Morre Sebastião Tapajós, um gênio paraense do violão

O violonista Sebastião Tapajós, em 2006 Foto: Camilla Maia / Agência O Globo

O Governo do Pará decretou luto oficial de três dias pela morte do violonista Sebastião Tapajós. A informação foi compartilhada nas redes sociais do governador Helder Barbalho. “Decreto luto oficial de três dias pelo falecimento do nosso eterno violinista, Sebastião Tapajós”, destacou. Mais cedo, Helder já havia publicado no Twitter sobre a morte de Sebastião: “Acabo de receber a triste notícia do falecimento de Sebastião Tapajós. Nascido em Alenquer, foi considerado um dos maiores violonistas do mundo. Meus profundos sentimentos à família e amigos de nosso eterno Tião!”

Nascido no interior de um barco, às proximidades de Alenquer no oeste do Pará, Sebastião iniciou sua trajetória com o violão ainda criança, em Santarém, sendo considerado um dos mais talentosos violonistas do mundo. Aos 78 anos, o músico se recuperava de uma cirurgia, teve alta do hospital da Unimed em Santarém e sofreu um infarto, morrendo no início da noite deste sábado (2). O corpo de Tapajós será velado na Casa de Cultura de Santarém.

CARREIRA BRILHANTE

Consagrado nas casas de espetáculos da Europa, Sebastião lançou uma série de LPs, solos e com grupos e tocou com artistas da MPB como Hermeto Pascoal, Jane Duboc, Waldir Azevedo, Paulo Moura, Sivuca e Maurício Einhorn. Entre os astros internacionais com quem se apresentou estão o saxofonistas Gerry Mulligan e Paquito D’Rivera, o bandoneonista e mestre do tango Astor Piazzolla e o pianista Oscar Peterson.

Sebastião Pena Marcião nasceu em Alenquer, em 16 de abril de 1943. Aprendeu violão com o pai e começou a tocar profissionalmente aos 10 anos de idade no conjunto de baile Os Mocorongos. Depois de estudar música em Belém, Rio de Janeiro e Lisboa (onde formou-se pelo Conservatório Nacional de Música), ele se fixou no Rio, começou a se aprofundar na música folclórica brasileira e lançou seu primeiro LP solo “Violão e Tapajós”, lançado pela Philips.

Em 1971, Sebastião Tapajós realizou, junto com Paulinho da Viola e Maria Bethânia, uma turnê pela Europa que depois virou LP (“Nova bossa nova”, de 1972). Enquanto se apresentava pelos palcos do mundo, lançava LPs como “Guitarra Fantástica” (1974, que levou o prêmio do Disco Estrangeiro Mais Vendido no Ano pela RCA da Alemanha), “Guitarra Latina” (1975), “Terra” (1976), “Clássicos da América do Sul” (1977), “Guitarra & amigos” (1977) e “Xingu” (1979).

Em 1979, o violonista começou a levar músicos brasileiros para tocar com ele no exterior, como o gaitista Maurício Einhorn, Joel do Bandolim, os percussionistas Pedro Sorongo e Djama Correia, além do Zimbo Trio, que atuou em turnês de Sebastião ao longo de dois anos.

Em 1999, ele deixou sua base no Rio de Janeiro e voltou a morar em Santarém, 40 anos depois de sair da região oeste paraense. Consagrado no Brasil e principalmente no exterior, tendo lançado 67 LP’s, o instrumentista realizava um sonho acalentado durante décadas, que era o de voltar à região onde nasceu.

Sempre ligado à cultura e aos sons da Amazônia, o violonista realizou, entre 1998 e 2001, uma série de estudos dos ritmos da região, que resultou em quatro CDs independentes: “Encontro com a saudade”, “Instrumental caboclo” (trilha sonora do filme “Lendas amazônicas”), “Solos da Amazônia” e “Solos do Brasil”, esse último em parceria com Hermeto Pascoal e Gilson Peranzzetta.

No Twitter, o escritor Luiz Antônio Simas prestou seu tributo ao músico: “Sebastião Tapajós partiu. Um gênio da música brasileira, com seu violão amazônico de espantosa beleza. Aqui vai uma de suas composições que mais me comovem: ‘Navio gaiola’, com o próprio Tapajós e Nilson Chaves. Esse álbum todo, aliás, é lindo”.

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