O que se passa com o Remo?

POR GERSON NOGUEIRA

Anderson Uchôa

Quem assistiu o jogo Paragominas x Remo, domingo à tarde, viu um dos piores jogos do time azulino desde aquele Remo x Vitória pela Série B do ano passado. Os jogadores eram diferentes, mas o time foi tão improdutivo quanto. Não havia vida inteligente, prevaleciam os chutões e nenhum plano bem definido de propor o jogo. 

Futebol, como se sabe, desde os tempos de Gentil Cardoso, é um esporte dominado pela troca de passes, ocupação de espaços, aceleração de jogadas e aprofundamento em direção à área adversária. Quem não consegue fazer esses movimentos está naturalmente fadado ao fracasso.

As críticas feitas à atuação de domingo foram um pouco exageradas, pois não levam em conta o pouco tempo que o técnico Paulo Bonamigo teve para organizar a equipe e definir um esquema de jogo. Ocorre que clubes de massa sofrem a pressão natural de torcidas exigentes – e impacientes.

No caso do Remo, a cobrança se acentua pela decepção com o rebaixamento à Série C com requintes de tortura ao torcedor. Ao contrário do Brasil de Pelotas, rebaixado desde o começo do returno da Série B, o Remo foi caindo aos poucos, mas sempre alimentando a esperança de que iria se salvar nas rodadas finais. Teve chance até o último jogo, e fracassou.

Bonamigo herda, ainda, a frustração com a perda do Parazão 2021, quando o Remo era favorito absoluto. Tinha o melhor e mais caro elenco, foi ganhando todos os jogos e acabou sendo eliminado (invicto) em atuação descuidada (e desplugada) diante da Tuna.

Tudo isso compõe o caldo de insatisfações acumuladas pelo torcedor. Para piorar, os dois jogos iniciais no campeonato reforçaram a impressão de que o time é tecnicamente limitado. E é. Nada tão inferior aos demais participantes, mas alguns furos abaixo do principal rival.

A comparação de desempenho expõe a diferença. Enquanto o Remo fez um gol em dois jogos, o PSC marcou seis nas duas rodadas, incluindo o clássico com a Tuna.

A falta de repertório pode ser corrigida. Há tempo ainda para isso, mas a dúvida é se Bonamigo dispõe das peças necessárias para fazer com que o meio-campo funcione. Anderson Uchoa (foto), remanescente de 2021, deveria ser o motor do time, mas se perdeu em meio às deficiências do setor, aí incluídos seus companheiros mais próximos, Pingo e Erick.

O meio tem que ditar a temperatura e a intensidade. É assim desde que a bola foi inventada. Os times usam linhas e desenhos diferentes para chegar ao campo inimigo. Para isso, precisam de recursos (dribles, passes, lançamentos) e velocidade. É a isso que hoje chamamos de transição.

Ocorre que o Remo não avança porque não cria as condições para isso. Só chega ao ataque à base de bolas longas e mal endereçadas. Quando tenta trocar passes acaba parando no bloqueio porque não há qualidade para transpor as linhas de marcação. Desse jeito, mesmo com três atacantes – Bruno Alves, Brenner e Ronald –, o ataque fica anêmico e inofensivo.

A solução só virá com a constatação de que a fórmula está errada. As decisões de Bonamigo e o desempenho dos jogadores nos próximos jogos irão dizer se os problemas estão sendo encarados de frente.

As idas e vindas de Fazendinha

O PSC confirmou a rescisão contratual com o meia Willian Fazendinha, que retorna ao Castanhal, de onde jamais deveria ter saído. Após uma passagem apagada em 2021, vindo de boa campanha no Castanhal, ele não conseguiu abrir espaço no novo elenco formado por Márcio Fernandes.

Atuou apenas oito vezes com a camisa alviceleste, sem marcar presença. Para surpresa geral, chegou a renovar com o Papão para esta temporada, mas foi ficando de lado já na pré-temporada. Não jogou na estreia diante do Bragantino e nem foi relacionado para o clássico com a Tuna.

Meia habilidoso, Fazendinha era protagonista no Castanhal desde 2020. Sua performance mais lembrada é a do ano passado, quando atuou em 25 partidas e marcou quatro gols. Voltar ao Japiim é a decisão mais sábia.

Projeto abre vagas para futebol feminino

A Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel) abriu o período de matrículas para a turma de futebol feminino do projeto Gol do Brasil. A iniciativa da CBF atenderá garotas com idades entre 6 e 17 anos. As vagas são limitadas (44) e as matrículas podem ser feitas às segundas e quartas-feiras, das 9h às 15h, na sede da Seel, em Belém.

Os exageros que pautam a mídia delirante

Misto de preguiça e tédio, vejo e ouço a uma distância segura um daqueles programas de TV dedicados a incensar jogadores e clubes do futebol paulista 24 horas por dia. O apresentador, fingindo entusiasmo delirante, apresenta “o principal nome do futebol brasileiro hoje, recém chegado de uma década brilhando na Europa”. A curiosidade aperta, me aproximo então para descobrir quem é o dito cujo.

Ninguém menos que Willian, figura apagada em duas Copas do Mundo ocupando lugar de jogadores melhores que Tite não consegue ver. É daquele mesmo grupinho de “bonzinhos” a que o treinador está preso desde 2018 – Gabriel Jesus, Fernandinho, Fred & cia.

