Contusão de Ricardinho causa preocupação no Papão para o clássico de domingo

Ricardinho vira dúvida no Paysandu para o clássico Re-Pa — Foto: John Wesley/Ascom Paysandu

A vitória tranquila sobre o Itupiranga foi muito comemorada pelos bicolores e valorizada pelo técnico Márcio Fernandes, que destacou a atuação da equipe, que mostrou objetividade e foco para conquistar a goleada. “Nós tivemos mais tranquilidade para finalizar. Conversamos com o time no vestiário, estávamos fazendo a nossa melhor partida no campeonato. Acredito que em todas as partidas temos criado bastante e estamos evoluindo a cada jogo, nos dando confiança, mas precisávamos ter mais tranquilidade para poder finalizar”.

Apesar de satisfeito com a vitória, o técnico mostra preocupação para o clássico Re-Pa do próximo domingo. No segundo tempo, após marcar o terceiro gol do Papão, o meia Ricardinho (36 anos) sentiu dores e deixou a partida. O jogador é o principal destaque individual do time e um dos destaques deste início de Parazão.

“Tivemos algumas baixas hoje. Ricardinho sentiu uma contusão, nos preocupa. Vamos ter uma recuperação, conversar com o departamento médico. O Henan está melhorando bastante, o Bileu também. Já estão treinando. Talvez tenhamos esses jogadores à disposição. Se tivermos, vamos ter um leque maior de opções”, disse Márcio Fernandes.

Além de Ricardinho, o atacante Marcelo Toscano também saiu com dores, mas não chega a preocupar. As substituições no lado bicolor foram feitas antes dos 25 minutos do segundo tempo, o que teria afetado o desempenho da equipe na reta final do jogo. O elenco do PSC se reapresenta na tarde desta quinta-feira, 17, para um treino regenerativo dos titulares. O jogo contra o Remo está marcado para domingo, às 17h, na Curuzu, com presença apenas da torcida bicolor. (Foto: John Wesley/Ascom PSC)

Remo cede área do Carrossel à franquia Gustavo Kuerten de tênis

Remo comemora 101 anos de reorganização com nova fachada | globoesporte.com

O Remo negociou com o empresário franqueado da marca Gustavo Kuerten a cessão da área do antigo Carrossel, parte frontal do terreno onde se localiza o estádio Evandro Almeida. Os valores do negócio não foram reveladas, mas as obras já foram iniciadas e a previsão de inauguração é para o final do mês de março. Ao todo, além das quadras de tênis, serão instaladas 12 lojas no local.

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O tradicional pórtico do estádio (contendo o escudo do clube) será preservado, como já informou a diretoria do Remo. O contrato de cessão foi firmado com o empresário Antônio Mergulhão Netto, que atua na área de eventos e é o detentor da franquia de Gustavo Kuerten (Guga) no Pará. O projeto é do arquiteto Camilo Delduque e a parte de engenharia está a cargo da empresa LOK.

As benfeitorias estão orçadas, inicialmente, em R$ 1,2 milhão. Por contrato, a estrutura ficará em poder do clube quando o contrato de cessão for encerrado, em 2027.

Jabor morreu justo quando Lula e Alckmin se entendem

Avesso a alegorias, caso raro no Brasil, ele explorava as idiossincrasias da classe média à qual pertencia

Arnaldo Jabor deixa filme inédito baseado em conto de Rubem Fonseca -  Jornal O Globo

Por Fernanda Torres

Ele abriu as ventas, respirou fundo, olhou o nada desesperançado, com aqueles olhões azuis, e me disse, do alto dos seus quase dois metros, “nós íamos fazer um país incrível”. Arnaldo Jabor tentava me falar de como era promissor o Brasil que existiu antes do golpe militar. O Brasil do cinema novo, de Lina Bo Bardi, da bossa nova, de Tom, João, Nelson Pereira e de Glauber.

Os anos de chumbo se abateram sobre uma geração que chegou a sentir o gosto de viver num país sensível, com algo de próprio para apresentar ao mundo. E, mesmo debaixo de pancada, esses jovens cineastas, músicos, dramaturgos, escritores, atores e artistas foram capazes de produzir, na periferia do planeta, obras referenciais, enfrentando, com irreverência e coragem, um governo autoritário, truculento e assassino.

A ditadura deixaria de herança uma nação isolada e uma crise econômica que se arrastaria por quase duas décadas. Mas a elite militar da época, ao contrário da de agora, possuía um projeto nacionalista de governo. A Embrapa e a Embraer são fruto dessa estratégia, e também a Embrafilme.

