A várzea voltou, viva a várzea!

POR GERSON NOGUEIRA

É feio, arcaico, ridículo. A troca de notas enraivecidas entre as diretorias de PSC e Remo soam como prolongamento bizarro do Re-Pa do último domingo. Uma versão piorada do que se viu em campo. Irritados com o tratamento recebido no estádio da Curuzu, dirigentes do Leão criticaram os bicolores, cobrando mais profissionalismo e respeito.

Respeito é o que o Papão também exige em nota que desmente qualquer problema nos bastidores do Re-Pa. As versões são conflitantes. O Remo alega que seus jogadores foram obrigados a passar por entre a torcida antes e depois do clássico. Alegam que o executivo Fred Gomes teve a inacreditável atitude de chutar um dos membros da delegação.

Na longa nota publicada na segunda-feira (21), os azulinos criticam também a hostilidade exposta na forma de objetos atirados contra o ônibus e os jogadores. No repiquete, os bicolores informam que diretores do rival provocaram a torcida e que propagam mentiras.

Outra queixa remista diz respeito ao espaço que foi destinado à diretoria no estádio da Curuzu. Relatam ter ficado num cubículo, sendo obrigados a limitar a presença de diretores e colaboradores. O PSC diz se amparar em normas da CBF, que limitam a quantidade de visitantes.

Em contrapartida, informaram que no Re-Pa pela Copa Verde também foram encaminhados a um espaço diminuto, ficando ao lado de uma torcida organizada. O tiroteio parece longe de uma trégua, mas desde já é possível observar quem perde com a papagaiada.

Perdem todos, principalmente o fragilizado futebol do Pará, cujo campeonato estadual só se realiza por obra e graça do suporte financeiro oportunizado pelo governo do Estado. Sem a ajuda oficial, o torneio já teria sido extinto, tamanho é o imobilismo dos dirigentes e a inoperância da federação, que segue sem presidente eleito.

No fundo, o atual clima de várzea é coerente com a bagunça de um futebol que mal se sustenta de pé. Rivalidade pode ser saudável, desde que não escorregue para a baixaria. (Foto 1: reprodução da internet; foto 2: John Wesley/Ascom PSC)

John Textor, o Sassá Mutema do Glorioso

O Botafogo já incomodava muita gente mesmo quando era um clube falido e sem conquistas reluzentes nos últimos anos. Imagine agora, transformado em clube-empresa e sob controle do empresário americano John Textor. Bestificado, vejo aqui e ali manifestações inquietas de velhos rivais, alguns propondo até fair play financeiro para barrar a recuperação do Glorioso. Calma, muita calma nessa hora.

Por enquanto, Textor tem sido porta-voz de boas notícias. É improvável que seja sempre assim, mas o rol de novidades ainda está no começo. E o torcedor está encantado, com razão. A busca de um técnico estrangeiro – o português Luís Castro deve ser o escolhido – é o primeiro ato prática.

Óbvio que o acionista majoritário quer fazer do Botafogo um clube formador de jogadores para negociação com o mercado europeu. Castro viria com essa missão, experimentado que é na prática portuguesa de intermediar transações envolvendo atletas importados do Brasil.

As investidas sobre Cavani e Luiz Suárez também agitam o mercado da bola. A mídia paulista demonstra desconforto, especialmente porque Luís Castro optou pelo Botafogo ao invés do Corinthians. É, realmente os tempos estão mudados. Até o contido PVC subiu nas tamancas.

Só a perspectiva de ter (de novo) um time respeitado e em condições de brigar em pé de igualdade com os maiorais do futebol brasileiro – todos montados em recursos pouco justificados – é um alento e tanto para os botafoguenses. Deixem a gente curtir o momento.

Sobre Baião: “Lá onde o rio se parte em dois”

Reproduzo aqui o comentário de Lúcio Flávio a respeito do lançamento de “Lá onde o rio se parte em dois: memórias, patrimônio cultural e tombamento na cidade de Baião”, de Stéfano Paixão:

“É a sua (de Stéfano) dissertação de mestrado, transformada em livro. Pode servir de estímulo e inspiração a pessoas que, como ele, não realizam apenas uma pesquisa acadêmica. Stéfano é de Baião, com ascendentes vivendo no município há muitos anos.

Na sua pesquisa, ele não reuniu apenas dados dispersos de um acervo rico sobre Baião. Também reconstituiu a história da sua família e iluminou suas raízes pessoais, conforme ele declara em entrevista ao Diário do Pará, minha única referência sobre ele.

É, ao mesmo tempo, a recuperação das informações sobre um pedaço do Pará e um retorno proustiano à vida do autor, biógrafo e auto-biografado. Um convite a vencer a inércia para reconciliar a população nativa com a sua história”.

Baião agradece penhoradamente.

Janela roqueira: adeus ao pioneiro Mark Lanegan

Quem se emocionou com o vocal rústico e inconfundível que identificativa o Screaming Trees lá pelos idos de 1990 sabe o tamanho da perda. Mark Lanegan morreu ontem na Irlanda, aos 57 anos, de forma discreta como foi sua vida pós-grunge e com muita estrada a percorrer ainda.

Daqui dos rincões do Norte, deixo meu eterno agradecimento a esse roqueiro de estirpe, que jamais traiu a filosofia simplista do rock surgido em Seattle com Nirvana, Pearl Jam, Alice In Chains e outros. “Nearly lost You” e “All I Know” estão no setlist definitivo deste escriba de Baião. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 23)

3 comentários em “A várzea voltou, viva a várzea!

  1. A mídia esportiva e dirigentes e jogadores dos dois principais clubes participantes do campeonato paraense abriram o bocão com críticas aos estádios do interior, com certa razão. No entanto, esqueceram que os estádios da capital não são nenhum exemplo de adequação. Essas praças ultrapassadas nunca sofreram uma verdadeira modernização. Vivem de guaribadas aqui e ali. Não é preciso entrar em uma delas para ver e sentir isso. As imagens da TV já dão uma boa dimensão disso. Deixei de ir a esses estádios porque, nessa altura do campeonato (da vida), não dá pra encarar esse tipo de ambiente e ainda pagar por isso. Esse é o tipo de bate-boca onde todo mundo grita e ninguém tem razão. As praças modestas do interior apresentam um diferencial em dias de jogos: o público se comporta melhor. Que o Mangueirão reabra o mais rápido possível.

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