A frase do dia

“Cada segundo gasto pela Globo para dramatizar a guerra na Ucrânia amplia a vergonha de se omitir diante de todos os massacres contra povos da África e do Oriente Médio – cometidos por quem a TV trata como vítima. A vida que importa para a mídia ocidental é só a branca e europeia”.

Tiago Barbosa, jornalista pós-graduado em História

Cenário de fortes emoções

POR GERSON NOGUEIRA

Para um campeonato disputado em ritmo tecnicamente modesto, nenhum jogo memorável e poucos destaques individuais, a rodada de amanhã (26) parece um ponto fora da curva com um cenário de fortes emoções quanto à definição de classificados e rebaixados. Somente PSC e Águia estão garantidos na próxima fase da competição. Os demais 10 clubes decidem posições no enfrentamento direto em campo – seis correm risco de degola.

Muito desse clima de insegurança vivido pelos times em busca de classificação foi provocado pela forma de disputa do Parazão. Por opção dos próprios clubes, criou-se um verdadeiro monstrengo, capaz de sacrificar clubes com maior pontuação, mas que deram o azar de estar em grupos mais equilibrados.

A forma de disputa parece simples: avançam ao mata-mata os dois melhores de cada grupo, além dos dois melhores terceiros das três chaves. Os dois times com as piores campanhas na classificação geral descem para a Segunda Divisão. O problema é que para classificar a definição é dentro do próprio grupo, o que abre espaço para disparates.

O Grupo A foi o primeiro a se definir, com o PSC disparando na frente e se garantindo por antecipação. Com 17 pontos e 81% de aproveitamento, assegurou a liderança geral da 1ª fase, fazendo jus à vantagem de decidir em casa as etapas seguintes. O Águia, de reação surpreendente nas últimas rodadas, também se classificou, com 11. Paragominas (6) e Amazônia (4), ameaçadíssimos de rebaixamento, complementam o grupo.

Os problemas do regulamento aparecem com clareza no Grupo C, onde o Caeté lidera com 13 pontos, mesma pontuação do Remo, 2º colocado. Em terceiro lugar, vem o Independente, com 11, seguido pelo Castanhal, com 10 pontos. No atual cenário, o Castanhal pode acabar eliminado com pontuação maior do que o primeiro colocado do Grupo B.

Tapajós e Tuna, ambos com 8 pontos, são os primeiros colocados do Grupo B. Bragantino (7) e Itupiranga (7), curiosamente, têm chances de classificação e de queda. É o grupo de desfecho mais imprevisível na rodada deste sábado. Todos estão no páreo.

O confronto Castanhal x PSC é um dos mais esperados, pois o Japiim precisa dos três pontos para se salvar, embora possa ficar de fora da próxima etapa mesmo que chegue aos 13 pontos. Para isso, basta que o Independente vença o Bragantino e que Caeté e Remo empatem na rodada.

Para essa partida, no Maximino Porpino, o PSC terá novamente um time mesclado, como ocorreu diante do Independente, na última quarta-feira. Com oito mudanças, o time de Márcio Fernandes manteve a regularidade, passando sem dificuldades e revelando uma nova opção para a lateral direita: Polegar, com arrancadas e dribles, foi o destaque da equipe.

O Castanhal precisa superar seu ponto fraco até agora: a irregularidade. Alternou vitórias e derrotas, sem conseguir consolidar um modelo de jogo, mesmo depois da chegada de Robson Melo e dos reforços Willian Fazendinha e Pecel.

VAR volta a influir em favor do Flamengo

A instituição VARmengo brilhou gloriosamente na quarta-feira. No clássico contra o Botafogo, o clube da Gávea foi novamente beneficiado pelo comportamento canhestro da arbitragem. Um pênalti acintoso em favor do Glorioso foi ignorado pelo árbitro de campo e pela cabine de vídeo. Uma falta criminosa sobre Chay também mereceu panos quentes por parte do soprador de apito e do VAR.

E, a bem da verdade, o Flamengo mereceu vencer até por um placar mais dilatado. Tanto na parte tática quanto no desempenho técnico, o time de Paulo Souza sobrou em campo e não precisava do apito amigo.

Leão inventa no meio e aposta em novo atacante

Os treinos que definiram o Remo para enfrentar o Águia, amanhã, no Baenão, indicam que o técnico Paulo Bonamigo será obrigado a improvisar no setor de meio-campo, visto que Felipe Gedoz e Erick Flores estão fora da partida. Anderson Uchoa, Pingo, Marco Antonio e Ronald devem ser escalados.

Apesar de ter utilizado Ronald em função dupla no Re-Pa, no meio e na ponta esquerda, Bonamigo passa do ponto ao projetar funções de criação ao único velocista do time. Seria mais lógico avançar Pingo para aproximação com a linha de ataque, deixando Uchoa e Marco Antonio (ou Paulinho Curuá) no meio.

Nessa hipótese, o ataque teria Bruno Alves, Brenner e Ronald. Opção tática mais ofensiva e condizente com a importância do jogo. O empate não é um resultado ruim, mas a vitória é fundamental na briga pela primeira posição no grupo e para tranquilizar o torcedor, ainda desconfiado com as possibilidades do time.

O desligamento de Welthon, única opção para substituir Brenner no ataque, chega em momento inadequado. Se o jogador não estava nos planos de Bonamigo, deveria ter sido liberado há mais tempo, permitindo a contratação de um outro centroavante.

Para compor o elenco, o Remo trouxe Raul, jovem atacante revelado pelo Cuiabá. É improvável que esteja em nível superior ao de Welthon, um atacante de força que teve poucas chances no Parazão. De qualquer maneira, a contratação de afogadilho acaba respaldando as críticas da torcida ao planejamento do clube para a temporada.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 25)