Protegida da concorrência estrangeira, a TV prosperou alinhada com o Brasil “Ame-o ou Deixe-o”. O cinema, ao contrário, ocupou a Embrafilme, fez dela a trincheira oposta e Jabor fez parte da infantaria.

Arnaldo Jabor deixa filme inédito baseado em conto de Rubem Fonseca -  Jornal O Globo

Ao contrário de seus pares, Jabor não nasceu para a alegoria e considerava “Pindorama” um desastre cinematográfico. O moço era todo classe média de Copacabana. E, por raiva do apoio da mediocracia ao golpe, se enfurnou nos apartamentos da Princesinha do Mar para entender o que tinha na cabeça a classe à qual pertencia. Jabor se descobriu Jabor no maravilhoso “A Opinião Pública”.

Na sequência, mirou a tragicomédia patética de Nelson Rodrigues para falar dessa mesma burguesia. “Toda Nudez Será Castigada” e “O Casamento” são as melhores transposições feitas para a tela do nosso maior dramaturgo.

Enquanto os colegas falavam do povo e dos revolucionários, Jabor explorava as idiossincrasias de sua própria classe, caso raro, no Brasil. Em 1978, depois de cinco anos dedicados ao Nelson, pariu o extraordinário “Tudo Bem”, com Paulo Gracindo, minha mãe e meu pai, entre outros incríveis. Foi quando o conheci.

Elvira, a dona de casa, deseja pintar o apartamento de amarelo xixi e tenta convencer os operários do quanto é maravilhosa a vida deles. Juarez, o marido, discute com seus fantasmas a grandeza de um país que não existe. E as empregadas, uma santa e uma puta… E a romaria da escada de serviço. “Tudo Bem” é demais.

Fui à estreia de “Tudo Bem” no cinema Pax, hoje extinto. O filme seria um estrondo, não fosse a qualidade nauseabunda do som, que nem com legenda dava para se entender. Fazer cinema era uma atividade precária, custosa e bissexta.

Depois, vieram “Eu Te Amo” e “Eu Sei Que Vou Te Amar” (foto), sobre a dor da separação real de Maria Eleonora, mãe de suas duas filhas, Carolina e Juliana. Eu não vou nem tentar explicar o significado que o convite para fazer “Eu Sei Que Vou Te Amar” teve na minha vida —mais do que a Palma de atriz em Cannes, a grande conquista, para mim, foi ter tido a chance de trabalhar com um gênio que eu admirava.

A crise já estava braba em “Eu Sei Que Vou Te Amar”, tanto que Jabor partiu para um filme pequeno, em uma locação, com apenas dois atores. Não demoraria, a Embrafilme, que viabilizou o cinema durante um período nefasto, seria extinta com uma penada, pelo governo Collor, num ato de vingança semelhante ao que está em curso agora.

Arnaldo Jabor; FOTOS | São Paulo | G1

Os heróis do cinema novo e os cineastas que os sucederam foram sufocados. Os jovenzíssimos foram viver de clipe, de comercial, e Jabor, bendito fruto de Copacabana, num desespero de dar dó, foi se reinventar, na crônica e no jornalismo.

Jabor renasceu em São Paulo, junto com o real e FHC. Aquele país que ele sonhou viver, talvez voltasse a ser possível. Livre do peso do cinema, arte cara e coletiva, ele descobriu a liberdade da caneta e voltou a ser experimental, até no Jornal Nacional.

Sua ressurreição pessoal se confundiu com a do país. O Brasil é para profissionais. Quando Lula se tornou presidente e a centro-esquerda se dividiu, com PT e PSDB rachados, numa disputa figadal, Jabor escolheu um dos lados.

Nesse antagonismo, que terminaria mal, com Bolsonaro no poder, Jabor virou elite branca. Numa sessão do Festival do Rio, ele foi vaiado por uma parte aguerrida da plateia. Incrível vê-lo partir agora, logo agora, quando Lula e Alckmin, por fim, resolveram conversar.

(Transcrito da Folha de S. Paulo)

Papão goleia e deixa Fiel em êxtase

POR GERSON NOGUEIRA

Paysandu comemora goleada sobre o Itupiranga

O time mais ofensivo do campeonato não tomou conhecimento do Itupiranga. Alcançou uma goleada expressiva, coroando um jogo de pressão que custou a engrenar no primeiro tempo. Na etapa final, os gols foram surgindo naturalmente, aproveitando as seguidas falhas de marcação do adversário.

Apesar de problemas no começo da partida, o resultado final encantou a torcida, que compareceu em grande número à Curuzu, e soou como ensaio para o clássico de domingo. O PSC parecia disposto a mostrar que o empate sem gols diante do Tapajós foi puro acidente, mas teve problemas para acertar suas linhas.

