Um segundo tempo impecável

POR GERSON NOGUEIRA

O jogo valeu pela atuação encaixada e caprichada do PSC na segunda etapa. Havia muita expectativa após dois jogos que o time teve que cumprir fora de Belém, por perda de mando. A ansiedade foi plenamente compensada. Depois de 1 a 1 no 1º tempo, a vitória foi construída na etapa final em apenas 10 minutos. Houve a coincidência feliz de gols relâmpagos, aos 2 e 3 minutos, mas é preciso ressaltar a competência e a frieza do time para aproveitar as oportunidades surgidas.

A goleada exprime bem o que foi a partida, principalmente pelo futebol objetivo e dinâmico do 2º tempo, mas a primeira parte também reservou momentos de emoção para o público que lotou a Curuzu no domingo à noite, celebrando o Dia das Mães.

Logo no segundo minuto de bola rolando, José Aldo aplicou um drible curto e cruzou na medida para o cabeceio de Mikael. A vitória se desenhava ali para alegria do torcedor, afinal nada mais empolgante do que começar o jogo com um gol logo de cara.

Nos minutos seguintes, o PSC perdeu a agressividade e se acomodou em campo. A presença de João Vieira ao lado de José Aldo não contribuía para a transição e o Botafogo-SP aos poucos foi crescendo e controlando a posse de bola. Por volta dos 20 minutos, o equilíbrio era total

O empate veio após um escanteio, mas a arbitragem apontou impedimento de Lucas Delgado. O PSC ameaçava de vez em quando, mas falhava nas finalizações. Até que, na reta final do primeiro tempo, após cobrança de falta, o paraense João Diogo aproveitou rebote e igualou o placar.

Sofrer o gol do Botafogo trouxe de volta a preocupação natural pelo retrospecto recente – o PSC havia empatado os três jogos anteriores. Só que a noite era alviceleste. A equipe voltou para a segunda etapa determinada a buscar o gol, e conseguiu isso bem cedo.

Antes de 1 minuto, Serginho aproveitou passe perfeito de José Aldo para fazer o segundo gol. A bola veio em direção a Marcelo Toscano, que errou o chute, mas o meia-atacante não desperdiçou. Dois minutos depois, Marlon cobrou falta com efeito e Serginho surgiu de novo no meio da zaga cabeceando para as redes.

A contundência do ataque intimidou o Botafogo, que não conseguia sair jogando de seu campo. Em consequência, logo aos 10 minutos, a goleada foi sacramenta. Um cruzamento da direita foi desviado pela defesa e a bola caiu nos pés de Marlon no bico da grande área. Ele dominou e mandou um chute perfeito, no ângulo, sem chances para o goleiro.

Com o placar definido, o jogo ficou menos interessante. O PSC não tinha mais nenhuma pressa e o Botafogo não tinha forças para reagir. Ainda surgiram boas chances de ampliar. Danrlei perdeu dois gols, Marlon outro, mas a festa da torcida já estava assegurada.

Foi a segunda goleada do Papão no campeonato. O time alcança a sexta posição na classificação, com o ataque mais positivo. Melhor ainda: com um jogo que parece se encaixar, principalmente quando Marlon, José Aldo, Serginho e Wesley estão em campo.  

Uma derrota na conta da omissão

Da mesma forma que perdeu para o Manaus, o Remo pode lamentar a derrota frente ao Brasil em Pelotas como um jogo que podia ter ganho. Mostrou que era possível vencer quando se dispôs a elaborar jogadas e a atacar com vontade. Pena que quando acordou e largou a omissão de lado, a partida já estava no 2º tempo.

Na primeira metade, o Remo foi completamente improdutivo. Saía aos trancos e barrancos, o meio-campo (com Uchoa, Erick Flores e Albano) não funcionava e o ataque se isolava sem criar perigo para a zaga gaúcha.

A apatia passou a dominar a equipe e, em sentido oposto, o Brasil se lançava ao jogo com apetite e vontade de chegar ao gol. Limitado, o Xavante errava nas tentativas, exagerando no jogo bruto. Mas, depois de muito insistir, acabou marcando seu gol, aos 33 minutos, em chute de Karl da entrada da área.

O Remo ainda se movimentou tentando reagir, mas não encontrava o caminho do ataque. Bruno Alves e Rodrigo Pimpão, inoperantes, foram teimosamente mantidos pelo técnico Paulo Bonamigo.