Os adjetivos generosos têm uma explicação: Willian foi revelado pelo bem-amado Corinthians e voltou a Itaquera. A realidade é que o mercado europeu exclui quem já não rende mais.

Sem espaço na Europa, os veteranos voltam ao Brasil pela chance de faturar um pouco mais nos últimos contratos da carreira, beneficiando-se do baixo nível do futebol praticado aqui. David Luiz, Rafinha, Diego Costa, Filipe Luís, Douglas Costa, Renato Augusto, a lista é grande.

Enxergar patriotismo ou amor à camisa é apenas devaneio paulistano. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 02)

5 comentários em “O que se passa com o Remo?

  1. Concordo.
    Disse antes que com três rodadas, daria a minha opinião. Bastam duas.
    Pode-se até dizer que os adversários do Remo são mais qualificados que os enfrentados pelo Rival. Pode ser, mas na verdade o PSC, em seus dois jogos, malgrado a limitação técnica dos adversários, soube explorar tais deficiências levando Bragantino e Tuna ao erro, aproveitando-se. Eis aí o mérito do PSC. Já o Remo, jogando também contra adversários apenas valentes, não soube levar partido das deficiências apresentadas.

    Quanto à direção do clube, nesse caso, há dois caminhos a tomar:
    1) enxergar que o time é esse mesmo, limitado. Quando muito, vai melhorar um pouquinho só, mas insuficiente para se chegar ao título da competição; ou
    2) aguardar sempre o próximo jogo para ver se, reforçado por Felipe Gedoz, desabrocha de vez.
    No primeiro caso, a providência é reforçar o time. No segundo, esperar mais um pouco. Foi o que ocorreu nas últimas rodadas na malfadada série B do ano passado, Esperou muito pois bastava uma vitória no próximo jogo.

    Eu penso que pode até melhorar, e esperaria ainda mais duas rodadas.

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  2. Amigo, eu não esperaria mais nada, disse que nos dois amistoso com times amadores, o Remo foi muito mal e os jogadores eram limitados, já são 4 jogos desde os amistosos e time é ruim mesmo, o Fábio Bentes tá tentando economizar com jogadores de 10 15 mil, esperando acabar os campeonatos paulistas (principalmente) e demais, para tentar contratar, só que aí pode ser tarde demais, não vai encontrar mão de obra boa e barata, ai vai ter que pegar jogadores mais caros ou em fim de carreira, é a minha opinião, o presidente do Remo falou e está gravado, que iria formar um time para ser campeão paraense, fazer uma boa copa do Brasil, ganhar a série C etc… o que estamos vendo com esse time, é que, talvez nem passa para as finais do paraense, ninguém é cego, me admiro o Bonamigo concordar com tudo isso, deveria fazer que nem o treinador do Rival o Fernandes, tragam os jogadores que eu quero, tai a diferença o rival tem um elenco muito melhor, vou repetir mas uma vez, disseram que o Remo ia ser um time que correria muito, kkkk não conseguem nem 30 minutos de intensidade, se é para correr, contratem atletas do atletismo que são muitos melhores que esses aí. Te dizer!

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  3. Destoando da torcida, penso no investimento (considero investimento e não teimosia) de Bonamigo e Bentes. Ponderando desse modo, faz sentido o pensamento de transformar o Remo em clube formador, porque o Remo não é clube formador ainda, pelo menos até o CT começar a fazer alguma diferença. Sabemos que os atletas da base têm futuro promissor, mas o próprio Remo é um clube em construção nesse momento, está desenvolvendo expertise na formação da base. É o preço do atraso, e é o caminho a seguir, de investir na formação da garotada. Levar a sério este projeto terá algum custo e por isso mesmo terá que contar com a paciência do torcedor, que não é muita, sabemos. Sendo assim, é preciso valorizar muito os atletas da base e investir muito alto neles em vez de focar em reforços. Pingo, Mafra, Ronald e companhia precisam deste investimento para deslanchar. Também já vi muitos reforços darem muito errado. Acho que a contratação de um lateral esquerdo veloz, que se habilite a apoiar os jovens pontas na velocidade e qualidade necessárias e mais um meia armador para fazer sombra a Gedoz, são as urgências pontuais do time que precisa de intensidade. Avalio como oportunas e eficazes estas observações que não são minhas, mas do próprio staff azulino. Acho que um time mesclado com jogadores da terra e algumas boas aquisições podem formar um excelente time.

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    1. Entendo que a comparação com o PSC é indevida, porque Remo e PSC adotaram filosofias de trabalho, estratégias de montagem de elenco e rotinas de trabalho muito diferentes. A aposta do Remo é muito mais ousada e não tende a produzir resultados imediatamente, porque é sobre o desenvolvimento de atletas jovens, com apoio de atletas com mais rodagem, com foco na juventude, enquanto o PSC busca uma solução diferente, mais conservadora, com jogadores mais experientes, aproveitando que a juventude já disponível no elenco está mais acostumada e afeita a pressão que o elenco azulino. O foco do PSC, portanto, é outro, de harmonizar um elenco.

      Remo e Paysandu terão seus ápices físicos e técnicos em momentos diferentes. Mas se a estratégia azulina funcionar bem, o esperado alto rendimento se dará por mais tempo que a do PSC, e com boa chance de ser naqueles momentos mais decisivos das competições mais importantes do calendário, o Parazão e a série C. Sendo realista, para a torcida, Copa Verde e Copa do Brasil são bônus.

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