Papão manda no início, Leão equilibra depois e clássico termina empatado

O primeiro Re-Pa do Parazão terminou empatado. PSC e Remo fizeram um jogo de dois tempos bem diferentes, mas no final a igualdade prevaleceu, com o placar de 1 a 1. No estádio da Curuzu lotado pela torcida alviceleste, o time de Márcio Fernandes foi amplamente superior no primeiro tempo, mas não transformou em chances de gol o domínio do jogo.

No segundo tempo, o PSC recuou suas linhas e o Remo passou a atacar com mais perigo. Brenner, Marco Antonio e Ronald tiveram boas chances de marcar. Emoções de verdade, só no final da partida. Aos 43 minutos, após cobrança de escanteio, Brenner abriu o placar, desviando de cabeça. Três minutos depois, Dioguinho empatou, também de cabeça.

O empate manteve o PSC invicto e na primeira posição do Grupo A com 14 pontos, já classificado. O Remo, que também não perdeu no Estadual, caiu para a segunda posição do Grupo C, agora com os mesmos 13 pontos do Caeté, que leva a melhor em vitórias – 4 a 3. Os remistas avançam à próxima fase com um empate na próxima rodada.

Foi a 9ª partida de invencibilidade do Leão sobre o maior rival. O mini-tabu já dura um ano e cinco meses. (Foto: John Wesley/Ascom PSC)

A moça que não era louca

Por André Forastieri, no Forasta News

Quase nove da noite na redação do grande portal e começa o zumzum: viu o caso de estupro do Mackenzie? A polícia está lá na escola. Cinco alunos estupraram uma menina.
Parece que foram jogadores de rúgbi. São uns animais! O Mackenzie sempre teve esses trogloditas. Lembra do Comando de Caça aos Comunistas? Hei, aqui estão as fotos, um grupo feminista postou a denúncia na internet. Quer ver?
Quero, claro.
Os acusados parecem bem felizes. Fazem caretas pra câmera e sinal de positivo. A foto é em close, de peito pra cima, todos os peitos nus, quatro homens.
A segunda foto é de uma mulher nua, cabelo escuro, corpo jovem e bonito. Está deitada de bruços em uma cama desarrumada. A bunda, em primeiro plano, exibe marcas vermelhas de mãos.
É a semana em que o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) publicou uma pesquisa afirmando que 65% do povo brasileiro acha justificável o estupro, caso a mulher esteja usando roupas provocativas.
Uns dias depois, o IPEA soltou comunicado informando um erro tôsco, e baixou este número de 65% para 26%. O que transformou o Brasil instaneamente da bunker machista a paraíso liberal.
A barbeiragem causou a demissão de um diretor do IPEA. Antes, deu margem a mais uma cansativa catilinária sobre como nosso país é um lixo, como o brasileiro é um monstro etc.
Foi mais um show de indignação dos guardiões da flama politicamente correta, sempre alertas para qualquer desvio da ortodoxia da autovitimização. Cartazes pipocando no Facebook, “Eu não mereço ser estuprada”. Quando esse caso do “estupro do Mackenzie” apareceu, foi lenha na fogueira.

