Lula compara Bolsonaro ao psicopata Jim Jones

O ex-presidente Lula (PT) foi às redes sociais, nesta quinta-feira (13), para criticar a forma como Jair Bolsonaro (PL) conduz o combate à pandemia do coronavírus. Segundo o petista, o chefe do Executivo é comparável a Jim Jones, pastor estadunidense responsável por um extermínio em massa nos anos 70.

“Bolsonaro continua tratando o covid com descaso. Só um psicopata como Jim Jones seria capaz de repetir as insanidades de Bolsonaro no enfrentamento da pandemia”, escreveu Lula.

Em junho de 2021, durante a CPI da Pandemia no Senado, Renan Calheiros (MDB-AL) já havia comparado Bolsonaro a Jim Jones. “Nós temos um Jim Jones na presidência da República“, havia dito.

Nos últimos dias, Jair Bolsonaro voltou a minimizar a pandemia e a vacinação contra a Covid-19, justamente em um momento de explosão de infecções e internações. Nesta quarta-feira (14), o presidente chegou a afirmar que a variante ômicron, mais contagiosa, “é bem-vinda” no Brasil, o que motivou reação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

EXTREMISMO

Os grupos antivacina não são uma exclusividade do Brasil, tampouco surgiram no contexto atual da pandemia da Covid-19. Muitos protestos contra o uso de imunizantes vêm sendo registrados em praticamente todos os continentes da Terra e a resistência ao uso dessa importante ferramenta de saúde pública é um fenômeno social tão antigo quanto a própria vacina, desenvolvida pela primeira vez ainda no século XVIII. No entanto, o combustível que o alimenta vai mudando com o tempo.

No Brasil contemporâneo, a mentalidade negacionista e anticiência que condena a aplicação de imunizantes na população foi turbinada pelo ambiente de insanidades que passou a vigorar no país com a eclosão do bolsonarismo, uma estética orgulhosamente obscurantista e grotesca que apela às mais escatológicas e absurdas teses para alinhar a lógica de tudo à do líder extremista que controla frações da sociedade brasileira.

As maluquices vão de inserção de chip para controle de mentes por parte do governo comunista da China até a teoria de que estão embutidos nas vacinas pequenos transmissores de internet 5G, passando por sandices que falam de “testes gênicos”, assassinatos em massa, contaminações propositais e uma incalculável gama de teses destrambelhadas e risíveis. Ainda assim, há quem acredite e não são poucos.

A reportagem da Fórum foi ouvir psiquiatras e psicanalistas para saber se essa adesão absoluta e cega a teorias estapafúrdias, claramente motivadas por alinhamento ideológico a uma liderança que ressalta seu caráter messiânico, é algo resultante de uma vontade clara e consciente ou se esses milhões de brasileiros podem estar apresentando algum tipo de comportamento de fundo patológico, induzidos por uma desordem ou disfuncionalidade mental, o que popularmente chamamos de “paranoia”.

NEGACIONISMO E PSICOPATIA

O psiquiatra e também psicanalista Valton de Miranda Leitão, um veterano médico cearense com 56 anos de carreira e um dos profissionais especialistas há mais tempo em atividade no país, com vasta formação em inúmeras universidades, como a UFC e a UFRGS, não deixa dúvida sobre suas conclusões em relação a Jair Bolsonaro, o grande indutor e condutor do movimento negacionista antivacina brasileiro.

“Bolsonaro tem um tipo de psicopatia. Na psiquiatria dizemos que é um indivíduo perverso, que não tem empatia com as outras pessoas, no máximo desenvolve alguma empatia com os dele. Observe que perverso, para a psiquiatria e a psicanálise, é um conceito um pouco diferente daquele do senso comum. Nesse campo de estudo, alguém perverso é alguém absolutamente desprovido de um sentimento moral que leve a ter empatia pelo outro. Em vias gerais, essa é sim uma característica dos psicopatas”, disse Valton.

Falando sobre o comportamento dos indivíduos que entraram de cabeça no movimento antivacina e que com isso parecem ser conduzidos por uma visão totalmente distorcida da realidade, o psiquiatra estabelece uma conexão entre esse comportamento e uma patologia muito conhecida, a hipocondria.

“Há dois elementos aí que precisam ser considerados. Você tem a convicção pseudopolítica, porque essas pessoas acreditam que estão embasadas numa compreensão política e ideológica de mundo, de um ponto de vista objetal. Do ponto de vista subjetivo, eles funcionam dentro de uma determinada perspectiva, mais ou menos como os hipocondríacos, que desenvolvem uma paranoia. A hipocondria tem um componente psicótico, e a hipocondria e a paranoia têm uma grande aproximação. O mais famoso caso de paranoia estudado por Sigmund Freud, o chamado Caso Schreber, começa com uma hipocondria, mas o indivíduo desenvolve depois uma paranoia imensa, monumental. E o que caracteriza a paranoia? O sujeito paranoico precisa de um inimigo para odiar, para perseguir. Ele elege um inimigo, que pode ser qualquer um… Pode ser o outro que apenas não concorda com ele, pode ser um alguém diferente dele… E pode ser a vacina”, relaciona.

Para o respeitado psicanalista cearense, a identificação de alguém com uma determinada corrente ideológica pode dizer muito sobre aspectos de sua mente. Na explicação ele usa o caso recente do tenista sérvio Novak Djokovic, que se nega a receber a vacina e faz campanha por onde vai contra os imunizantes, e que não quer receber nenhum tipo de sanção por conta disso. (Com informações da Revista Fórum)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s