Leão derrota o líder do campeonato em jogo de golaços

Em partida equilibrada, na tarde deste domingo (15), no Baenão, o Remo derrotou por 3 a 1 o Mirassol (SP), líder da Série C e até então invicto no campeonato. O primeiro tempo teve momentos favoráveis ao time paulista, que ameaçou com Gleison e Negueba, mas foi o Leão que chegou ao gol nos minutos finais. Após escanteio, a bola sobrou para Leonan na entrada da área. Ele dominou com a esquerda e bateu de voleio com a direita. Um golaço.

O Remo começou melhor o segundo tempo, acelerando o jogo e criando boas situações no ataque. Aos 18 minutos, após rebote do goleiro Jefferson, Netto Norchang pegou de primeira e botou a bola na área de novo. Na esquerda, Bruno Alves dominou e cruzou. O zagueiro Daniel Felipe saltou mais que os defensores e desviou a bola para o fundo da rede.

Num cochilo da marcação, o Remo permitiu que o Mirassol descontasse aos 22′. Léo Duarte conseguiu cruzar junto à linha de fundo, Negueba raspou na bola e Everton Bala finalizou para as redes. Ele havia acabado de entrar na partida.

Mesmo pressionado pelo Mirassol, que buscava o empate todo custo, o Remo saía em contra-ataques levando muito perigo, principalmente com Ronald, que entrou na etapa final e infernizou a marcação. Paulinho Curuá quase marcou aos 31′ em grande arrancada. Aos 49′, Vanilson fez um golaço: fintou o volante Ivan na linha do meio-campo, avançou em velocidade e cortou Ivan novamente para bater rasteiro na saída do goleiro Jeferson.

Entre a crise e a oportunidade

POR GERSON NOGUEIRA

Depois de duas derrotas na semana, o Remo está diante do velho dilema: ou mergulha em crise ou abraça a oportunidade de se reabilitar no Brasileiro da Série C. De quebra, caso consiga superar o líder Mirassol hoje, ajudará o torcedor a esquecer mais rápido a frustração com o mau resultado diante do Cruzeiro na Copa do Brasil.

De maneira geral, o futebol tem essa vantagem em relação a outras atividades humanas: oferece sempre a chance da volta por cima, às vezes três dias depois de um mau passo, sendo que a vida nem sempre é tão prestimosa em dar essa colher de chá.

A dificuldade de jogar contra o melhor time da competição, funciona como um estímulo a mais para os azulinos. O Mirassol é o adversário perfeito para comprovar o valor da equipe e um triunfo recoloca o Remo no G8.

Para ter sucesso na partida, o Remo terá que se reinventar, principalmente a partir do setor de criação, que perdeu Albano por lesão contra o Cruzeiro. Foi a terceira apresentação do meia, que começava a se firmar e a contribuir para a organização do time.

A defesa segue com a dupla Marlon-Daniel Felipe, titular desde o começo da Série C, mas na lateral direita Bonamigo deve continuar improvisando o zagueiro Kevem.

Sem ele, o técnico Paulo Bonamigo deve escolher entre Erick Flores e Marciel, mas nenhuma das opções tem as características e habilidades que a função exige. Marciel, porém, daria mais segurança na marcação, se atuar ao lado de Anderson Uchoa e Paulinho Curuá.

O ataque terá o retorno de Rodrigo Pimpão e Netto, que não puderam ser utilizados na Copa do Brasil. No lado direito, Bruno Alves segue como principal alternativa, embora ainda não tenha reeditado as boas atuações do Campeonato Paraense.

Uma coisa é certa: se insistir no esquema retraído e sem transição ágil, o Remo vai passar aperreio. Pouco efetivo na construção de jogadas, fica excessivamente exposto a times que propõem jogo, exatamente o caso do Mirassol. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

Papão: desafio é manter a invencibilidade

Os cinco primeiros jogos do PSC no campeonato deixaram uma imagem positiva do time de Márcio Fernandes. Mesmo sofrendo com a ausência de titulares importantes – Ricardinho, Bileu, Danrlei –, a campanha é satisfatória. Melhor ainda: o estilo ofensivo conquistou a torcida. A invencibilidade é consequência desse desempenho.

Um aspecto a destacar é que, com exceção do tlético-CE, o PSC só enfrentou times que estão ou já frequentaram a primeira página da classificação – ABC, Mirassol, Ypiranga e Botafogo-SP.

O entrosamento alcançado será posto à prova hoje fora de casa, diante do São José-RS, sem o principal articulador do time. José Aldo, suspenso pelo terceiro cartão amarelo, será substituído por Serginho ou João Vieira.

Serginho é um meia-atacante, com infiltração na área e aproximação pelo lado esquerdo do ataque. João Vieira é armador como José Aldo, mas ainda não parece à vontade. Contra o Botafogo, foi uma peça destoante.

O ataque deve ter Robinho, Marcelo Toscano e Marlon. Foi com esse trio que o PSC realizou a maioria dos jogos. Robinho só ficou de fora por dois jogos em função de uma contusão. O veterano Pipico, trazido para o lugar de Henan, só deve estrear na oitava rodada.

