Ouça mais uma vez a música que mudou tudo pra mim

Por André Forastieri

Minha música favorita da minha banda favorita faz aniversário esta semana. É “London Calling”, do Clash. O compacto saiu na Inglaterra no distante 7 de dezembro de 1979.

Não ouviu? Impossível. É a única música deles que toca em rádio rock. Eu não aguento mais ouvir. Eu não aguento não ouvir mais.

Você precisa ouvir de novo. Prestar atenção. Decorar. Você precisa de London Calling, o álbum. Ouve aí no streaming, compra, baixa, rouba. Os sobreviventes da banda estão ricos e perdoam. E o defunto não ia protestar.

Quando ouvi “London Calling”, pela primeira vez, fiquei maluquinho da silva. O engraçado é que não ouvi, vi. Foi no programa Som Pop, da TV Cultura, o único lugar que passava clipes no Brasil em 1980.

Os caras de preto, tocando na barca que atravessa o Tâmisa, tomando chuva na cara. Estou arrepiado até hoje.

Para ter uma ideia de como o mundo mudou: durante muito tempo, a única música do Clash que eu conhecia era “London Calling”. O disco, ninguém tinha em Piracicaba e não existia para compar.

Eu só fui ter meu primeiro disco do Clash em 1981, segundo colegial, Sandinista. Álbum triplo, PQP.

Tinha rock e reggae e jazz e dub e umas variações muito loucas sobre as mesmas canções. “Police On My Back”, “Somebody Got Murdered”, “The Call Up”, “Charlie Don’t Surf”, “Career Opportunities”… cacete.

No ano seguinte, mais um disco e ainda nada do disco London Calling na minha vida: Combat Rock. Tenho até hoje a resenha de Pepe Escobar, amarelada, em frangalhos, que recortei da Folha de S. Paulo.

É o meu disco favorito do Clash e conheço cada barulhinho de cor e salteado. É o famoso disco que eu matava aula para ouvir.

Tudo aos contrários, só fui comprar meu vinil do London Calling em 1983, já morando em São Paulo, acho que na Hi-Fi da rua Augusta. Se não me engano, comprei junto com Rio do Duran Duran, Black And White dos Stranglers e o primeiro dos Specials, gastando minha grana de aniversário de 18 anos.

Eu era eclético e não sabia.

Perto dos outros discos do Clash que eu tinha ouvido, London Calling era bem simples, direto e reto. Mas é uma música melhor que a outra, e principal, elas funcionam melhor ouvidas uma na sequência da outra.

Como Combat Rock, não tem sentido ouvir uma faixa isolada de London Calling. Tem que ouvir todas na ordem correta. Se der para virar de lado a para b, melhor ainda.

Pra completar tem a melhor capa de disco do rock. Minha mulher me deu a camiseta outro dia, Paul Simonon malhando o baixo no palco. O que o Clash uniu, nada separa.

O Clash acabou em 86 e nunca fez uma tour de reunião. Felizmente. Eu sabia que isso nunca ia acontecer. Foi porque o Joe Strummer deu o contra. Ele morreu em 2002 e uma turnê caça-níqueis dessa nem tem mais como acontecer.

Eu prefiro meus heróis nas páginas dos gibis e sei que a história não é feita por grandes homens, mas tenho orgulho de pisar no planeta onde Joe Strummer viveu.

O Clash é a banda que me fez pensar grande, ser valente, cortar o cabelo, não entrar em igrejinha, detestar bicho-grilo, largar Piracicaba, ir pra vida de peito aberto, com medo e com um tesão louco.

É a banda da minha geração, a banda que nos gerou, minha turma, meus irmãos. Quando a vida está cinza e a rotina anestesia, Londres me chama, me incendeia – acende o fogo nas minhas veias.

ENTRE PRA TURMA

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