Um dia depois veio a surpresa, de calar a boca e cair o queixo. Dois repórteres do G1, Kleber Tomaz e Amanda Previdelli, localizaram e entrevistaram a moça. Ela tem 19 anos. Está fazendo intercâmbio fora do Brasil. Não quis se identificar, naturalmente. Mas falou bastante. E falou bonito:
“Não aconteceu estupro. Foi consentido sim. Eu gostaria que fosse investigado quem foi que vazou a foto, porque me constrangeu.”
“A minha opinião pessoal é que foi devido a essa campanha do Ipea, ‘Não mereço ser estuprada’. Esta pesquisa é pura manipulação política, para desviar a atenção do foco de outras coisas que estão acontecendo no país. Acho que as pessoas estão presumindo que qualquer coisa é estupro”.
Ela disse que foi procurada por um grupo feminista, que se mostrou preocupado com as fotos e levantou a possibilidade de abuso. “Descobriram meu e-mail pessoal, presumiram um monte de coisa, falaram que iam expulsar os meninos da faculdade, e eu não sabia o que estava acontecendo”.
“Falei com elas que foi extremamente machista elas presumirem que aquele tipo de foto era estupro. Normalmente o feminismo consiste em que a mulher possa fazer o que ela quer”.
Segundo o delegado que investigou o caso, a garota explicou que tinha um relacionamento com um dos rapazes. Foi ela mesma que sugeriu ao namorado experimentar sexo grupal. Não foi estupro, foi uma orgia. E pelos sorrisos dos rapazes na foto, bem divertida.
No depoimento, ela também disse que permitiu as fotos, mas não sua divulgação. Agora a investigação está limitada à questão da divulgação das fotos, “crime contra a honra e dignidade”, coisa que nunca dá em nada.
As declarações da moça, logo depois do anúncio da erro grosseiro na pesquisa do IPEA, foram um balde de água fria na fogueira da inquisição feminista-de-araque.
Toda penetração é estupro, diziam algumas pseudo-feministas dos anos 70, nos Estados Unidos. Susan Brownmiller garantia: “estupro é nada menos que um processo consciente de intimidação, pelo qual todos os homens mantêm todas as mulheres intimidadas.”
É esse tempo de trevas que alguns grupelhos brasileiros querem ressuscitar, em pleno século 21. Felizmente, estão restritos a boquejar inocuamente no Facebook. Felizmente, existem garotas de 19 anos que entendem o verdadeiro significado da palavra “feminismo”.
Uma colega, jornalista jovem e inteligente, deu a sentença: “essa mulher é louca”. Pois eu acho a mocinha admirável na sua articulação e determinação. Sei, Forasta, mas vai ser hipócrita lá longe, se fosse sua filha você não estava dizendo isso, né?
A única maneira de responder isso honestamente é invertendo os papéis. Digamos que a história fosse de um cara de 19 anos, que transou com cinco mulheres ao mesmo tempo. Alguém estaria chamando ele de louco? Não, estaria todo mundo batendo palmas pro garanhão, o moleque deve ser o bicho na cama…
Dizer que estupro é coisa de monstro é violentar a razão. É crime com causas claras, estatisticamente identificadas e facilmente combatíveis, se a sociedade assim decide. As razões que se repetem em todas as pesquisas sobre estupro, nos quatro cantos do planeta: miséria, violência, cultura patriarcal.
Meninos que crescem sem nada, levando porrada, e aprendendo que mulher é inferior ao homem, entendem que a força é ótima (talvez única) maneira de conquistar o que querem, inclusive sexo.
Sociedades mais igualitárias, educadas, pacíficas, tolerantes e desarmadas têm muito menos estupros que suas contrárias. Simples e complicado assim.
Justiça é distribuir direitos e deveres para todas as pessoas de maneira equânime. É mais um ideal do que uma realidade, sem dúvida. Mas implica o direito de cada um fazer o que bem entender com seu corpo. Seja homem ou mulher.
Palmas pra moça que transou como quis, com quem quis, e peitou a patrulha pseudo-feminista. Tô contigo, minha filha e não és louca não. Agora, você é doida de deixar tirarem foto – pô, é a regra número um do mundo digital, nunca deixe alguém tirar sua foto sem roupa! Onde tavas com a cabeça, menina?

_______________________________________________

(Esse texto acima é de 2014. O feminismo ultra-radical, anti-homem, é bem mais popular no Brasil hoje que então.
Muitas de nossas jovens bem-nascidas têm certeza de que existe um “patriarcado”, uma conspiração opressora de homens brancos abonados e influentes.
Colaborei um pouco. Foi nossa editora, a Conrad, que publicou a primeira edição brasileira de “Scum Manifesto”. É o maior clássico do feminismo militante, escrito por Valerie Solanas, criminosa e louca. A gente se orgulhava de publicar na Conrad livros que ninguém mais publicaria…
O Brasil de 2022 é ainda mais injusto e violento com as mulheres que o de oito anos atrás. Com os homens também. Não por culpa das feministas, com certeza. Nem as de verdade, nem as de araque.
O Brasil de hoje também é menos livre que em 2014. Uma das razões são os julgamentos instantâneos e definitivos das redes sociais.
Se o caso acima acontecesse hoje, os cinco caras teriam suas identidades reveladas e achincalhadas em minutos. E tenho dúvidas se em situação semelhante, em 2022, uma garota seria tão honesta e transparente.
Espero que sim. E espero que a feminista que pegou os cinco caras, lá em 2014, esteja bem, onde estiver. Aliás: aposto que está.)

