Lula exalta legado petista e prega conciliação contra o totalitarismo ao lançar candidatura

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pregou o resgate da soberania nacional, defendeu a Petrobras e repisou falas em prol da criação de empregos e do combate à fome ao lançar neste sábado (7) sua pré-candidatura à Presidência da República em chapa com Geraldo Alckmin (PSB) de vice.

“O grave momento que o país atravessa, um dos mais graves da nossa história, nos obriga a superar eventuais divergências”, disse, diante de uma imagem da bandeira do Brasil. “Queremos unir os democratas de todas as origens e matizes […] para enfrentar e vencer a ameaça totalitária.”

O petista buscou se contrapor ao principal adversário na disputa, o presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmando que ele é autoritário e ataca a soberania, a democracia e as instituições. Acusou-o de mentir para esconder sua incompetência e de destruir o que foi conquistado nos anos do PT no governo. 

O evento começou por volta das 10h30 e reuniu lideranças políticas e apoiadores no Expo Center Norte, na Zona Norte de São Paulo. A expectativa era a de que Lula e Alckmin aparecessem juntos no palco para reforçar a imagem da nova aliança. Alckmin, no entanto, participou apenas de forma virtual, já que foi diagnosticado com Covid-19 na sexta-feira (6).

O discurso escolheu temas como inflação, miséria e desemprego para fustigar Bolsonaro e, em um momento de disparada dos preços de combustíveis e contestações à política de preços da Petrobras, defendeu a soberania energética e responsabilizou o atual governo pelo desmantelamento da empresa.

“O resultado desse desmonte é que somos autossuficientes em petróleo, mas pagamos por uma das gasolinas mais caras do mundo, cotada em dólar, enquanto os brasileiros recebem os seus salários em real”, disse o ex-presidente, que exaltou legados de sua gestão em várias áreas.

O plano, afirmou, é resgatar o receituário que mesclou “crescimento econômico com inclusão social” e voltar a ter protagonismo no cenário internacional, partindo do fortalecimento regional na América Latina e da estabilidade interna para atrair investimentos.

Foram ao menos 29 menções à ideia de soberania, com a observação de que ela não se limita à defesa do território e de fronteiras, mas abarca também áreas como infraestrutura e alimentação.

“Fui vítima de uma das maiores perseguições políticas e jurídicas da história deste país, […] mas não esperem de mim ressentimentos, mágoas ou desejos de vingança”, disse Lula em alusão às condenações que sofreu na Operação Lava Jato, hoje anuladas, e ao período na prisão.

O petista também falou em defesa do ambiente e da Amazônia, com a transição para um novo modelo de desenvolvimento sustentável, da distribuição de renda, dos investimentos em educação, saneamento e moradia, da retomada do consumo e do reconhecimento da cultura como setor importante.

“Precisamos de livros em vez de armas”, disse, em alfinetada às medidas de Bolsonaro em defesa do armamento da população e à perseguição a artistas, com a vilanização da Lei Rouanet. Afirmou que o governo foi irresponsável na pandemia de Covid-19 e elogiou o SUS (Sistema Único de Saúde).

O ex-presidente fez ainda sinalizações aos povos indígenas, às mulheres, aos negros e à população LGBTQIA+, parcelas do eleitorado em que Bolsonaro tem seus maiores índices de rejeição. (Com informações da Folha de S. Paulo)

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