Como ser feliz e rico

Por André Forastieri

“É um absurdo querer ser feliz no trabalho. As empresas te pagam justamente para comprar tua felicidade. Você pegar seu tempo, sua felicidade, e troca por dinheiro. Aí as empresas pegam a sua felicidade e põem no produto que vendem. Você usa seu salário pra comprar produtos, ou seja, pra comprar felicidade. E o ciclo continua.”

Assim explicava o capitalismo meu amigo Beto Melo. Cresceu em tradicional família de oposição, foi trotskista na juventude, virou “patrão”, sócio de uma grande editora, e manteve alma de artista a vida toda.

Esse parágrafo aí o Beto sempre repetia aos funcionários que iam lhe chorar as pitangas, que não estavam felizes no trabalho e tal. Era uma maneira transversa de dizer “relaxe, ninguém é feliz no trabalho, isso é balela de guru americano”.

É. Eu sempre fui feliz nos meus trabalhos, no conjunto da obra, e tive muitos momentos de infelicidade no dia a dia. Tá mais que bom, e certamente foi melhor que pra maioria mundo afora.

Trabalhar dá trabalho. Exige muitíssimas horas, convivências indesejáveis, negociações intragáveis, frustrações certeiras, trânsito diário, hora extra, almoço no quilão caído. Mesmo que você esteja no emprego que sempre sonhou, ganhando bem etc.

É por isso que a empresa te dá dinheiro. Quanto te pagam, é trabalho; quando você é que paga, é lazer.

Por profundas razões que um analista jamais descobrirá, sempre fui mais cioso do meu tempo do que do faturamento. Mas sempre fui realista com grana. Quando ganhei uma boa bufunfa, e quando perdi também.

Sempre trabalhei de olho em faturar o máximo possível, dentro do que eu me proponha e me permitia fazer, existencial & eticamente, e principalmente em termos do tempo. Nunca deixei de viver a vida, nunca deixei de tirar todos os fins de semana possíveis, ou de viajar sempre que dava.

Sim, eu sempre quis ganhar bem pra fazer revista de rock, Herói, Smack!, gibi do Sandman e Dragon Ball, pra trazer a EGM e a PC Magazine e o dublador do Mario pro Brasil, pra promover o concerto Video Games Live, pra publicar livros de política ultra-radical na coleção Baderna etc. e tal.

Mas nem sempre fui, claro. Não em grana. Em tempo, sempre fui, se não rico, pelo menos abonado.

Não é porque você gosta do que faz que é obrigado a fazer de graça. Ou só os empregos pesados e puxados deveriam pagar salário?

É certo que o cuidador de idoso deveria ganhar melhor do que um jornalista, ou o gerente de compras da Megacorp Inc. A responsabilidade dele é maior. Chegamos lá. Mas enquanto a gente vai mudando o mundo, também temos que ir defendendo o nosso pros boletos.

Eu matuto muito sobre essas questões ligadas a trabalho. Porque são questões conectadas umbilicalmente com outra questão chave. Como usar da maneira mais produtiva e satisfatória meus recursos mais importantes, que são energia, atenção, dinheiro, e tempo.

Até porque são quatro coisas que não aguentam desaforo. Às vezes acabam, e rápido. Às vezes, de repente.

O tempo do Beto acabou em 2018. Virou um dos meus defuntos queridos. Um dia conto como compramos a mesma jaqueta, no mesmo dia, sem saber um do outro – em Buenos Aires.

Você não chega a este equilíbrio de maneira natural ou mágica. Tem que se esforçar, se organizar, planejar pra isso – fazer o “dever de casa”. Tem que investir nisso – investir tempo.

Não é à toa que fundei uma comunidade dedicada a este desafio, e batizei de “Homework”.

Trabalhar para viver, e não viver para trabalhar; difícil fazer, fácil falar.

Pensei nisso tudo por causa do nosso podcast…

OUÇA

Esta edição do Amigos, Barcinski, Forasta e Paulão.

É a última do ano.

Talvez a última pra sempre – mas espero que não. Aliás, confio que não. Aposto que ele continua, porque sei que muita gente gosta bastante do podcast. Talvez, você.

Está no ar o pré-lançamento da nossa campanha no Catarse. Ela vai até o dia 13 de janeiro, quando colocaremos a campanha de fato no ar.

Nosso objetivo é arrecadar um valor mínimo pra produção do ABFP. Não será muita grana, e será dividida por quatro – os três que aparecem, e mais nosso produtor Djeferson Ferreira.

(O Álvaro vai ficar chupando o dedo. Mas pra compensar, botei essa foto de nós todos juntos, quando gravamos o primeiro podcast. Foi a última vez que nós quatro nos encontramos, semanas antes da pandemia estourar).

O fato é que fazer o ABFP leva duas a três horas semanais de cada um de nós, entre preparação, produção e edição. É um prazer fazer? Claro. Tanto que fizemos 57 edições sem ganhar nada (e nem vou falar das décadas do programa Garagem).

A gente quer o seu apoio pra usar bem o nosso tempo. Que é pegando umas horinhas preciosas e fazendo um podcast que amamos fazer, e muita gente curte também.

Quem tem amigos também é rico.

Neste programa, a gente explica nossas razões pra lançarmos a campanha de crowdfunding.

O tema desta semana é… despedidas.

E o link pra você deixar seu email, e ficar informado sobre a campanha, está aqui. Inscreva-se IMEDIATAMENTE!

LEIA

O novo de Guy DeLisle, “Crônicas da Juventude”.

Guy é o eterno outsider curioso. Retratando seu cotidiano, busca conectar com os destinos inesperados para onde é carregado pelo trabalho de sua esposa na ONG Médicos Sem Fronteira – Pyongyang, Shenzhen, Jerusalem, Miyanmar.

Mas desta vez, o lugar exótico que ele visita é o final de sua própria adolescência. Especificamente os verões que passou trabalhando na mesma fábrica de papel que seu pai, em Quebec. Muito seco, muito verdadeiro, para todas as idades.

E aqui tem uma entrevista do Guy sobre seus “factory summers”.


ASSISTA

O filme “22 de julho”, se é que ainda não viste. É sobre o massacre na Noruega em 2011, quando um criptonazista esquizofrênico assassinou 77 pessoas, a maioria jovens. O filme sabe ser eletrizante e inteligente, marca do diretor Paul Greengrass em outros thrillers políticos como “United 93”, “Capitão Philips” e “Domingo Negro”.

Nesta terça, oito da noite, participo de um debate online sobre “22 de julho”, com o psicanalista e professor da Unicamp Roosevelt M.S. Cassorla, com mediação da escritora e também psicanalista, Luciana Saddi. É parte do Ciclo de Cinema e Psicanálise, parceria da Folha de S.Paulo com o MIS e a Sociedade Brasileira de Psicanálise.

Agradeço a Folha pelo convite, e estás convidada. De graça, no canal do YouTube do MIS.


E FALANDO MAIS UM POUCO EM TRAMPO

Talvez você queira controlar mais a maneira como é visto no mercado. Talvez esteja precisando de um emprego, ou trocar de emprego, ou uma promoção. O LinkedIn pode te ajudar muito. Sério mesmo.

Olha aqui um baita argumento para experimentares meu curso “LinkedIn Power”: se você não curtir, tens uma semana pra pedir seu dinheiro de volta, e receberás. Sem precisar justificar nem coisa nenhuma. Pá-pum.

Mas aqui tem mais uma pá de argumentos muito bons – é ou não é?


WORK HARD

Play hard!

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