NOW YOU DON´T
Continuo tão distante quanto possível das redes sociais. Muito trabalho – e muito trabalho novo. Também muita leitura. E há que mexer o esqueleto, esticar as canelas e alongar e suar e espreguiçar, que ninguém aqui tá ficando mais jovem.
Astúcia, silêncio e exílio, já pregava o tal de James Joyce.
Hei, assine e divulgue as newsletters!
HOMEWORK: inspiração e soluções para o novo mundo do trabalho.
FORASTA NEWS: todo sábado, uma surpresa.
Se quiser falar comigo: forasta@andreforastieri.com.br.
Bjs!

Re-Pa pode apontar caminhos

POR GERSON NOGUEIRA

O clássico inicial do Campeonato Estadual funciona como um divisor de águas na preparação dos times para a temporada. O jogo deste domingo repete essa lógica, colocando frente a frente times invictos, mas ainda em construção, embora o PSC desponte com uma campanha repleta de números positivos.  

Como reza a tradição, não há favoritismo explícito, mas pode-se dizer que há uma óbvia diferença de expectativas. O PSC, embalado pelo bom desempenho, é puro entusiasmo e otimismo. O Remo, em busca do melhor ajuste, chega ao jogo açoitado por cobranças e críticas.

Paulo Bonamigo, que dirigiu o Leão no Parazão 2021, sofre os efeitos dessa pressão. Experiente, sabe que o clássico mede o potencial dos rivais não apenas em relação à competição regional, mas também representa uma projeção para o Campeonato Brasileiro da Série C.

Bonamigo certamente não ignora os riscos que um revés pode representar para a continuidade do trabalho. São inúmeros os casos de profissionais despachados após o primeiro Re-Pa do ano, um embate que não decide nada, mas que pode provocar grandes abalos.

No front bicolor, surfando no momento auspicioso da equipe, Márcio Fernandes vive uma realidade diferente. Os números do time – melhor ataque, melhor defesa e com classificação antecipada – fazem com que o trabalho seja avaliado de forma bastante positiva.

Sob esse aspecto, Márcio desfruta de mais tranquilidade. Conta, ainda, com peças individuais que respondem bem quando o coletivo deixa a desejar. O único ponto de interrogação diz respeito à qualidade técnica dos adversários que o time enfrentou até agora.

O fato é que, assim como o rival, o PSC ainda não foi suficientemente testado e escapou, por enquanto, das batalhas incruentas nos campos enlameados do interior – fará seu primeiro jogo fora de Belém na próxima quinta-feira, 24, contra o Independente, em Parauapebas.

Por tudo isso, o Re-Pa deste domingo tem um importante caráter de teste. Vai permitir fazer uma avaliação do real poderio de cada equipe e saber se o planejamento para o Brasileiro está no rumo certo. Não é pouca coisa.

Números que espelham a pujança do clássico

Apontamentos do pesquisador Jorginho Neves confirmam que o Re-Pa é o clássico mais disputado do futebol mundial: 801 jogos, com 278 vitórias do Remo, 249 do PSC e 273 empates. Vantagem azulina de 29 vitórias, com 10 gols a mais (1.016 contra 1.006). Há um jogo sem registro de placar.

No estádio da Curuzu, foram disputados 237 clássicos, com 85 vitórias bicolores, 77 empates e 75 vitórias remistas.