Só no intervalo veio a troca de Bruno por Fernandinho. O time melhorou no segundo tempo, passou a encaixar melhor as jogadas, mesmo com uma mudança confusa por parte de Bonamigo: tirou Kevem, que já tinha o amarelo, e colocou Lailson, que foi jogar pela esquerda, com Leonan deslocado para a lateral direita. O Remo perdia ali sua melhor opção de cruzamentos para Brenner.

Mesmo assim, seguiu imprensando o Brasil. Fernandinho teve duas chances. Uchoa quase acertou o ângulo do goleiro Vítor. Brenner esteve perto de empatar quando uma bola chutada por Lailson bateu em sua cabeça. Lailson ainda perdeu grande chance no minuto final.

Pesar da boa movimentação mostrada no tempo final, o Remo padeceu de problemas crônicos no jogo todo. O passe continua errático e a transição é confusa. Albano cresceu com o time nos 45 minutos finais, mas Flores custou a sair para a entrada de Marciel.

Pior foi a opção de botar Vanilson aberto na direita quando Ronald poderia ter sido lançado para explorar o cansaço do time da casa. Bonamigo segue preso a conceitos que só ele parece entender.

Um abraço de saudade no amigo Antônio José

O domingo dedicado às mães trouxe junto a notícia terrível da perda de Antônio José Soares, 71 anos, um amigo de tantas jornadas nas reportagens da vida. Trabalhamos juntos no DIÁRIO, ele na condição de repórter especial. Trabalhei sob o comando dele em A Província do Pará. Ficou a lembrança de um amigo leal e um papo sempre rico e divertido. Profundo conhecedor da história paraense, escreveu livros para o público infanto-juvenil. Fã de futebol, era um bicolor meio anárquico. Vai fazer falta.

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 09)

Ex-presidente do Sinjor-PA, Antônio José morre aos 68 anos

Morreu na madrugada deste domingo, 08, o jornalista paraense Antônio José Teixeira Soares, aos 68 anos, de causas não reveladas. Profissional experiente, com passagem por todas as redações de Belém, ele presidiu o Sindicato dos Jornalistas do Pará de 2 de agosto de 1993 a 20 de agosto de 1996. Era um jornalista respeitado, com serviços prestados à Província do Pará, onde chefiou a redação por muitos anos; a O Liberal, onde exerceu a chefia de reportagem; e ao Diário do Pará, onde trabalhou como repórter especial.
Além de ser correspondente do Jornal do Brasil no Pará nos anos 90, era escritor. Lançou dois livros sobre as regiões do Pará, voltados para o público infantil-juvenil. Nos últimos anos, enfrentava sequelas do diabetes, tendo tido as pernas amputadas. Passou um longo período sob depressão, após a perda de uma filha, em 2020.

Antônio José morreu na presença de sua filha mais velha, de sua cuidadora e de um profissional do Samu. Natural de Breves, na Ilha do Marajó, Antônio José dedicou grande parte de sua vida em defesa da valorização da cultura marajoara. Era o filho mais velho da professora Oneide Teixeira Soares e do servidor público municipal Antônio Soares Júnior. Aos 19 anos, saiu de Breves e se mudou para Belém, onde iniciou estudos para se formar em Jornalismo.

Foi assessor de diversas entidades públicas e privadas. Em face de sua morte, o Sindicato dos Jornalistas emitiu nota de pesar e solidariedade à família, aos amigos e colegas do jornalista. “O Sinjor-PA em nome dos jornalistas​​ paraenses lamenta essa perda”, diz o comunicado.

O velório acontece na capela Max Domini. O sepultamento está previsto para esta segunda-feira, 09, às 14h.

É hora de voltar a vencer

POR GERSON NOGUEIRA

Vencer o jogo desta noite, na Curuzu, vai recolocar o PSC no G8 da classificação e representará uma guinada dentro do campeonato. Os três empates consecutivos – ABC, Mirassol e Ypiranga, em casa – fizeram o time despencar para a 11ª posição, antes do início da quinta rodada. Reagir é fundamental, principalmente na fase inicial da competição.  

Situação curiosa a do PSC. Um dos invictos da Série C, caiu na armadilha da sequência de empates. Para superar o Botafogo de Ribeirão Preto, o Papão terá que mostrar mais qualidade do que mostrou no jogo com o Ypiranga, semana passada. A lentidão na saída para o ataque e a falta de pontaria dos homens de frente atrapalharam bastante a equipe.

