Time estampa Lula na capa: “O presidente mais popular do Brasil”

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato do PT ao Palácio do Planalto, estampa a capa da nova edição da Time, que será disponibilizada no dia 23 de maio. A revista norte-americana, uma das mais conhecidas do mundo, publicou nesta quarta-feira (4) a entrevista concedida pelo petista à repórter Ciara Nugent.

“O segundo ato de Lula: presidente mais popular do Brasil retorna do exílio político com a promessa de salvar a nação”, diz a chamada da reportagem.

A matéria diz que o ex-presidente, aos 76 anos, “esperava uma vida mais tranquila longe dos salões do poder”, mas que não hesitou em voltar à linha de frente da política. Na entrevista, ele afirma: “A política vive em cada célula do meu corpo, porque eu tenho uma causa. E nos 12 anos desde que deixei o cargo, vejo que todas as políticas que criei para beneficiar os pobres foram destruídas”.

“O sonho do Brasil que Lula perseguiu durante sua presidência de 2003 a 2010 está em frangalhos, diz ele. Por meio de programas sociais progressistas, pagos pelo boom de produtos brasileiros como aço, soja e petróleo, o governo Lula tirou milhões da pobreza e transformou a vida da maioria negra e da minoria indígena do país”, destaca a Time.

“Bolsonaro deu um golpe em tudo isso, descartando políticas que ampliavam o acesso de pessoas pobres à educação, limitavam a violência policial contra comunidades negras e protegiam terras indígenas e a floresta amazônica. A Covid-19 já matou pelo menos 660.000 brasileiros. Bolsonaro, que chamou o vírus de ‘gripezinha’, apelidou as pessoas que seguiam as orientações de isolamento de ‘idiotas’ e se recusaram a tomar uma vacina e a comprar doses para os brasileiros quando estivessem disponíveis”.

“Apenas olhe para o que eu fiz”

Lula promete, na conversa, que o Brasil “voltará a ser protagonista no cenário internacional”. Ao falar sobre os temores do mercado em relação à sua possível volta ao poder, ele diz:

“Sou o único candidato com quem as pessoas não devem se preocupar [com a política econômica]. Porque já fui presidente duas vezes. Não discutimos políticas econômicas antes de vencer as eleições. Primeiro, você tem que ganhar as eleições. Você tem que entender que em vez de perguntar o que vou fazer, apenas olhe para o que eu fiz”.

O petista também faz uma crítica à ONU, afirmando que é necessário renovar as instituições globais. “As Nações Unidas de hoje não representam mais nada. Os governos não levam a ONU a sério hoje, porque tomam decisões sem respeitá-la. Precisamos criar uma nova governança global”.

Sobre a guerra na Ucrânia, o brasileiro diz que os três líderes envolvidos no conflito têm culpa. “Os EUA têm muita influência política. E Biden poderia ter evitado [a guerra], não incitado. Ele poderia ter participado mais. Poderia ter tomado um avião para Moscou para conversar com Putin. Esse é o tipo de atitude que você espera de um líder”, declara.

“Vejo o presidente da Ucrânia falando na televisão, sendo aplaudido de pé por todos os parlamentares [europeus]. Esse cara é tão responsável quanto Putin pela guerra. Porque na guerra, não há apenas uma pessoa culpada”.

Na dança dos números

POR GERSON NOGUEIRA

O Brasileiro da Série C, que se revela complicado para os times paraenses até o momento, está longe de ser o campeonato duríssimo que se esperava. Quando se completou a lista de times disputantes, o bicho parecia mais feio. Não significa que as coisas não possam piorar, mas por enquanto a sensação é de que a montanha pariu um rato.

Ao contrário do que se observa na Série B, onde 10 equipes brigam ferrenhamente pelas quatro vagas do acesso, a Terceira Divisão tem até 14 clubes disputando a chance de subir para a Segunda Divisão.

Disputadas quatro rodadas, o quadro atual da classificação é um bom termômetro de avaliação. Disputadas quatro rodadas, os oito clubes que estariam na 2ª fase são: Mirassol (10), Floresta (10), Volta Redonda (7), Botafogo-SP (7), Campinense (7), ABC (7), Remo (7) e Manaus (7).

