Parazão vira zorra total

POR GERSON NOGUEIRA

O que é ruim sempre pode ficar pior. O Parazão mais chinfrim dos últimos anos periga nem chegar ao fim. Se chegar, será provavelmente decidido nas barras do tapetão. Decisão do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-PA), anunciada ontem pelo presidente Mário Célio Costa Alves Filho, empurra a competição para um mar de incertezas.

Devido à escalação do meia Hatos pelo Bragantino durante toda a primeira fase do campeonato, o TJD acatou notícia de infração apresentada pelo Paragominas denunciando a condição considerada irregular do atleta e suspendeu o Campeonato Estadual até o julgamento do mérito.

A princípio, o prejuízo está na possibilidade de o campeonato terminar em pleno andamento do Brasileiro da Série C, que começa a 10 de abril, atravancando datas e prejudicando PSC e Remo na competição.

O Paragominas, rebaixado à Segunda Divisão, entrou com liminar pedindo a paralisação da competição alegando que Hatos foi expulso em jogo de 2021, na Segunda Divisão do Paraense, quando ele defendia o Itupiranga.

Como o atleta estava de saída do Itupiranga, não foi notificado do julgamento no TJD e acabou condenado à revelia, pegando cinco jogos de suspensão. Como cumpriu uma partida, teria que cumprir mais quatro durante o Parazão deste ano, fato que não ocorreu.

Antes de assinar com o Bragantino, Hatos disputou a Série B do Paraense de 2021 pelo Cametá e atuou normalmente nos seis jogos. No estadual, defendendo o Braga, jogou em cinco partidas. Vale dizer que o clube consultou a FPF sobre a situação dos 20 jogadores de seu elenco e nada constava sobre Hatos.

Diante do pronunciamento do presidente do TJD, ontem, o Bragantino está pedindo a revisão da notícia de infração que originou a decisão. O julgamento do recurso vai acontecer na sexta-feira, 11. Vai pediu a nulidade da denúncia por um erro de origem.

O jogador foi suspenso pelo TJD porque não foi cientificado pelo Itupiranga, por isso não teve direito a plena defesa, princípio jurídico fundamental. Caso o tribunal entenda que o Bragantino tem razão, a notícia de infração cai por terra e a paralisação do Parazão perde validade.

Há, porém, um outro complicador. O Águia também foi denunciado pelo Paragominas. O atacante Guga foi suspenso após ser expulso quando defendia o Itupiranga em 2021. A presidência do TJD deve acatar a notícia de infração, como no caso envolvendo o Bragantino.

Caso adote a mesma linha de defesa do Tubarão, o Águia deverá pedir a revisão da denúncia utilizando a mesma argumentação: o jogador Guga foi julgado à revelia, pois não foi avisado pelo Itupiranga sobre o julgamento.

As coisas poderiam então ser inteiramente dirimidas até quarta-feira da semana que vem, levando em conta os prazos regimentais do tribunal, mas paira uma nova ameaça no ar. O Independente estaria com uma denúncia pronta para protocolar no TJD contra o Castanhal, alegando também irregularidade de um atleta.

Diante de um quadro tão movediço, é improvável que as datas normais do campeonato sejam cumpridas. Azar do futebol e do público, que é merecedor do respeito dos que fazem a principal competição do Estado.

Omissa, FPF complica e atrasa o campeonato

É verdade que a principal responsabilidade pela notificação aos jogadores Hatos e Guga era do Itupiranga, mas a Federação Paraense de Futebol também tem seu quinhão de culpa nesse latifúndio. É inconcebível que a entidade organizadora do campeonato não tenha um banco de dados atualizado sobre a situação geral dos atletas.

O papel da FPF vai além da elaboração da tabela de jogos e da escala de árbitros. Envolve a vistoria dos estádios, cujo estado geral dos gramados é precário, e a preocupação em conduzir a competição até o fim, sem percalços. Por incrível que pareça, foi justamente a omissão da entidade que causou o adiamento da oitava rodada.

