Para voltar aos eixos

POR GERSON NOGUEIRA

Mais do que um jogo importante pela Série C, Confiança x Remo, neste domingo à noite, em Aracaju (SE), é um reencontro com o passado recente do próprio Leão. Foi o empate com o time sergipano que carimbou o rebaixamento azulino na última rodada da Série B 2021. Não que a queda tenha sido causada apenas por aquele jogo – a campanha havia entrado em parafuso pelo menos 12 rodadas antes.

Ocorre que, na cabeça do torcedor remista, o Confiança personifica a traumática saída do Leão da Segunda Divisão nacional. Os times são outros, as circunstâncias também, mas o futebol tem o dom de reavivar lembranças e mexer em feridas não cicatrizadas.

Mesmo sem a importância decisiva do anterior, o confronto de hoje vale muito para o Remo. Com 4 pontos ganhos em três rodadas, os azulinos precisam reagir na competição para deixar a incômoda segunda página da classificação – é o 12º colocado.

É bem verdade que o adversário também vem mal das pernas, como também vinha na fatídica partida do ano passado. Por isso mesmo, os azulinos precisam botar as barbas de molho e dedicar muito empenho a uma partida que pode recolocar o time nos eixos.

Um reforço importante está à disposição de Paulo Bonamigo. Depois de ter sido regularizado, o meia-armador Albano pode ser uma novidade na escalação, embora o mais provável é que entre no decorrer da partida. Emprestado pelo Goiás, o jogador chega com a responsabilidade de ser o novo camisa 10 azulino.

Por outro lado, o técnico se vê mais uma vez obrigado a improvisar, agora na lateral direita, onde Kevem entra em função das ausências de Ricardo Luz e Rony, os especialistas da posição.

No ataque, nenhuma mudança. O trio titular segue imexível: Bruno Alves, Brenner e Rodrigo Pimpão. No meio, é provável que Erick Flores inicie a partida, após ter voltado a sentir lesão após o jogo com o Cruzeiro, pela Copa do Brasil. Se não puder entrar, joga Marciel.

Mais do que as peças que utiliza, Bonamigo precisa fazer com que o time readquira a força ofensiva que parecia ter alcançado na fase decisiva do Parazão. Os atacantes até têm feito sua parte e marcado gols, como contra o São José, mas o lado pouco criativo do time não permite que desfrutem de um número razoável de oportunidades em cada partida. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, na RBATV, a partir das 21h30, com a participação de Giuseppe Tommaso e Valmir Rodrigues. Em pauta, os jogos das séries C e D do Brasileiro. A edição é de Lourdes Cézar.

Leão crava uma sequência rara em mata-matas

Números do pesquisador Jorginho Neves mostram que, agregando todas as categorias do futebol de campo, de outubro do ano passado até hoje, o Remo venceu todos os 21 mata-matas dos quais participou. Uma façanha, considerando os riscos de confrontos eliminatórios.

Começou na Copa Verde. Venceu nas oitavas o Galvez por 9 a 0, depois passou pelo Manaus (1 a 1 e 3 a 0). Em seguida, superou o PSC nas semifinais (2 a 2 e 2 a 0) e derrotou o Vila Nova na série decisiva de penais do segundo jogo, por 4 a 2.

No Paraense sub-17, passou pelo Pinheirense nas quartas – 0 a 0 e 4 a 1 – e eliminou o Castanhal (2 a 2, 1 a 1 e 5 a 4 nos penais). Nas semifinais, derrotou o Caeté (2 a 1 e 5 a 1). Na decisão, venceu o PSC por 2 a 1 e 2 a 1.

Já no Paraense Feminino, ganhou do Pinheirense (2 a 1 e 4 a 0), da Esmac (2 a 1 e 4 a 2, penais) e do Gavião Kyikatejê, 6 a 1 e 3 a 0 (W.O.)

No Paraense sub-20, as vítimas foram o União Barbarense (1 a 1 e 3 a 0), Esmac (2 a 2 e 2 a 1), Castanhal (0 a 2, 3 a 1 e 5 a 4 nas penalidades) e Parauapebas (2 a 1 e 3 a 1).

No torneio Graciete Maués de futebol feminino, derrotou o Tiradentes (3 a 0) e o PSC (1 a 1 e 2 a 1 nas penalidades).

No Campeonato Paraense de Futebol, Caeté (1 a 1 e 4 a 0), Tuna (2 a 1, 0 a 1 e 4 a 2 nos penais) e PSC (3 a 0 e 1 a 3) foram os adversários superados.

Finalmente, pela primeira fase 1° fase da Copa do Brasil sub-17, o Leão despachou o CRB por 6 a 1 nos penais (1 a 1 no tempo normal).

O futebol não consegue enfrentar a intolerância

Por ser ambiente flexível e sem lei, o futebol tem sido palco para manifestações racistas e fascistas como há muito tempo não se via na América do Sul. Jogos válidos pela Libertadores e Copa Sul-Americana enfileiraram uma sequência horrenda de xingamentos e insultos de cunho discriminatória por parte de torcedores.

O problema se agravou tanto que até a normalmente alienada Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) parece a fim de tomar providências. O primeiro movimento é no sentido de fazer cumprir a norma da Fifa, que prevê a paralisação das partidas em caso de insultos comprovados. Resta saber se haverá coragem para punir, de fato.

Quando ocorrem atos contra times nacionais nos torneios sul-americanos, ofende-se o futebol brasileiro como um todo. Reclamamos, indignados, mas é preciso olhar para dentro de casa. A situação aqui não é diferente. Tem se repetido em jogos da Série B, como naquele Cruzeiro x Remo em que o atacante Jefferson foi insultado no estádio Independência.

Agora mesmo, o técnico Roger Machado, do Grêmio, foi agredido verbalmente e ouviu xingamentos à sua esposa e filha após a vitória do Grêmio sobre o Operário-PR, na 3ª rodada da Série B. Disse, revoltado, que nunca havia sofrido tamanha agressão em 30 anos de futebol. 

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 01)

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