O Rio de todas as selvas

Imagem

Em poucos lugares do mundo a cena de se encontrar um cadáver amarrado e espancado na escada de acesso a praia seria possível de acontecer

Por José Ricardo Bandeira

A morte do congolês Moise Kabamgabe covardemente amarrado e espancado até a morte na praia da barra da tijuca, zona nobre da cidade inaugura mais um capítulo desta interminável história sangrenta que é a segurança publica no Rio de janeiro. 

Em poucos lugares do mundo a cena de se encontrar um cadáver amarrado e espancado na escada de acesso a praia seria possível de acontecer, talvez na República Democrática do Congo, país em eterna guerrilha (e que eu tive a oportunidade de visitar algumas vezes!) isso fosse uma probabilidade, e foi para fugir desta probabilidade que o inocente Moise resolveu se refugiar no brasil.  

Infelizmente ao escolher o Rio de janeiro como seu último e fantasioso destino de vida, ele não pode ter acesso aos dados estatísticos e informações da segurança publica, e esses dados mostram que mais de 70% do território da cidade “quase maravilhosa” hoje é dominado por milicianos e traficantes. 

Mas não pensem os desavisados que esses milicianos se limitam apenas as áreas que dominam, pois hoje grande parte dos quiosques das praias da barra da tijuca e recreio dos bandeirantes, já são explorados por esses milicianos que expandem os seus tentáculos criminosos através desses comércios passando uma falsa aparência de legalidade. 

E ao amarrar e espancar covardemente uma pessoa eles apenas e tão somente reproduzem o modus operandi praticado nas áreas dominadas por traficantes e milicianos, trazendo para o asfalto e para a cara da sociedade o que era feito as escondidas nas miseráveis comunidades da cidade. 

E como não poderia deixar de ser mais uma vez se vê o envolvimento do crime organizado com o poder publico, pois esses quiosques são concessões da prefeitura, e é muito normal durante uma simples caminhada pelo calçadão se deparar com viaturas da polícia militar estacionadas despretensiosamente a frente desses estabelecimentos, causando inclusive transtornos ao trânsito.

Mesmo acreditando naquele velho ditado que “O Rio de janeiro não é para amadores” o que se espera é que a morte deste simples homem que deveria ter sido amparado e protegido pelo país que ele escolheu para viver, possa servir de exemplo e início de uma ofensiva contra essas organizações criminosas, que agora demostram a crueldade e o terror fora das comunidades em que reinam impunemente.  

Porém se nada for feito, a cidade do Rio estará fadada a se tornar domínio do crime organizado, onde os cidadãos de maior poder aquisitivo ficarão presos em seus luxuosos condomínios e o povo sem opção subordinado ao julgo das milícias e do crime organizado, e que no futuro certamente também irão se expandir para outros estados e cidades, como uma grande e bem-sucedida franquia do crime. 

Prof. José Ricardo Bandeira – É Perito em Criminalística e Psicanálise Forense, Comentarista e Especialista em Segurança Pública, com mais de 1.000 participações para os maiores veículos de comunicação do Brasil e do Exterior. Presidente do Instituto de Criminalística e Ciências Policiais da América Latina, Presidente do Conselho Nacional de Peritos Judiciais da República Federativa do Brasil, membro ativo da International Police Association e Presidente da Comissão de Segurança Pública da Associação Nacional de Imprensa. 

O Brasil não é para amadores

POR GERSON NOGUEIRA

Felipe Conceição fica incomodado com empate na estreia pelo Cruzeiro, mas  elogia desempenho do time | LANCE!

Quando a CBF instituiu um item no regulamento do Campeonato Brasileiro limitando as demissões de técnicos pelos clubes, muita gente teve dúvidas de que a regra fosse respeitada. Na verdade, chegou a ser cumprida parcialmente, mas permitiu gambiarras como declarações fajutas de técnicos demitidos alegando ter saído de “comum acordo”.

