Os charcos do Parazão

POR GERSON NOGUEIRA

Condição do gramado do Navegantão no jogo entre Independente e Itupiranga — Foto: Alan Ribeiro

Clube que mais investiu para as competições da temporada, gastando quantia considerável para contratar um total de 18 jogadores, o PSC agiu bem em solicitar à FPF o adiamento do jogo com o Independente, previsto para sábado próximo, no estádio Navegantão, em Tucuruí. Zelar pelo patrimônio – e o grupo de jogadores constitui um bem do clube – é o mínimo que uma gestão responsável deve fazer.

Atento às condições do gramado de Tucuruí, o clube agiu rápido e obteve o adiamento, até que o Navegantão tenha condições ideais para a realização de jogos. A medida revela também a forte influência do técnico Márcio Fernandes junto à diretoria.

É provável que a partida seja encaixada entre as rodadas finais da fase de classificação, o que vai acarretar superposição de datas e mais prejuízos aos clubes. Ao mesmo tempo, depois que a FPF acatou a solicitação do PSC, é provável que outros jogos venham a sofrer adiamentos.

Em nota oficial, o clube parabenizou a entidade “pela tomada de decisão, que visa proporcionar qualidade ao jogo, oferecer condições dignas de trabalho e consequentemente preservar a integridade física dos atletas, uma vez que poderia haver sérios riscos de lesão”.

Como a entidade aceitou os argumentos do Papão, outros clubes podem reivindicar o mesmo direito durante o campeonato. Se isso ocorrer, o Parazão corre o risco de ser descaracterizado pela transferência de partidas e confusão na tabela de classificação.

Tudo porque o nível geral dos campos é precário, com buracos e falta de sinalização adequada, situação agravada em períodos de chuvas quando se transformam em verdadeiros manguezais. Não é exclusividade do interior. O gramado do estádio do Souza, em Belém, por exemplo, é um dos piores da competição.

Nem é também a primeira vez que os gramados se tornam vilões dentro da competição. Desde que o campeonato passou a ser disputado de janeiro a março e em várias cidades do interior, a situação se tornou corriqueira.

Como responsável pelo campeonato, a FPF tem a obrigação de zelar pela boa qualidade dos estádios. Para isso, existe uma comissão de vistoria que percorre as cidades-sede de jogos para fiscalizar as condições dos estádios. Pelo visto, o trabalho deste ano foi mero faz-de-conta.

O campo é item fundamental em futebol. É tão importante que encabeça as regras centenárias do esporte criadas há mais de um século pela International Board. Enquanto os dirigentes não se conscientizarem disso, o Parazão continuará a ser disputado em gramados que mais parecem pântanos.

Gedoz é a esperança que move os remistas

O Remo deve ter novidades para o confronto com o Itupiranga, domingo à tarde, em Parauapebas. Depois de dois jogos que semearam dúvidas na torcida quanto à qualidade da equipe, o técnico Paulo Bonamigo dedicou a semana a promover experiências que devem alterar a maneira de atuar.

Uma única mexida deve alterar o meio-campo e o ataque. O retorno de Felipe Gedoz vai provocar uma mudança no sistema de jogo, saindo do 4-3-3 para o 4-4-2. Gedoz fica como quarto homem do meio, jogando ao lado de Anderson Uchoa, Pingo e Erick Flores.

Com isso, o time passa a jogar com dois atacantes, Ronald e Brenner. Dependendo do andamento da partida, Gedoz e Flores podem se juntar às ações ofensivas, como ocorreu durante grande parte da Série B.

Ainda que a presença de Gedoz seja garantia de qualidade na troca de passes, a movimentação da equipe terá que ser aprimorada. A lentidão e a dificuldade de transição têm sido os maiores problemas do time até agora.

Organizada denuncia que foi barrada na Curuzu

Circula nas redes sociais um protesto da Torcida Jovem do PSC, que foi impedida de estender faixas com a posição invertida em jogos na Curuzu. Eles tentam entrar no estádio e logo são alvo da ação de seguranças do clube. De forma dura, até violenta, ameaçam retirar as faixas se elas não forem desviradas. Esse tipo de protesto é usado há muitos anos, em todo o país. Uma forma não violenta de demonstrar insatisfação.

“A Torcida Jovem vem fazendo esse protesto, pacífico, desde a queda de série que o Paysandu sofreu e prometem permanecer fazendo até uma subida do Papão. No último dia 2 de fevereiro, aniversário do clube, foram impedidos de ingressar no estádio, com suas faixas e instrumentos de percussão. Sem que aparecesse nenhum diretor para explicar a eles, o grupo foi barrado por vários seguranças na porta da Curuzu.

A torcida organizada é algo que contribui para a beleza do espetáculo, com o grito apaixonado, as bandeiras e músicas. Mas, parece que um grupo de pessoas quer fazer do nosso futebol uma coisa sem alma.

Não significa que tudo que elas fazem (organizadas) seja de acordo com o que pensamos, mas não acreditamos em negar o direito de qualquer pessoa individualmente ou de forma coletiva a se manifestar e lutar pelo que acredita.

A diretoria do Paysandu não aceita críticas. Talvez por não terem praticamente nada de positivo para mostrar na atual gestão, precisam calar a boca de quem não é seguidor da Novos Rumos.

Mesmo que não concordem com o modo de protesto, deveriam concordar que é um direito de cada um, individual ou coletivamente, se manifestar. A liberdade de expressão é um pressuposto da democracia”.

A coluna disponibiliza o mesmo espaço para um posicionamento do clube a respeito da manifestação da Torcida Jovem. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 04)

3 comentários em “Os charcos do Parazão

  1. Está parecendo mais que o clube da camisa listrada quer marcar posição. Os mais interessados em campos em condições de jogos é ele e o Clube do Remo, pelo investimento que fazem. Até às pedras portuguesas da Praça da República sabem que essa época de inverno amazônico não há gramado que fique em condições plenas de jogo no Pará. Uns mais outros menos. Então, não deveriam jogar apenas para as costas largas da FPF a responsabilidade pela vistoria dos gramados antes do início da competição. Deveriam propor que tal vistoria fosse compartilhada por federação e clubes participantes e, nos locais onde o gramado não tivesse condições, os jogos fossem transferidos para outras praças. Não é preciso cair uma chuva para ver a olho nu que o estádio da Tuna é um desses que não apresentam condições de jogo. Mesmo assim os revoltados da hora foram lá e jogaram. Por que agora essa pinimba com Tucuruí?

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  2. Gérson, muito legal a homenagem feita essa semana pela diretoria do paissandu aonde zagueiro Jorge Correa que hoje mora no asilo Socorro Gabriel em Val de cans, com direito a fotos, camisas oficial ao seu ex jogador e outros mimos, muito bonita atitude, acredito que hoje o paissandu é o time no Pará que mais valorizar seus ex ídolos… Parabéns.

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