O retorno de Wesley ao time titular é um alento. Com ele no meio-campo, José Aldo cresce naturalmente de rendimento e o ataque ganha um volante que sabe se aproximar da área e finalizar a gol. Não por acaso, é o artilheiro do Papão no campeonato, com dois gols. 

Acontece que o simples fato de um volante despontar como principal anotador da equipe revela uma anormalidade, levando em conta que o elenco conta com pelo menos oito atacantes de ofício.

O técnico Márcio Fernandes, que concordou a contragosto com a liberação de Henan (emprestado ao ABC), precisa encontrar soluções para que o ataque possa funcionar, permitindo que a equipe quebre o jejum de vitórias. O recém-chegado Marcelinho, ex-Londrina, deve entrar na partida, mas de cara o trio ofensivo deve ser Dioguinho-Toscano-Marlon.

O experiente Pipico, anunciado na quarta-feira, só deve estrear na próxima rodada. A despeito das ressalvas em relação à idade, a torcida alviceleste acalenta a esperança de que o antigo artilheiro dos tempos de Santa Cruz ressurja na Curuzu. A conferir.  

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda a atração a partir das 21h30, na tela da RBATV, com a participação da jornalista Andréia Espírito Santo e deste escriba baionense. Em debate, as rodadas das séries C e D. A edição é de Lourdes Cézar.

Brado indignado dos que sempre são descartados

Na coluna de sexta-feira, comentei as recentes decisões da diretoria do PSC, que voltou a dar prioridade a jogadores veteranos. Trouxe Pipico e Marcelinho após ter liberado Flávio e Victor Diniz. E foi justamente o meio-campista que rompeu o silêncio para desabafar contra a filosofia reinante na Curuzu. Só li verdades.

Emprestado ao Fortaleza, onde será utilizado no time B, o meia de 20 anos desmentiu a tese de que o negócio teria sido de comum acordo. Nas redes sociais, ele reclamou que os jogadores formados em casa são descartados em favor de “importados” de qualidade discutível.

“Vi gente chegar e sentar na janela e não ter nenhum compromisso com um clube tão grande como o Paysandu. Chegam, destroem tudo e vão embora e deixam toda sujeira para quem é mais fraco limpar. Fiquei muito tempo calado por uma promessa a um homem que nem está mais vivo e por amor ao clube”, disse Vitinho.

Aproveitou para citar outros atletas que foram igualmente descartados. “Desde o Leandro Carvalho, o Paysandu não vendeu mais nenhum fruto da própria Curuzu. Acham que é porque não tem mais Leandro Carvalho? Yago Pikachu? É o que mais tem no Pará, craques, moleques bons de bola”.

O lamento de Vitinho é plenamente justificável. É a atitude que muitos gostariam de tomar, mas não tiveram coragem ou oportunidade. O fato é que as palavras dele podem ser aplicadas aos dois grandes do Estado.

Mesmo no Remo, que aproveita melhor suas crias, há casos que desafiam a lógica. Ronald, destaque do time no Estadual, já não é nem reserva.

Mister Jesus mete o pé na jaca e perde a linha

A revelação de que Jorge Jesus está cavando o emprego de volta no comando técnico do Flamengo só surpreendeu os muito distraídos. Desde que treinou o time rubro-negro em 2019, ganhando praticamente tudo, o Mister se especializou em pegadinhas midiáticas e arroubos de grandeza.

A rigor, JJ só brilhou no futebol brasileiro. Teve todos os méritos na fabulosa campanha do Flamengo há três anos, mas mesmo ali vivia falando em sair para o futebol europeu. Sonhava com Barcelona e Real Madrid, embora nunca tenha sido sequer cogitado nesses clubes.

O papo que teve com Kléber Leite e Renato Maurício Prado, divulgado por este último, traduz bem a personalidade delirante de Jesus. Nem se ocupou em negar, prova maior de que deu mesmo as declarações.

Houve quem burramente criticasse RMP por noticiar, como se estivesse servindo de escada para o treinador português. Bobagem. Jornalista é jornalista em tempo integral e não pode brigar com a notícia.

O que impressiona mesmo é o gesto despudorado de um técnico que não precisaria apelar tão baixo para reaver o emprego. Até porque foi procurado insistentemente pelos diretores do Flamengo no começo do ano e deu uma monumental esnobada.

Agora, dispensado pelo Benfica após pífia campanha, lembrou que o Rio é maravilhoso e que entendeu que não há problema em deslegitimar o trabalho do compatriota Paulo Sousa. Podia ter sido mais ético e preservado a imagem de ídolo rubro-negro. Ficou feio. 

