Consequências da trapalhada

POR GERSON NOGUEIRA

A paralisação do Campeonato Estadual causada pelas denúncias do Paragominas contra Bragantino e Águia impacta diretamente na vida dos clubes que têm outras competições a disputar no semestre. Mesmo que a competição seja retomada na próxima semana, os jogos da 2ª fase só deverão ser marcados para o fim de semana seguinte, 19 e 20 de março.

Tudo porque Tuna e PSC jogam no meio da próxima semana pelo segundo giro da Copa do Brasil. Os tunantes enfrentam o Ceará, em Fortaleza, na terça-feira e o Papão encara o CSA, em Maceió, na quarta.

De maneira geral, todos os oito clubes que seguem na disputa ficaram prejudicados com a interrupção do Parazão. A parte mais séria é que os quatro clubes que serão eliminados na 2ª fase irão arcar com um mês a mais de salários devido a esse prolongamento de datas.

Em meio a isso, as trapalhadas administrativas que forçaram a paralisia geram consequências de natureza técnica. O PSC, que se prepara para o confronto com o CSA, deve entrar desgastado na primeira partida do primeiro mata-mata, contra o Tapajós.

Márcio Fernandes tenta ajustar um time que ainda não decolou no aspecto ofensivo. Apesar da boa pontuação (17), que garante a liderança geral na classificação do campeonato, os gols nasceram em grande parte de ações de volantes e zagueiros. Os atacantes tiveram baixa contribuição.

Henan e Marcelo Toscano são os mais contestados pela torcida. Ainda não marcaram no campeonato e o centroavante perdeu um pênalti contra o Independente. Dioguinho, com três gols, é o melhor anotador entre os atacantes, e nem é titular. Danrlei marcou um gol.

Encontrar um modelo para deixar Toscano mais à vontade é um dos desafios de Márcio. Reconhecidamente bom jogador, o atacante de 36 anos tem atuado em quase todos os jogos da temporada, mas não consegue se destacar, nem como construtor de jogadas e nem como finalizador.

Diante dos adiamentos de jogos, a agenda de treinos se altera e afeta os planos do Papão, que nem pode cogitar a ideia de lançar um time B no campeonato, pois a competição é vista como prioritária: o clube luta pelo tricampeonato e o 50º título estadual.

Dispensas põem em xeque planejamento do Remo

O anúncio da saída do atacante Veraldo, logo depois da liberação de Luan e Welthon, acentuou a impressão generalizada de que o planejamento do Remo para o começo da temporada – e as disputas do Campeonato Paraense e da Copa do Brasil – foi no mínimo atrapalhada.

Para quem contratou 15 atletas no início do ano, o Remo errou além do desejável. Além de desperdiçar um tempo precioso com apostas que não se consolidaram, houve hesitação na busca por boas opções de ataque.

Brenner e Bruno Alves foram as melhores aquisições e são, por justiça, titulares absolutos. Luan e Veraldo, indicações de Maicon Gaúcho e João Galvão, respectivamente, não encontraram espaço. Luan entrou em campo duas vezes, com pífio rendimento.

Veraldo entrou sempre como opção de segundo tempo. Teve boa movimentação contra o Bragantino, e ficou nisso. Atuou com a camisa do Remo por apenas 70 minutos, longe de representar uma alternativa confiável para o técnico Paulo Bonamigo.

Welthon foi o caso mais surpreendente, pois havia atuado bem nos minutos finais contra o Itupiranga. Sem merecer a confiança de Bonamigo, optou por pedir liberação e foi reforçar o Castanhal. O problema aqui não foi o jogador, mas quem o recomendou e não confiou que pudesse ser pelo menos um bom substituto para Brenner.

De todos os contratados, além de Brenner e Bruno Alves, só Everton Sena, Ricardo Luz, Leonan e Marco Antônio conquistaram a titularidade. Seguem como titulares do banco de reservas

Em meio à lambança, FPF homenageia interina

A FPF continua sem publicar edital explicitando o calendário eleitoral e nem convocou a assembleia geral. A eleição inicialmente marcada para 15 de março já foi adiada para abril, sem data definida. A indicação de Graciete Maués (presidente licenciada da Tuna) não foi suficiente para agilizar o processo. Desde dezembro a entidade está sem comando.

Não por coincidência, os problemas foram se acumulando ao longo do mandato-tampão de Graciete. Por erro no horário do ônibus que levaria as delegações de Amazônia e Itupiranga, a última rodada da fase de classificação do Parazão foi adiada por uma semana.

Depois, por omissão da federação, surgiu a novela envolvendo os jogadores Hatos (Bragantino) e Guga (Águia), motivo da suspensão do campeonato decretada na terça-feira (8) pelo presidente do TJD, Mário Célio Alves.

Em meio a esse turbilhão, a última coisa que a FPF precisava inventar era um torneio de louvação à presidente interina, com a justificava de homenagear o Dia Internacional da Mulher.

Através de suas redes sociais, a entidade anunciou a realização de um torneio feminino entre Esmac (time B), Clube do Remo, Paysandu, Tiradentes, Cabanos e Terra Alta. Os jogos serão realizados domingo, 13, a partir das 9h, no estádio do Souza.

Como se não houvesse amanhã, a FPF resolve promover um evento desnecessário, que soa como escárnio aos olhos do torcedor diante das lambanças administrativas que ameaçam o Parazão 2022.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 11)

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