Logo abaixo, surgem Botafogo-PB (6), Ferroviário (6), Paysandu (6) e São José (5). Figueirense (5) e Vitória (3) também podem se engajar na briga. Apesar de ser ainda prematuro fazer projeções, é possível que, com uma ou outra inversão de posições, a disputa se concentre nesse grupo de times.

As diferenças técnicas evidenciadas nas primeiras rodadas expõem um desequilíbrio de forças que tende a favorecer equipes de maior investimento, donas de tradição e grandes torcidas – casos de ABC, Botafogo-PB, Remo, PSC, Vitória e Figueirense.

Por enquanto, a pontuação é muito ajustada, tanto que apenas Mirassol e Floresta se desgarraram ligeiramente. A tendência é que as distâncias entre os clubes se acentuem à medida que o torneio avança. É o tempo necessário para que os times sejam ajustados e os reforços comecem a se entrosar.

A dupla Re-Pa é um exemplo disso. As contratações continuam a acontecer na busca incessante por qualificação técnica. O Remo de Paulo Bonamigo, mesmo com sete reforços recentes (Vanilson, Albano, Netto, Jean Patrick, Fernandinho, Rodrigo Pimpão e Renan Castro), ainda pensa em contratar.

O PSC de Márcio Fernandes anunciou Esquerdinha (ex-Santa Cruz) ontem à noite e vai continuar buscando um volante e um centroavante.

A arrumação da casa continua para quase todos os times e, de maneira geral, deve prevalecer a máxima que o profissionalismo consagrou: ganha mais quem pode gastar mais. (Foto: John Wesley/Ascom PSC)

Liverpool avança e conhece adversário hoje

Tive a impressão de que o Liverpool estava doidinho para permitir a primeira grande zebra da década na Liga dos Campeões. Com um primeiro tempo sofrível, permitiu ao Villarreal cravar 2 a 0 e igualar o placar da semifinal. O segundo tempo recolocou a Terra em órbita e Fabinho, Luis Díaz e Mané garantiram a vitória categórica do time de Jurgen Klopp.

Apesar do susto, o feito é impressionante. O Liverpool chegou à décima final de sua história. Espera pelo vencedor de Real e Manchester City, que duelam hoje, em Madri. A grande final será no dia 28, em Paris.

Dois jogadores mostram, ao lado de Salah e Mané, a grandeza do time. O colombiano Díaz e o brasileiro Fabinho. Ambos fizeram gols, mas a movimentação que produzem é indiscutivelmente a grande contribuição para o super entrosado Liverpool.

Como sempre há quem sai chamuscado desses confrontos, a bola da vez foi o goleiro argentino Gerónimo Rulli, que tomou dois gols entre as pernas. O primeiro foi um clássico frangaço, em chute de Fabinho. Nada que diminua a grandeza do triunfo dos ingleses da terra dos Beatles.

Nossos índios, nossa responsabilidade

Enquanto a população Yanomami sofre as agruras da barbárie planejada, com extermínio de tribos e estupro de crianças, tudo bem debaixo do nosso nariz inerte, a grande mídia nacional só tem olhos para Mariupol, do outro lado do mundo.

E segue o baile.

Botafogo: fora de campo, só boas notícias

O time ainda capenga em campo à espera de maior entrosamento, mas do lado de fora as notícias têm sido sempre positivas, como há décadas não acontecia no Botafogo. O processo de reestruturação, que começou antes de o clube virar SAF, produz frutos. O balanço financeiro divulgado anteontem, referente a 2021, mostra que houve um superávit de R$ 78,4 milhões. A conta é simples: entrou muito mais dinheiro do que saiu dos cofres botafoguenses, apesar de um resultado final ainda deficitário.

O superávit virá da renegociação do passivo e tudo pode mudar para uma realidade ainda melhor com o faturamento advindo das arrecadações e patrocínios. Dois programas, regime centralizado de execuções e programa emergencial de retomada da área de eventos, chave para o superávit está na renegociação do passivo, concentram o enfrentamento às dívidas cível e trabalhista, problema que afundou o clube pelo acúmulo de pendências com ex-funcionários, jogadores, bancos e fornecedores.  

Que continue assim.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 04)