo deixou o comando técnico ainda mais atento ao problema, que vem prejudicando a campanha do time neste início de Série C. A instabilidade do setor defensivo é a principal causa das seguidas advertências e punições aos jogadores bicolores.

José Aldo, por sinal, é quem mais levou cartões em toda a temporada – nove no total, média de um a cada dois jogos. Pelas próprias características, o meia tem participação intensa nas ações de meia-cancha, tanto na criação quanto na marcação, o que explica a alta taxa de cartões.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 20)