Quando o óbvio se impõe

POR GERSON NOGUEIRA

Foto: (Fernando Torres)

De iniciante “em formação”, como definiu o técnico Roberto Fonseca há quatro rodadas, o centroavante Danrlei consolidou merecidamente no sábado à noite a condição de melhor atacante do PSC. Nem há o que discutir. Certamente ele seguirá sendo preterido em favor de Rafael Grampola, Tiago Santos, Robinho & cia. Técnicos resistem a mudar de ideia, reconhecer equívocos e assumir enganos.

O clamor aumentou desde que ficou clara a imensa dificuldade que o Papão apresentava na finalização de jogadas. Não basta ficar cruzando dúzias de bolas na área adversária se não há alguém capacitado a aproveitar.

Muitas vezes parece haver um acordo tácito entre técnicos e atletas forasteiros sempre difícil de romper. As partes se afinam no sentido da autoproteção e da confiança absoluta, mesmo que o time se lasque todo em campo por falta de gente competente para fazer o básico.

Sim, Danrlei é um atacante de recursos, mas não é um fora-de-série, até porque não existem foras-de-série jogando na Série C. Sabe finalizar, como ficou provado no tiro firme que entrou na gaveta da trave do Manaus. É um cabeceador aplicado. Desloca-se e abre espaços na defesa adversária.

Causa espanto é que todos soubéssemos disso e o cara que ganha para avaliar e escolher os melhores jogadores do elenco não tenha percebido as utilidades de Danrlei para o time. Espera-se que, a partir do que ocorreu no segundo tempo contra o Manaus, essa obviedade se imponha.

Quanto ao jogo, o equilíbrio define o que houve na Curuzu, com a vantagem para o Papão de ter sido objetivo e prático. Não sem cometer alguns erros que poderiam ter levado a prejuízos sérios. As laterais permitiram, com frequência, avanços do Manaus e cruzamentos perigosos.

A cobertura da zaga não esteve bem. Parecia haver hesitação permanente entre Marino e Jhonatan sobre as funções de marcação. Graças a isso, Daniel Costa andou flutuando sem ser incomodado, Rafael Lucas e Gabriel Davis tiveram excessiva liberdade para chegar à área e chutar várias vezes.

Esses foram os problemas, mas a atuação do Papão teve méritos que justificam a vitória. A dinâmica na saída de bola derivou principalmente da presença de José Aldo, finalmente um jogador com perfil de articulador. Foi assim que nasceu o primeiro gol, aos 12 minutos. O meia deu assistência primorosa colocando Rildo em condições de marcar.

O final do primeiro tempo e o começo do segundo foram dramáticos para o setor defensivo do PSC, que bambeou e quase cedeu o empate em três ocasiões. A zaga não achava um jeito de marcar Rafael Lucas, Gilson e Daniel Costa, que trabalhavam até os limites da área com muita folga.

Aos 7 minutos do 2º tempo, Edvan quase empatou, mas Victor Souza se saiu muito bem. As coisas só se tranquilizaram com o gol de Danrlei aos 19’. Lançado pela esquerda, ele deu uma finta curta nos dois marcadores e mandou a bomba, em curva, para ampliar o placar e definir a partida.

O jogo acabou, o Papão confirmou a liderança no Grupo A e ficou a pergunta pairando no ar: como o baionense Danrlei foi mantido 45 minutos no banco olhando Grampola parado em campo, quando a partida exigia um centroavante disposto e rápido?

Com VAR e torcida, 2ª fase vira outra competição

A próxima fase da Série C, a que define o acesso, ganha a importante contribuição do VAR. Como na Série B, a entrada em cena do árbitro de vídeo tende a tornar mais justas as decisões dos árbitros, com direito a exceções dolorosas. A volta do público aos estádios é outro fator que pode fazer a diferença na reta final da competição.

O Grupo C terá PSC (1º do grupo A), Ituano (2º do B), Botafogo-PB (3º do A) e Criciúma (4º do B). O Grupo D será constituído por Novorizontino (1º do B), Tombense (2º do A), Ypiranga-RS (3º do B) e Manaus (4º do A), com jogos de 2 de outubro a 7 de novembro.

Talvez o maior favorito seja o Novorizontino, pela pontuação na fase inicial e pelo desempenho em campo, mas a rigor todos têm chances reais de conquistar o acesso, o que torna a disputa particularmente empolgante.

Pela performance na reta final da fase classificatória, com duas vitórias fundamentais após a goleada vexatória frente ao Ferroviário, o PSC entra na briga direta pelo acesso em condições de se situar entre os primeiros do Grupo C, principalmente com o reforço da torcida Fiel.

Leão não lucra na bilheteria, mas fatura em incentivo

A renda do jogo Remo x Náutico, que marcou o retorno de público ao Baenão, pela 26ª rodada da Série B, foi de R$ 54.475,00 com 1.699 pagantes. Como as despesas somaram R$ 54.801,46, o prejuízo foi de R$ 326,46. Se não houve lucro, houve um excepcional ganho em incentivo proporcionado pelo Fenômeno Azul. É o chamado valor agregado.

Como houve liberação de apenas 30% (4.100 torcedores) da capacidade do Baenão, o clube se viu obrigado a aumentar para R$ 140,00 o preço do ingresso. A torcida compareceu, mas a carga de bilhetes se dividiu entre sócios-torcedores, gratuidade em geral, ingressos do Jogo da Luz, meia-entrada e ingressos normais.

As despesas com a organização da partida consumiram a receita obtida e para o próximo jogo os preços serão os mesmos, segundo a diretoria. No dia 4 de outubro, o Remo recebe o líder Coritiba no Evandro Almeida.

Cruzeiro perde outra e “professor” arma confusão

Verde de raiva como a própria camisa promocional, o Cruzeiro não aceitou a derrota para o CSA ontem, em Belo Horizonte, e partiu para a ignorância, pilhado pelo “professor” Vanderlei Luxemburgo. Jogadores alagoanos foram agredidos à saída de campo porque os cruzeirenses se irritaram com a comemoração. Era só o que faltava.

Cabe observar que, diante do Operário-PR, o Cruzeiro armou o maior sururu com endosso e participação de Luxa, que até o momento tem sido poupado pelos árbitros e nem pelo STJD. De tropeço em tropeço, o time mineiro vai ficando para trás, quase já sem chances de acesso. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 27)

6 comentários em “Quando o óbvio se impõe

  1. Impressionante esse chororô da diretoria remista sobre o prejuízo contabilizado no jogo contra o Náutico. Que mal pergunte, os jogos sem público pagante até então davam lucros? Sei de muita gente, eu no meio, que ainda vai demorar bastante para se arriscar a ficar no meio de aglomerações de torcidas de futebol.

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    1. Não considero “choro” dos dirigentes, amigo Miguel. É mais uma forma de pressão para liberar mais público, a fim de baratear o preço médio dos ingressos. Por enquanto, porém, a Prefeitura não deve aumentar o percentual – e está certa.

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  2. Gerson, chamar R$ 326,46 de prejuízo, para quem nada arrecadava há mais de 1 ano, é patético. No máximo, um empate técnico entre receita e despesa !!
    Prejuízos maiores nossos clubes vem acumulando, há décadas, por contratações equivocadas, sem critérios empresariais, com salários fora da realidade econômica do clube, do Estado e da Região. Pior ainda, é pagar salários atrasados a jogadores aventureiros, sub-40, bichados, com multa+juros+correção monetária, no TRT/8…!!!

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