A hora das responsabilidades

Remo 3×0 Manaus-AM (Felipe Gedoz)

POR GERSON NOGUEIRA

O confronto com o Confiança-SE no próximo domingo é a partida mais importante do ano para o Remo. A vitória significará a permanência na Série B e a garantia de um orçamento em torno de R$ 10 milhões no futebol profissional. Ao mesmo tempo, assegura a continuidade de um projeto de modernização iniciado com a aquisição do CT de Outeiro.

Por tudo isso, o jogo vale bem mais do que a simples satisfação de permanecer na Segunda Divisão. Representa a própria sobrevivência financeira e contábil do Remo nos moldes desenhados pela atual gestão. Voltar à Série C seria um abalo de dimensões catastróficas, com consequência direta no equilíbrio das contas do clube.

Todos os trunfos serão utilizados para que a vitória seja conquistada. O técnico Eduardo Baptista sinalizou para isso ao escalar o time titular para o jogo contra o Manaus pela Copa Verde, na quarta-feira (24).

Apesar dos riscos de lesões, Baptista preferiu apostar na busca de ajustes do modelo de jogo adotado desde sua estreia, contra o Goiás. Acertou em cheio. O time, que havia feito um bom jogo contra o Vasco em São Januário, mostrou encaixe ofensivo e venceu o Manaus por 3 a 0.

O triunfo valeu a classificação às semifinais da Copa Verde, mas o tempo todo o desempenho da equipe estava voltado para a decisão de domingo diante do Confiança. O esquema treinado é o de marcação forte no meio-campo, com direito à pressão na saída de bola do adversário.

Foi assim que o Remo imprensou o Manaus no primeiro tempo, encurtando distâncias e provocando erros. É o que seguramente será reproduzido domingo à tarde no Baenão contra um adversário tecnicamente mais qualificado, apesar de já rebaixado à Série C.

Além do esforço dos jogadores em assimilar e executar o planejamento tático, o time apresentou uma novidade interessante: o protagonismo de seu principal jogador. Felipe Gedoz, destaque da equipe ao longo do Brasileiro, caiu de rendimento nas últimas 12 rodadas. Com ele, desabou também o poderio ofensivo do Remo.

Diante do Manaus, Gedoz reassumiu o papel de líder técnico do time. Concentrou a armação de jogadas, apareceu na última linha do ataque quando necessário e chutou cinco vezes a gol. No primeiro tempo, mandou uma bola rasteira na trave do Manaus. Na etapa final, mais quatro arremates, todos com grande perigo.

Fazia tempo que o torcedor não via o camisa 10 tão empenhado em buscar o gol e conduzir o time à vitória. Quando age assim, Gedoz cresce e contribui para que seus companheiros apareçam mais. Neto Pessoa, Igor Fernandes e Lucas Tocantins se beneficiaram diretamente disso.

Além do camisa 10, Baptista tem ainda Erick Flores como trunfo importante para tornar o jogo mais ágil e objetivo se entrar jogando ou se for lançado no 2º tempo, como ocorreu na partida de ontem.

Remo tenta aumentar a capacidade do Baenão

A diretoria do Remo solicitou ontem à Prefeitura de Belém o aumento da capacidade permitida de público no estádio Evandro Almeida para o jogo contra o Confiança, encerrando a Série B. Hoje, com 50% da lotação, são oferecidos cerca de 6.900 lugares.

Caso a PMB conceda a permissão, serão postos à venda novos lotes de ingressos. Até ontem, todos os ingressos disponibilizados ao público foram vendidos. Restam apenas bilhetes para sócio-torcedor, gratuidades e meia-entrada para estudantes.

Papão perde a principal referência da defesa

Sem festas ou homenagens, o zagueiro Perema anunciou ontem sua saída do PSC após defender o clube por cinco anos. Aos 29 anos, ele vai em busca de outros rumos em 2022. Não revelou, na entrevista à Rádio Clube, se já tem outro clube em vista, mas é provável que tenha proposta de um outro clube paraense ou de times da Série C.

No ato de despedida, um desencontro de informações turvou ainda mais a relação com a diretoria. Há dias, o presidente do PSC, Maurício Ettinger, informou que havia firmado um aditivo contratual com o jogador para o restante da Copa Verde. O contrato termina no dia 30 de novembro.

“Tudo que saiu nos noticiários dizendo que eu tinha assinado o aditivo é mentira. O que eu sempre disse foi que iria cumprir meu contrato, e só. Na primeira reunião que eu tive com a diretoria, depois do jogo contra o Castanhal, já havia deixado bem claro de que não ficaria depois do dia 30”, afirma Perema.

Com a camisa alviceleste foram 173 jogos, sete gols e uma assistência. Ganhou três títulos estaduais e um da Copa Verde, como capitão. A perda do acesso à Série B, com direito a episódios vexatórios, como a invasão de campo por parte da torcida no jogo com o Ituano, deixou mágoas no santareno Perema.

Revela o sentimento de medo e impotência: “Eu me senti um lixo, foi um sentimento muito ruim. Porém, saio com a consciência de que fiz o meu melhor, dei o meu máximo nos jogos”. Sobre o futuro no futebol, sigilo absoluto.

Para o Papão, o adeus de Perema é uma perda de grande porte na disputa das semifinais da Copa Verde. Apesar de algumas oscilações na Série C, Perema era a referência da defesa e foi titular absoluto nos últimos anos. Sem ele, Wilton Bezerra terá como opção de zaga para o Re-Pa a dupla Yan-Vítor Salinas. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 26)

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