A razão foi inusitada: a FPF esqueceu de consultar a tábua das marés e errou no horário do ônibus para transportar as delegações de Amazônia e Itupiranga até Outeiro. Com a maré baixa, o ônibus não teve como atravessar e o jogo teve que ser adiado, arrastando junto a rodada inteira.

Depois dessa barbeiragem, vem a informação sobre a omissão no caso dos atletas denunciados. É difícil acreditar que a FPF não soubesse da situação. E, se sabia, deveria ter providenciado uma solução imediata. Ocorre que a própria “casa do futebol” sofre de imobilismo após o fim do mandato do ex-presidente, Adelcio Torres.

A presidente interina, Graciete Maués, assumiu com a missão de convocar a eleição adiada de dezembro. Marcou para 15 de março, mas, sem pressa, já empurrou para abril. Não há dúvida: a FPF é hoje um barco à deriva e o Parazão (bancado pelo Estado) é grande vítima dessa balbúrdia. 

Um duelo à brasileira no gramado do Bernabéu

Real Madrid e PSG se enfrentam hoje, em Madri, e os olhos do planeta futebol estarão postos em Neymar e Vinícius Jr. Astro da Seleção, o camisa 10 do PSG faz uma temporada pouco produtiva, mas a Liga dos Campeões surge como grande esperança de redenção.

O jogo pelas oitavas de final é muito esperado pelas pretensões naturais dos clubes em relação ao título europeu. A dinheirama árabe que impulsiona o PSG só fará sentido no dia em que conquistar a taça do continente. No ano passado, o título quase veio. A aposta se renova para este ano.

2 comentários em “Parazão vira zorra total

  1. Meu Pai do Céu!
    A bagunça é maior do que eu pensava.
    O quadro componente da FPF, a meu ver, está lá só pelo salário. Durante o Bola na Torre eu comentei contra um deles, que está lá há não sei quantos anos. Pode ser que esse funcionário (a quem me referi) nada a tenha a ver com essa bagunça, mas longevos iguais a ele deve haver muitos outros, que estão lá para meras funções burocráticas, sem maiores compromissos. Ou seja, uma bagunça geral, a contar pelo tempo que a entidade está acéfala.

    Quanto às competições, malgrado a exiguidade de datas disponíveis, sou francamente a favor de um campeonato com pontos corridos, ida e volta; quem fizer mais pontos é o campeão e pronto. Haveria justiça e menos complicações. Nesse caso, tanto Bragantino quanto Águia e Castanhal, se de fato escalaram atleta de forma irregular, perderiam seus pontos, sem interferir na sequência da competição. Os demais, não envolvidos em irregularidade, seguiriam seu curso normal.
    Mas não.
    O resultado está aí: um campeonato do qual não se sabe quando vai terminar, se terminar. Aí, os clubes menos profissionais (e aí literalmente, igualmente a FPF) é que serão prejudicados com contratos terminados e prejuízos financeiros decorrentes. Nada disso ocorreria se houvesse um funcionário da FPF (bastava um) cuja função seria a de controlar esses casos.
    Não bastasse o caso dos estádios, em que o Navegantão só foi interditado porque o Paysandú (e não outro) solicitou.
    Pronto, falei.

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  2. O que pensam os patrocinadores desse PELADÃO – até hoje mudos, ao verem suas marcas associadas a esse festival de bagunças ??
    Não seria oportuno deixar de patrocinar clubes em dinheiro – quase sempre torrado nas contratações de jogadores sub-40, em final de carreira, e priorizar investimentos em infraestruturas dos estádios no interior do Estado, principalmente gramados (com drenagem técnica) e iluminação (LED), que atenda aos padrões CBF ?? Seria o mínimo para que se pretenda voltar a ter um campeonato estadual, e não um torneio metropolitano, que justifique usar a terminologia PARAZÃO !

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