Surgiu, ainda, outra manobra para sabotar a norma imposta para garantir estabilidade aos técnicos. Na prática, auxiliares poderiam assumir o comando dos times, mas com um treinador profissional por trás. A lei estabelecia que não havia restrição se o técnico pedisse demissão ou se a rescisão fosse consensual.

Ontem, o Conselho Técnico dos clubes da Série A derrubou a restrição. Quem puxou a reação foi o presidente do Corinthians, Duílio Monteiro Alves. Alegou que a ideia não tinha efeito prático. Seria uma lei inócua, feita para inglês ver, segundo ele.

Por unanimidade, os clubes apoiaram a posição corintiana e foi aprovado o regulamento de 2022 já sem o limite de apenas uma troca de técnico, como vigorou na temporada 2021.

Algumas situações mostraram em 2021 que os clubes atropelavam a norma sem qualquer cerimônia. O Cruzeiro, por exemplo, demitiu Felipe Conceição e alegou que tudo tinha sido devidamente acordado. Voz solitária a denunciar o artifício, Felipe não recebeu a solidariedade dos colegas de ofício.

Na prática, o objetivo da restrição não foi atingido plenamente. As demissões diminuíram apenas 10% em relação a campeonatos anteriores. Os próprios técnicos não pareceram entusiasmados com a novidade, até porque muitos são favoráveis à liberdade de ir e vir nos clubes.

A instabilidade no emprego é danosa para todos, em qualquer área, mas é público e notório que a dança de cabeças nos clubes parece ter sido incorporada culturalmente às relações do futebol no Brasil. Tanto que raramente um técnico reclama de substituições inopinadas ou interrupção do trabalho após dois ou três meses no cargo.

Volta-se, então, ao ponto de partida, sem que nenhum clube seja obrigado a cumprir esse gatilho legal. Cai em desuso uma das poucas tentativas institucionais de regular e proteger os treinadores. A partir de agora, o “liberou geral” está valendo. E, pelo silêncio ruidoso, os próprios interessados não parecem estar muito preocupados.

O tédio como rotina e a burocracia como prática

A Seleção Brasileira fez anteontem mais um jogo em casa. E até cumpriu dignamente o seu papel. Meteu 4 a 0 no Paraguai para empolgação de quase ninguém, tirando o histriônico profissional Galvão Bueno. Há explicação para esse fastio que a torcida sente hoje. Começa que as Eliminatórias já são letra morta, pois a equipe de Tite se classificou com boa antecedência. Depois, há a tediosa forma de jogar que desestimula qualquer entusiasmo em relação ao escrete.

Além de a camisa verde-amarela ter sido apropriada por grupos e avacalhada por oportunistas, a Seleção pouco tem feito para honrar a tradição de um país que sempre se orgulhou de saber jogar bola.

Nas últimas décadas, essa imagem foi profundamente abalada pela frequência com que o Brasil se fez representar por times horrorosos em Copas do Mundo, sem qualquer vínculo com o talento de gênios como Pelé e Garrincha, ou mesmo de coadjuvantes fantásticos, como Jairzinho, Tostão, Rivellino, Gerson, Nilton, Amarildo, Zito e outros.

De 1994 a 2002 houve um curto período de retomada daquele Brasil bom de bola, com Romário, Bebeto, Ronaldo Nazário, Ronaldinho, Rivaldo, Kaká. Pena que passou muito rápido, e lá se vão duas décadas já.

Estive nas três Copas que traziam esperanças concretas de títulos – Alemanha/2006, África do Sul/2010 e Brasil/2014. As condições eram propícias, mas faltou talento e capacidade competitiva. Pior: sobrou desatenção e soberba, como na desgraça de BH em 2014.

Tite não é culpado pelo clima geral de certa implicância com a Seleção. Herda as mágoas acumuladas de outros carnavais. Acontece que sua única contribuição para isso foi decepcionante. A campanha de 2018 está na galeria daquelas participações opacas do Brasil em Copas, como ocorreu em 1974, 1978 e 1998.