Os técnicos têm números diferentes. Paulo Bonamigo participou de 12 clássicos – ganhou seis, perdeu dois e empatou quatro. Márcio Fernandes esteve em três clássicos, dirigindo o Remo, com dois empates e uma derrota. Como jogador do PSC, em 1981, venceu duas: 3 a 1 e 1 a 0.

Na Curuzu, a última vitória do Papão sobre o Leão está completando 21 anos. Foi na Série B 2001, por 3 a 1.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa, a partir das 22h, na RBATV, com a participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, a sétima rodada do Parazão, com destaque para o clássico Re-Pa. A edição é de Lourdes Cézar.

Ideia tortuosa quase deixou o Remo sem estádio

Sobre a coluna de sexta-feira (18), que tratou do aluguel do Carrossel, o grande benemérito azulino Ronaldo Passarinho revisita o episódio da tentativa de venda do Baenão pelo então presidente Amaro Klautau, em 2010. Ronaldo, diga-se, teve papel exponencial no combate à desastrosa proposta, que quase deixou o Remo sem estádio.

“A análise da coluna sobre o Carrossel demonstra quão árdua foi a luta para impedir a venda do Baenão, que começaria com a cessão da área para uma firma de Belém. Foram dois frontes de batalha: o primeiro na Justiça do Trabalho com o Carrossel já com data marcada para o leilão; o segundo, na imensa maioria do Condel, à época. Jones Tavares e Arthur Carepa foram os primeiros que votaram contra.

Outros, como Domingos Sávio, Ubirajara Salgado, Benedito Wilson, Licínio Carvalho e eu, dentre outros, depois de uma intensa negociação com a JT, passamos a combater a ‘venda’, no Condel.

Ressalto a decisiva, justa e impecável atuação da magistrada Ida Selene Braga, juíza da 13ª Vara, hoje brilhante desembargadora, que aplicou um sistema de pagamentos do nosso monstruoso débito, sem correção monetária, sem qualquer espécie de bloqueio de rendas, inclusive, de patrocínios. O Remo, em três anos, liquidou quase 100 processos. A dívida remanescente, toda equacionada. Tenho todos os documentos.

É necessário salientar que quem desistiu da ‘transação’ foi a firma ao não comparecer a um encontro na JT. Tem muita coisa ainda não revelada.

Depois, já, creio, em 2016, com o Remo em situação de penúria, com novos débitos estratosféricos, uma comissão formada por Domingos Sávio, Milton Campos, Ângelo Carrascosa e Manoel Ribeiro, em reuniões com a JT, conseguiu evitar a venda dos nossos patrimônios. Pelo descrédito do Remo na JT, o único acordo possível foi o bloqueio das rendas oriundas do Estado, Banpará e das quotas da Copa do Brasil.

Na imprensa, você, Gerson Nogueira, foi o único na minha época que ‘comprou’ a briga, convencido que a nossa solução era a melhor. Abração”.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 20)

Ex-CEO da Dior no Brasil luta por eleição de Lula no 1º turno

Uma das vozes mais ativas da alta sociedade nos protestos contra a corrupção durante o governdo de Dilma Rousseff e no apoio à operação Lava Jato, a empresária Rosângela Lyra, ex-CEO da Dior no Brasil, surpreendeu os amigos ao empunhar uma bandeira impensável há alguns anos: a vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas Eleições de 2022.

Para ela, trata-se da única opção de evitar o que entende ser uma campanha traumática no segundo turno contra Jair Bolsonaro (PL). Ao lado do senador Randolfe Rodrigues e do ex-senador Cristovam Buarque, que também já engrossaram o coro dos protestos contra a corrupção revelada nos governos petistas, ela assina hoje um manifesto que defende a eleição de Lula em primeiro turno.

Notória eleitora do PSDB no passado, Rosângela já fez campanha para Geraldo Alckmin (hoje cotado para vice do petista) e agora pretende repetir a dose mobilizando as mais altas rodas da sociedade para quebrar as conhecidas resistências a Lula.

