Se Bolsonaro der o golpe, Lula, Ciro, STF, todos nós devemos salvar as eleições

Por Mario Sergio Conti (*)

Ciro Gomes disse há dias que “ou a sociedade e as lideranças políticas tomam providências já, ou chegaremos a um ponto sem retorno”. E mais: “É preciso que todos os candidatos, de todos os partidos, sentem imediatamente à mesa para denunciar isso publicamente”. Está certíssimo.

Sem fomentar desde agora um movimento nacional pela democracia, a Besta botará sua turba e suas tropas na praça. Há que se desmascarar o golpe que vem aí, óbvio. Mas denúncias viram berreiro estéril se não forem seguidas por ações firmes. E a Besta usa o bate-boca para perturbar.

Que Ciro, Lula, Doria, Tebet e demais candidatos sentem logo à mesa. Que digam num uníssono: se a Besta enlamear a eleição, chamaremos nossos eleitores para garantir o pleito e a posse do próximo presidente; muito nos separa, mas a vontade popular nos une.

Essa ação singela desanuviaria o ambiente. Evidenciaria que os democratas são maioria. Instaria os brasileiros a tomar nas mãos o seu destino. Acuaria a Besta. Que cada força política e social, que cada cidadão assuma sua responsabilidade. Aqui, mais onze ideias para barrar o golpe.

  1. Que os líderes das centrais sindicais se reúnam e proclamem: cada qual vota em quem achar melhor, mas se a Besta e seus capangas badernarem a eleição, entraremos em greve geral. Que formem de norte a sul, em todos os sindicatos, comitês de agitação antigolpe.
  2. Que os ministros do Supremo fechem a matraca. Em vez de perorarem vaidosamente, e ficarem de tititi com generalecos, que concluam os inquéritos sobre a Besta e suas crias. Processem-nos na forma da lei. Que falem alto nos autos. Altivez é isso. O resto é silêncio.
  3. Que reitores alertem professores e estudantes para o perigo premente de abusos. Que promovam marchas contra as badernas da Besta. Em São Paulo, que as caminhadas saiam das faculdades e se congreguem nas arcadas para uma vigília pelo voto.
  4. Que as comunidades virtuais organizem um Dia de Pane e Pânico no Planalto. Que o Palácio e as redes sociais da Besta sejam tomados por milhões de zaps e mensagens que gritem: “Tire as patas das urnas eletrônicas!”. Que milhões e milhões de memes medrem.
  5. Que os internautas lembrem que a eleição terá um fim real, e não virtual. As urnas eletrônicas estão para a democracia assim como as redes sociais estão para a política: são meios, não fins. Não há tela que substitua a presença das pessoas. Quanto mais corpos em ação, maior a sua força. Que a Besta refocile com sua laia na impostura do gabinete do ódio.
  6. Que padres leiam nas missas um trecho da última mensagem da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil: “Tentativas de ruptura da ordem institucional, hoje propagadas abertamente, buscam colocar em xeque a lisura do processo eleitoral e a conquista irrevogável do voto. É fundamental um compromisso autêntico com a verdade e o respeito aos resultados nas eleições”. Que outras Igrejas adotem escritura semelhante.
  7. Que a Academia Brasileira de Letras faça uma sessão para difundir um libelo por eleições iguais às de sempre, sem ingerências fardadas. Que artistas e intelectuais zelem em alto estilo pela soberania da nação votante. Que, “noblesse oblige”, todos os acadêmicos estejam de fardão. Pega bem.
  8. Que ninguém caia em provocações. Todas as ações devem mirar a persuasão de hesitantes e o engajamento no repúdio à quartelada milico-miliciana em gestação. Xingar e agredir é contraproducente porque provoca brigas, balbúrdia — e é exatamente isso que a Besta almeja. É ele o inimigo a ser peitado.
  9. Que os governadores democratas articulem um encontro nacional e se façam acompanhar pelos comandantes das PMs. Que apregoem aos quatro ventos: nada de quizumba nos nossos estados, porque a Polícia Militar assegurará a validade do voto, e nós estaremos à frente dela nas ruas. Foi o que Brizola fez em 1961, e assegurou a posse de João Goulart.
  10. Que os presidentes da Câmara e do Senado, em conjunto com banqueiros e chefes do agronegócio, com Temer, Datena e Romário — ops, deu ruim. Essa cáfila é caso perdido para qualquer causa que roce o bem comum. Embromam, empulham e no fim do dia estão sob a batuta da Besta.
  11. Que os colunistas da imprensa deem outras ideias para impedir o golpe. Que os leitores enviem sugestões à Redação para que as eleições sejam realizadas limpa e lisamente, e o candidato vencedor empalme o poder num 1º de janeiro de justiça e júbilo.

(*) Jornalista, é autor de “Notícias do Planalto”.

Walter Carvalho e “o cão dos infernos”

“Acho que a gente tem que se prevenir para uma atitude muito agressiva que pode vir a acontecer. Eu tenho a impressão que se continuar a perspectiva desse cão dos infernos que dirige o Brasil, se continuar a perspectiva dos seus desejos e das suas vontades, nós vamos ter uma guerra. (…) Não se pode enfrentar de forma tão arbitrária como ele faz com o Supremo Tribunal Federal. Não se pode atacar o STF como ele ataca. Como ele também ataca o Congresso e ataca a própria sociedade. Então, eu acho que a gente tem que estar muito organizado e prevenido”.

“Acho que vamos ter problemas para tirar esse “cão dos infernos” de onde ele está, por isso nunca foi tão importante o voto consciente nessas eleições. Hoje, nós temos de um lado, a coisa mais progressiva, mais humanista e uma visão com desejo de projeto social e do outro lado a irracionalidade fascista perdurando e isso me põe muito medo”.

“Eu acho que é um direito de cada pessoa escolher a sua posição política e ninguém é obrigado a nada, mas que pudesse ser escolhido uma coisa menos nociva que essa direita fascista. Tudo bem que você tem o direito de escolher, mas não dava para ser melhor? Eu sempre pergunto isso. Pergunto não só para as pessoas da classe artística, mas para todas as outras áreas. Eu conheço muito poucos na classe artísticas que apoiam esse “cão dos infernos”, mas a maioria é contra.

Walter Carvalho, diretor da novela Pantanal

“Não só voto no Lula como vou fazer campanha para ele”, diz cacique tucano

O ex-senador e ex-ministro Aloysio Nunes Ferreira, um dos principais caciques do PSDB, declarou voto no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais deste ano, e afirmou que o segundo turno da disputa entre o petista e o presidente Jair Bolsonaro (PL) “já começou”. Em entrevista ao Estadão, Aloysio Nunes rechaçou a formação de uma terceira via de oposição a Lula e a Bolsonaro, que tem como principal nome o ex-governador de São Paulo João Doria, pré-candidato de seu partido ao pleito.

“O segundo turno já começou e eu não só voto no Lula como vou fazer campanha para ele no primeiro turno. Não existe essa de terceira via, só existem duas: a da democracia e do fascismo. Se quisermos salvar o Brasil da tragédia de Bolsonaro, teremos de discutir o que vamos fazer juntos”, declarou.

Para o tucano, Doria não tem chances de emplacar sua candidatura ao Planalto e, inclusive, já foi rifado dentro do próprio partido. Diante desse cenário em que o país vivencia “uma situação catastrófica”, ele defende que seja criado um movimento em apoio à chapa formada por Lula e pelo ex-governador paulista, Geraldo Alckmin (PSB-SP).