A exaltação do vexame

Por Geovane Belo (*)

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Nunca mais me interessarei por futebol paraense. Principalmente por considerar um disparate a alegria do torcedor estar restrita somente ao fracasso do rival. Remo e Paysandu não são potências, não têm mais nenhuma envergadura nos campeonatos nacionais. Nosso sucesso é a queda adversária. É a exaltação do vexame. Os torcedores vibram com migalhas, pois não têm mais o que comemorar com a própria camisa. É uma luta só de perdedores.
As duas maiores torcidas do Norte se alimentam de ilusões, enquanto a lama administrativa destrói a história e o presente dos clubes. O futebol praticado do Norte não tem projeto, não produz suas estrelas, na verdade, só as apaga. Isso porque não temos categorias de base, não desenvolvemos os diversos jogadores de um estado que tem tamanho de um país. Há décadas, vemos a preferência pelo contrato de jogadores de outros Estados, em pior fase, em fim de carreira. Ganha unicamente quem negocia os passes.
A mídia ainda insiste em falar dos times, em polarizar as opiniões sobre quem é o melhor, porque ainda insistimos em torcer por memórias longínquas, a vitória do Papão em La Bombonera, a Copa dos Campeões e umas goleadas do Remo contra times que não sabemos o nome.
Em síntese, não temos mais clubes grandes, torcemos pela memória do que fomos ou achamos que fomos. Os dois times merecem a série C, os milhares de torcedores é que deveriam ver emergir um novo time no Estado, com condições administrativas e um projeto esportivo capaz de tornar realidade o orgulho que temos do Pará.

(*) Professor

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