Não há nada de memorável dessas Copas. A trajetória da Seleção desde então aponta para a repetição dos mesmos erros no Mundial do Catar. O que inclui um Neymar longe (outra vez) de sua melhor forma e vários coadjuvantes disciplinadamente empenhados em caprichar no padrão burocrático. Apesar de tudo, espero estar equivocado.  

Um aniversário comemorado com paixão

Uma festa e tanto fez o PSC ontem para comemorar seu 108º aniversário de fundação. Além do treino aberto para a torcida, saudável prática que deveria ser mais frequente entre os clubes, o Marketing alviceleste foi extremamente eficiente em ocupar as redes sociais para carimbar a importância da data junto aos torcedores.

São datas que se tornam realmente marcantes pela importância que o clube dá a elas. Muitas agremiações deixam de lado essa memória afetiva, tratam até com desleixo, um erro que se revela danoso com o tempo. Aniversário, de gente ou instituição, é para ser festejado, de preferência com muito barulho e alegria.

Parabéns ao Papão pela data – e pela sensibilidade em jogar luzes sobre sua linda história centenária. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 03)

Urbanitários denunciam Equatorial Celpa ao MPT por descumprimento de portaria

Segundo denúncia do sindicato da categoria, empresa não respeita isolamento de trabalhadores infectados pela Covid-19 e deixa de abrir CAT para os doentes

Na sexta-feira, 28 de janeiro, o Sindicato dos Urbanitários do Pará oficializou denúncia contra a Equatorial Celpa junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e à Superintendência do Trabalho e Emprego (SRTE). A denúncia se refere ao descumprimento da Portaria Interministerial nº 14, do Ministério do Trabalho e Previdência e da Saúde, em 20/01/2022, que determina medidas para prevenção, controle e mitigação dos riscos de transmissão do coronavírus (Covid-19) em ambientes de trabalho.

Os urbanitários alegam que pessoas do corpo gerencial da empresa pressionam e constrangem os trabalhadores afetados pela Covid-19 a exercerem suas tarefas presencial ou remotamente, “o que é uma irresponsabilidade e um atentado contra a saúde do trabalhador de toda a coletividade, contribuindo assim para a maior disseminação do vírus”, critica o presidente do Sindicato dos Urbanitários do Pará, Pedro Blois.

Segundo o sindicato, a empresa também vem se esquivando da obrigatoriedade de emitir Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) aos infectados no ambiente de trabalho pela Covid-19. A entidade sindical vem se colocando à disposição dos trabalhadores para emitir este documento.

ABUSOS

A denúncia feita aos órgãos de fiscalização do trabalho aponta situações vivenciadas pelos trabalhadores, como a obrigatoriedade de retorno ao trabalho mesmo com exames positivos para a Covid; a pressão para trabalharem em home-office, mesmo estando de atestado médico; a ordem para omitirem que estão com Covid-19 e informarem aos colegas de trabalho que estão “apenas gripados”, e descreve ainda que pessoas do corpo gerencial mandam trabalhadores infectados assintomáticos, sem novo exame, retornarem à atividade presencial.

A denúncia do sindicato também expõe a situação da médica do trabalho ligar para os afastados e pressionar para que retornem ao trabalho, a partir de avaliação feita por telefone, sem novo exame. “Se a direção da Equatorial Celpa quer fazer crer que a empresa é um ‘lugar bom para trabalhar’ deve zelar pela saúde de cada um e de todos, agindo com responsabilidade e dentro da legalidade”, alerta o sindicalista.

“A Equatorial é uma empresa de grande porte, que diz que tem ‘foco em gente’, mas que deixa de cuidar da coisa mais valiosa que tem, seus empregados, que lutam no dia a dia para possibilitar lucros milionários. O lucro da Equatorial aqui no Pará foi de R$ 624 milhões em 2020 e R$ 800 milhões nos nove primeiros meses de 2021.Vamos continuar a recolher denúncias e levar aos órgãos de fiscalização. Atitudes precisam ser tomadas para a preservação da vida dos trabalhadores e de suas famílias”, conclui Pedro Blois.