Bola na Torre

A apresentação é de Guilherme Guerreiro, com participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. O programa começa às 21h30, na RBATV, mostrando os gols das partidas do fim de semana. A edição é de Lourdes Cézar.

SAF vira sonho e panaceia de torcedor apaixonado

A diretoria do Remo não levou a sério a proposta de compra do clube (via SAF) anunciada por supostos representantes de investidores árabes. A notícia embalou os sonhos de parte da torcida nos últimos dias, como se fosse oficial e concreta. Ainda não é. O presidente do Conselho Deliberativo, Milton Campos, ratificou a posição do presidente, Fábio Bentes, informando que não há oferta em análise.

Os recentes exemplos de Botafogo e Cruzeiro servem de estímulo aos que sonham com sucesso rápido, a partir de robusta injeção de recursos. Torcedores de todos os clubes vivem na expectativa da chegada de um milionário disposto a montar timaços do dia para a noite.

Como dizem os americanos, não há almoço grátis. O problema é que a divulgação do negócio começou da maneira errada, através da mídia. Os dirigentes ficaram sabendo através de jornais e sites.

O anúncio dos valores (cerca de R$ 210 milhões) impressionou, mas passagens confusas por clubes emergentes regionais (Bragantino e Ipiranga-AP) reforçaram a desconfiança entre conselheiros e dirigentes azulinos em relação aos interessados na compra.

A SAF é um caminho interessante, mesmo para um clube saneado e com gestão em ordem, como o Remo, mas é preciso haver responsabilidade na hora de mensurar condições, valores e variáveis. Acima de tudo, cabe avaliar histórico e prática dos proponentes do negócio.

Duro é explicar a um torcedor apaixonado, ávido por conquistas, os riscos embutidos no negócio. Quando o ex-presidente Amaro Klautau propagou a ideia fantasiosa de uma Arena do Leão, em 2010, o rebuliço foi grande e a coluna – única a questionar e apontar os furos do negócio – foi alvo de ataques furibundos. O tempo, como sempre, deixou as coisas em seus devidos lugares, mostrando com quem estava a razão.    

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 15)

Lateral do Corinthians é preso no Beira-Rio sob acusação de racismo

Rafael Ramos, lateral direito do Corinthians, foi preso em flagrante, hoje (14), depois de ser acusado de praticar racismo contra Edenilson, do Internacional. O jogador foi autuado e foi detido no posto policial do estádio Beira-Rio, palco do jogo válido pela sexta rodada do Campeonato Brasileiro. Logo depois da 0h, o Corinthians fez o pagamento da fiança, em espécie, e o atleta responderá em liberdade. O valor da fiança foi de R$ 10 mil. Aos 27 anos, Rafael Ramos chegou ao Corinthians neste ano. Ao UOL Esporte, o delegado Carlo Butarelli, da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, confirmou a detenção do jogador.

De acordo com a Polícia Civil, a prisão em flagrante ocorreu depois da queixa de Edenilson e do relato em súmula. O documento oficial da partida registrou da acusação de Edenilson e detalhou a conversa entre os jogadores durante os cinco minutos de paralisação do jogo. Dois agentes da polícia ingressaram no setor de vestiários do Beira-Rio logo depois da partida. O depoimento de Edenilson, no entanto, ocorreu mais de uma hora depois do apito final.

Nas redes sociais, o camisa 8 do Inter revelou que procurou Rafael Ramos para ouvir um pedido de desculpas, mas escutou negativa por parte do português e, aí, decidiu registrar Boletim de Ocorrência. Ainda de acordo com a polícia, com pagamento de fiança o jogador responderá pelo inquérito em liberdade.

Edenilson deixou o gramado em silêncio, assim como os demais jogadores do Inter. Jô, atacante do Corinthians, foi o único atleta a falar na saída de campo. O camisa 77 relatou que o camisa 8 acusou Rafael Ramos de racismo.

O elenco do Inter decidiu esperar Edenilson falar primeiro para, depois, se manifestar. Ainda assim, o goleiro Daniel confirmou que o meia levou o tema para o vestiário depois do jogo. “Ele (Edenilson) se manifestou, mas é coisa nossa. Vamos esperar as imagens e ver o que vai dar. Eu prefiro não comentar nada sobre isso”, disse o goleiro do Internacional.

Ex-presidente do Corinthians e atual diretor de futebol do clube, Roberto de Andrade falou com a imprensa sobre a acusação de racismo de Edenilson, do Internacional, contra o lateral Rafael Ramos, do Timão. “Acreditamos no que o Rafael disse. Ele repetiu as palavras que disse para o Edenílson. Ele pode ter entendido errado. Não vamos julgar ninguém antes das coisas serem esclarecidas. Nós fomos ao vestiário do Inter, e eles conversaram. Aparentemente, se entenderam”, reforçou o dirigente.

O lance em questão aconteceu aos 30 minutos do segundo tempo. O meia do Internacional mostrou irritação com o defensor do Corinthians, alegando que ele cometeu racismo o chamando de “macaco”. A partida ficou paralisada por cerca de cinco minutos.

O jogo deste sábado terminou empatado por 2 a 2, com o Corinthians buscando o empate em duas ocasiões. (Com informações do UOL)