Leia a entrevista:

Por que a senhora decidiu apoiar o Lula? Primeiro é porque ele tem condições de ganhar do Bolsonaro no primeiro turno. Em segundo lugar, eu acredito que, mesmo recebendo o país em frangalhos, em um contexto econômico e social diferente de quando ele assumiu após o FHC, ele fará uma ótima gestão, com a experiência e inteligência que ele tem e evitando os erros que foram cometidos no passado.

Os escândalos do petrolão e do mensalão não são um constrangimento? Eu sempre fui crítica aos erros do PT. Mas se você pensar que entre partidos grandes e médios, o PT foi o que teve menos políticos indiciados, investigados e presos. É diferente dos clichês que as pessoas falam por falta de conhecimento político e também por certa antipatia às pautas da esquerda.

Quais clichês? Dizem que o PT é o partido que “mais roubou”. Mas para falar em “mais” é preciso comparar com outros e a gente não tem essa comparação. Nem o Lula é ladrão. A Lava Jato foi tão fundo, conseguiu resgatar tantas somas no Brasil e no exterior, então cadê o dinheiro na conta do Lula? Esses clichês só mostram que as pessoas falam sem nenhum embasamento.

Não vê chances na terceira via? De uma forma geral há bons nomes, como o da Simone Tebet, João Doria, Eduardo Leite e o próprio Alessandro Vieira, que eu gosto bastante. Mas nenhum deles eu vejo com possibilidade de conseguir ultrapassar o Bolsonaro. Eu sempre falo para quem tem muita ojeriza ao Lula, que fica com estes chavões, que se algum destes nomes tiver chance de ir para um segundo turno, para votar nele. Mas se não tiver, pelo amor de Deus, não vamos deixar por que o período entre o primeiro e segundo turno pode ser muito traumático.

A senhora sempre foi apoiadora do PSDB. O que a convenceu votar no petista agora? Nunca é da noite para o dia. É um processo. Eu era muito próxima ao Deltan [Dallagnol, ex-procurador do MPF] e ajudei bastante na campanha da Lava Jato, mas me afastei quando eu percebi que estavam forçando a barra para prender o Lula. No meu ponto de vista, eles foram pressionados pelas ruas e pelas redes sociais que diziam “não adianta prender todo mundo se o chefe da quadrilha está solto”. Nesse momento eu me afastei, vi que não estava legal e comecei a repensar algumas coisas. Fui percebendo que o PT não era aquilo tudo que tinham desenhado de ruim. O Bolsonaro também faz a gente querer ser diferente do que ele é e representa. Então a gente começa a olhar com outros olhos pautas como a do meio ambiente, de respeito às minorias, tão desprezadas e maltratadas por essa gestão.

As suspeitas de parcialidade da Lava Jato reveladas palos diálogos dos procuradores abalou a sua confiança na operação? Minha confiança já estava abalada desde muito antes da “vaza jato”. Eu falava pro Deltan que estavam forçando a mão, estavam errando. Era uma intuição e percepção de quem estava próxima a eles, mas sem perder o bom senso e a humanidade. Quando vieram os diálogos, só confirmou.

Acha que o ex-juiz Sergio Moro fez bem em entrar para a política? O Moro morreu para mim quando ele aceitou entrar no governo Bolsonaro.

Qual foi a reação dos seus amigos ao seu posicionamento? Eu já tinha diminuído uma parte das amizades com quem votou no Bolsonaro e continuou apoiando. Porque quem votou nele e viu que não era uma coisa boa, tudo bem. Mas votar e continuar defendendo, com tudo o que está acontecendo, é difícil continuar uma amizade. Então aí já houve uma seleção natural. Mas ainda tenho amigos que ficam com esses clichês de que o PT institucionalizou a corrupção — a corrupção está no mundo há anos, existe na França e na Alemanha, por exemplo. São os que dizem “nem Lula, nem Bolsonaro”. Uma coisa que me irrita é colocar os dois no mesmo patamar. Um é um tirano, o outro é um democrata.