O esquema utilizado (4-3-3 com variações), com Robinho, Marcelo Toscano e Marlon mais adiantados, não funcionava na tarefa de agredir a defesa do Itupiranga. Robinho até buscou a linha de fundo, mas os cruzamentos se mostravam improdutivos.

Por seu turno, o time interiorano pecava pela lentidão na saída e abusava dos erros de finalização. O melhor momento veio aos 36 minutos, quando Rodrigo bateu falta com muito perigo.

O ataque do PSC parecia se ressentir de aproximação e o gol de Marlon no final do 1º tempo nasceu de um cruzamento de Igor Carvalho pela direita. O lance começou com o lateral em posição de impedimento ao ser lançado.

Marlon, autor do primeiro gol (que começou com impedimento de Igor Carvalho), tornou-se o principal atacante do PSC, movimentando-se entre o meio e o ataque. Logo aos 3 minutos do 2º tempo, ele marcou o segundo gol aproveitando assistência de Robinho.

Se o PSC já era senhor das ações, com 2 a 0 no placar, o Itupiranga capitulou de vez, sem forças para controlar os ataques do adversário.

Ricardinho deixou sua marca aos 8’, usando da conhecida perícia nas bolas paradas. Bateu rasteiro e surpreendeu o goleiro Evandro Gigante. O jogo então entrou num período de marasmo. Satisfeito com a contagem, o PSC apenas trocava passes sem se preocupar em aprofundar o jogo.

O Itupiranga, puxado pelo meia Rodrigo, começou a avançar e a ameaçar o gol de Elias, mas se atrapalhava sempre na hora de definir. Márcio Fernandes fez mudanças na equipe, substituindo Marcelo Toscano por Danrlei. Logo na primeira intervenção, o atacante baionense disparou chute forte, bem defendido por Evandro Gigante.

Mesmo sem acelerar, o PSC mantinha a partida sob controle, como se fosse capaz de chegar ao gol quando bem entendesse. E foi o que aconteceu. Aos 39’, Dioguinho cobrou escanteio e o zagueiro Marcão saltou antes de Evandro para fechar a goleada em grande estilo, fazendo 4 a 0.

Com a vitória, o Papão chegou a 13 pontos na liderança do Grupo A, praticamente assegurando classificação à próxima fase. O Itupiranga conservou os 6 pontos que lhe garantem a terceira colocação no Grupo B.

Para o time, mais importante que a vitória relativamente tranquila foi a confirmação de que, mesmo quando o modelo proposto por Márcio Fernandes, as peças individuais funcionam. (Foto: Jorge Luis Totti/Ascom PSC)

Em partida fraca, Leão tropeça no Tubarão

Bragantino-PA x Remo

Com a mesma postura confusa vista nos primeiros jogos do Parazão, o Remo se atrapalhou diante do Bragantino, ontem à tarde, no estádio Diogão. A atuação foi tão ruim no primeiro tempo que o primeiro ataque agudo só aconteceu aos 40 minutos, quando uma triangulação no meio gerou lançamento para Rony ficar de frente com o goleiro Valentim.

Muito pouco para um dos aspirantes ao título estadual. E insuficiente para impor respeito a um adversário aguerrido e duro na marcação. Para piorar as coisas, o campo esburacado atrapalhou bastante a troca de passes.

O Bragantino ameaçou mais e começou assustando com um chute de Biriba que estourou na trave de Vinícius. O lance foi invalidado, mas deu uma ideia do que estava por vir. Mesmo preocupado em fechar o meio-campo, pertenceram ao Braga os ataques mais agudos da etapa inicial.

Aos 36’, Gully acertou um chute forte e cruzado, que quase enganou o Vinícius aos 36’. Depois, Paulinho Curuá desviou a bola na área e o meia Emerson Bacas ficou livre para finalizar, mas o tiro saiu torto.

No segundo tempo, com Felipe Gedoz improdutivo no meio, o Remo tentou aumentar a pressão, mas o ataque seguia muito desconectado do meio. Brenner e Bruno Alves ficavam emparedados pela marcação.

O placar só foi movimentado em função de erros da arbitragem. Aos 7 minutos, Joercio Silva dos Santos viu pênalti numa dividida normal entre Emerson Bacas e Erick Flores. Bacas cobrou e fez 1 a 0 para o Braga.

Aos 15’, outro penal inexistente: Leonan (que havia substituído Paulo Henrique) caiu na área e o apitador deu a penalidade, que foi convertida por Bruno Alves.

O Remo ainda colocou Ronald e Veraldo para abrir o jogo pelas pontas, mas a criação continuou pífia e os ataques não levaram a nada. No fim das contas, resultado condizente com o baixo rendimento azulino na partida. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 17)