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 08)

Amigos fazem vaquinha para jornalista pagar R$ 310 mil a Gilmar Mendes

O grupo de amigos do jornalista Rubens Valente abriu uma campanha de arrecadação de dinheiro para ajudá-lo a pagar R$ 310 mil em indenização ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O repórter foi condenado por citar fatos da vida do ministro no livro Operação Banqueiro, que tem como personagem principal Daniel Dantas, preso em 2008 pela Operação Satiagraha da Polícia Federal.

Gilmar não é protagonista nem tema central do livro, mas alega que teve a honra atingida. A sentença, reformada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e confirmada pelo próprio STF, em fevereiro, está em fase de execução. O jornalista já pagou R$ 143 mil ao ministro e terá de desembolsar mais R$ 175 mil como devedor solidário caso a Geração Editorial, que publicou o livro, não arque com sua parte. O repórter não participou da organização da campanha, mas foi convencido por amigos a aceitar a realização da “vaquinha” em seu nome.

Lula exalta legado petista e prega conciliação contra o totalitarismo ao lançar candidatura

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pregou o resgate da soberania nacional, defendeu a Petrobras e repisou falas em prol da criação de empregos e do combate à fome ao lançar neste sábado (7) sua pré-candidatura à Presidência da República em chapa com Geraldo Alckmin (PSB) de vice.

“O grave momento que o país atravessa, um dos mais graves da nossa história, nos obriga a superar eventuais divergências”, disse, diante de uma imagem da bandeira do Brasil. “Queremos unir os democratas de todas as origens e matizes […] para enfrentar e vencer a ameaça totalitária.”

O petista buscou se contrapor ao principal adversário na disputa, o presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmando que ele é autoritário e ataca a soberania, a democracia e as instituições. Acusou-o de mentir para esconder sua incompetência e de destruir o que foi conquistado nos anos do PT no governo. 

O evento começou por volta das 10h30 e reuniu lideranças políticas e apoiadores no Expo Center Norte, na Zona Norte de São Paulo. A expectativa era a de que Lula e Alckmin aparecessem juntos no palco para reforçar a imagem da nova aliança. Alckmin, no entanto, participou apenas de forma virtual, já que foi diagnosticado com Covid-19 na sexta-feira (6).

O discurso escolheu temas como inflação, miséria e desemprego para fustigar Bolsonaro e, em um momento de disparada dos preços de combustíveis e contestações à política de preços da Petrobras, defendeu a soberania energética e responsabilizou o atual governo pelo desmantelamento da empresa.

“O resultado desse desmonte é que somos autossuficientes em petróleo, mas pagamos por uma das gasolinas mais caras do mundo, cotada em dólar, enquanto os brasileiros recebem os seus salários em real”, disse o ex-presidente, que exaltou legados de sua gestão em várias áreas.

O plano, afirmou, é resgatar o receituário que mesclou “crescimento econômico com inclusão social” e voltar a ter protagonismo no cenário internacional, partindo do fortalecimento regional na América Latina e da estabilidade interna para atrair investimentos.

Foram ao menos 29 menções à ideia de soberania, com a observação de que ela não se limita à defesa do território e de fronteiras, mas abarca também áreas como infraestrutura e alimentação.

“Fui vítima de uma das maiores perseguições políticas e jurídicas da história deste país, […] mas não esperem de mim ressentimentos, mágoas ou desejos de vingança”, disse Lula em alusão às condenações que sofreu na Operação Lava Jato, hoje anuladas, e ao período na prisão.

O petista também falou em defesa do ambiente e da Amazônia, com a transição para um novo modelo de desenvolvimento sustentável, da distribuição de renda, dos investimentos em educação, saneamento e moradia, da retomada do consumo e do reconhecimento da cultura como setor importante.

“Precisamos de livros em vez de armas”, disse, em alfinetada às medidas de Bolsonaro em defesa do armamento da população e à perseguição a artistas, com a vilanização da Lei Rouanet. Afirmou que o governo foi irresponsável na pandemia de Covid-19 e elogiou o SUS (Sistema Único de Saúde).

O ex-presidente fez ainda sinalizações aos povos indígenas, às mulheres, aos negros e à população LGBTQIA+, parcelas do eleitorado em que Bolsonaro tem seus maiores índices de rejeição. (Com informações da Folha de S. Paulo)