A senhora está disposta a convencê-los a votar no Lula? Eu vou dar o meu melhor para que as pessoas entendam o risco que é Bolsonaro ir para o segundo turno, que vamos ter um período muito difícil. Não merecemos isso, não podemos correr esse risco. Vou explicar que acompanho política há alguns anos, nunca fui filiada a nenhum partido, mas que tenho um pouco de conhecimento para convidá-las a esta reflexão. Se a terceira via tiver condições de ir pro segundo turno, vota na terceira via. Se não, não vamos deixar ir para o segundo turno.

Como foi a aproximação com este grupo que defende a vitória do Lula em primeiro turno? Eu conhecia o senador Randolfe Rodrigues desde que eu criei o Política Viva, em 2013, para aproximar os políticos da sociedade e que também tem a participação do Cristovam [Buarque, ex-senador e ex-governador do DF]. Há algumas semanas o Randolfe me convidou para integrar o comitê-executivo, quando já tinham visto que eu estava declarando apoio ao Lula. Ele achou que eu poderia gostar da ideia e o que era para ser um manifesto virou um movimento.

A possibilidade de Alckmin ser vice do Lula contribui para isso? As pessoas sempre me perguntam isso, mas não tem nada a ver. Era uma decisão que já estava tomada independentemente de o Alckmin ser vice do Lula ou não.

Como a senhora se vê num eventual governo petista? Vamos continuar críticos aos erros que a gente vier a presenciar. Ninguém vai passar pano ou dar cheque em branco. Não somos petistas. Nunca fui filiada a nenhum partido político nem tenho interesse em contratos com o governo. Essa liberdade pra mim não tem preço.

(Publicada na revista Veja)

A verdade, os fatos e o bom combate!

Por Cristina Serra

Como alguns de vocês sabem, sou candidata à presidência da centenária ABI (Associação Brasileira de Imprensa), tendo como vice a querida Helena Chagas. As eleições serão no fim de abril.

O que poucos sabem, e conto agora, é que desde o anúncio da nossa cabeça de chapa, tenho sido alvo de uma campanha de linchamento moral, dentro da mais pura metodologia bolsonarista: a covardia das fake news nos grupos de zap.

Causa perplexidade perceber que uma parte de jornalistas, pequena é verdade, aprendeu e utiliza tais métodos. Diversos amigos me enviam, dia sim, outro também, textos e edições de vídeo a meu respeito, que recebem nos grupos de zap. São deturpações, distorções ou simplesmente mentiras a meu respeito. A tentativa é de me desqualificar perante amigos e colegas jornalistas, muitos deles eleitores da ABI.
Para essa gente, eu virei representante do mercado financeiro, das organizações Globo, do golpe de 2016, entre outros absurdos.

Covardia e canalhice, não há outro nome. E olha que isso parte de gente que eu conheço. Com alguns, até outro dia, mantinha relações cordiais. De repente, apenas por estar associada a uma chapa diferente (há duas em disputa), passaram a aplicar contra mim a estratégia do ódio e do linchamento moral. A coisa chegou a tal ponto que estou consultando advogados para estudar medidas legais cabíveis.

A essa altura, deveríamos estar debatendo propostas para o futuro da ABI (em dificílima situação financeira e material), para a defesa dos jornalistas atacados quase que diariamente nas ruas e para os rumos do jornalismo e da comunicação no Brasil, especialmente neste momento gravíssimo da nossa história. Mais do que isso, temos que debater formas de combate ao fascismo e seus métodos.

Há dois anos, opino livremente na Folha de São Paulo, duas vezes por semana, sobre os temas importantes do país. Ali estão ideias e posicionamentos públicos sobre a realidade nacional. Aceito o debate sobre qualquer tema, límpido e transparente e dentro de regras mínimas de civilidade. Mas fora do submundo digital.

A essa gente não devo explicações sobre minha vida pessoal e minha história profissional: limpa, correta, com muito trabalho e sempre do lado certo da história. Não vou descer ao mesmo esgoto dos covardes. A verdade é que o bolsonarismo contaminou a sociedade de tal forma que suas práticas alcançaram os mais diversos setores.

Mas aqui estou, de coração aberto e espírito desarmado, para o bom combate. Em frente!