O pulso ainda pulsa

POR GERSON NOGUEIRA

Remo empata com o Vasco, pela Série B do Brasileiro — Foto: Samara Miranda/Ascom Remo

Futebol é esporte coletivo, mas em algumas situações o comportamento de um atleta pode definir resultados ou contribuir para determinados desfechos. Foi exatamente o que aconteceu, sexta-feira à noite, em São Januário, quando o Remo esteve perto de vencer o Vasco, mas acabou prejudicado pela expulsão infantil do atacante Victor Andrade – ele já tinha cartão amarelo e tomou o segundo após entrada violenta em Sanchez.

Andrade errou pela ação inopinada. O técnico Eduardo Baptista errou por omissão. Deveria ter substituído o jogador, recordista de cartões amarelos (9) e vermelhos (3) na competição. A insistência em permanecer com o atacante até a metade do 2º tempo custou caro ao Leão, que tinha o jogo mais ou menos controlado e a vantagem de 2 a 1 no placar.

A vitória parcial foi construída na etapa inicial, quando o Remo foi superior em movimentação e intensidade. Começou pressionando muito e conseguiu duas finalizações perigosas antes dos 10 minutos de jogo.

Aos 30’, em lance iniciado por Erick Flores junto ao meio-campo, a bola foi lançada para Victor Andrade pela direita. Ele cruzou rasteiro e Neto Pessoa finalizou para as redes. Quatro minutos depois, o centroavante teve outra grande oportunidade, mas furou na hora do arremate.

Erick Flores, melhor em campo e principal jogador azulino, participou também do lance do segundo gol, ao dar um passe de calcanhar para Lucas Siqueira, que se aproximava da grande área. O volante dominou e chutou forte, a bola desviou em Rômulo e entrou no canto esquerdo da trave.

O Remo se distribuía bem em campo e provocava seguidos erros da zaga do Vasco, que demonstrava intranquilidade. Nos minutos finais, um descuido na marcação permitiu o gol vascaíno, marcado por Léo Matos, aparando de cabeça escanteio cobrado por Nenê.

Para o 2º tempo, o Remo voltou com uma estratégia conservadora – e perigosa. Posicionou-se atrás da linha da bola, atraindo o Vasco para o seu campo. A ideia era explorar os contra-ataques. Só deu certo nos primeiros minutos. Aos 8’, Victor Andrade escapou pela esquerda e foi agredido por Morato, que não recebeu o cartão vermelho.

Eduardo Baptista resolveu fazer as primeiras mudanças, trocando Neto Pessoa por Renan Gorne e Erick Flores (cansado) por Rafinha. Além de improdutivas, as trocas foram erradas. O Remo não precisava de um centroavante parado no ataque. A mexida mais adequada era a substituição de Andrade por Lucas Tocantins.

A escolha infeliz do técnico se mostraria desastrosa minutos depois. Andrade tentou desarmar Sanchez junto à linha do meio-campo e acabou derrubando o adversário com violência. Pegou o segundo cartão e desfalcou o Remo em momento crucial do jogo.

O Vasco, que era um bando em campo, ganhou ânimo novo e partiu para o abafa. Conseguiu o empate já aos 36’, através do paraguaio Galarza, aparando um rebote de Kevem após cruzamento de Léo Matos. O Remo estava todo atrás tentando compensar a inferioridade numérica.

Depois de sofrer o gol, Baptista ainda tentou fortalecer o ataque com Lucas Tocantins e Ronald a 10 minutos do final. Não adiantou. A equipe não tinha organização e nem velocidade para ameaçar a última linha vascaína.

Apesar da frustração por não alcançar a vitória que estava ao alcance da mão, o Remo continua vivo na competição. Depende de tropeços de Londrina (perdeu para o Vila Nova) e Vitória para depender exclusivamente de suas forças na última rodada diante do Confiança.

Sobre irresponsabilidades e falta de foco

A trajetória do Remo na Série B é marcada por muitas oscilações. A primeira foi logo no começo do campeonato, ainda sob o comando de Paulo Bonamigo. O time foi parar na zona do rebaixamento, de onde só saiu pelas mãos de Felipe Conceição.

Com o novo técnico, o Remo chegou ao 8º lugar na classificação no começo do returno. Aos poucos, porém, a sequência de lesões tirou a força e a qualidade do time, que entrou numa espiral de baixo rendimento, culminando com a saída de Conceição na 35ª rodada.

Eduardo Baptista assumiu com a missão de salvar a pátria em três jogos. Ainda não cumpriu a meta, ganhou apenas um ponto em seis disputados, mas pode tirar o Remo do sufoco com uma vitória na rodada final.

A queda vertiginosa deve deixar lições preciosas aos dirigentes, principalmente quanto à escolha dos atletas. Victor Andrade (dispensado pelo clube) e, em escala menor, Felipe Gedoz são exemplos de falta de comprometimento, pecado capital em competição tão difícil quanto a Série B.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa na RBATV, a partir de 19h15, excepcionalmente. Participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. A edição é de Lourdes Cézar.

Busca por executivo divide opiniões no Papão

O PSC está diante de uma encruzilhada. Contratou Ricardo Lecheva para ser o coordenador técnico, mas busca no mercado um executivo de futebol. A primeira opção, pelo que se comenta na Curuzu, é Ari Barros, que está no Náutico e já trabalhou no Remo.

Uma alternativa é Vandick Lima, ídolo como jogador e ex-presidente do clube. Seu nome é defendido por muita gente, inclusive conselheiros, mas a diretoria parece não digerir bem a ideia, embora não expresse motivos claros para o veto.

Enquanto isso, o elenco segue em processo de desmanche após a Série C, o que deixa um rastro de insegurança quanto à participação na semifinal da Copa Verde contra Remo ou Manaus. 

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 21)

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