Vexame na conta do técnico

POR GERSON NOGUEIRA

Ferroviário-CE goleia o Paysandu por 5 a 1, no estádio da Cidade Vozão

Goleada é acontecimento raro na Série C. Os times se fecham, marcam muito e raramente permitem placares mais dilatados. A maior do grupo A tinha sido Volta Redonda 5 x 0 Manaus na 2ª rodada. Quis o destino que a segunda vitimasse o PSC, ontem, no CT do Vozão, na região metropolitana de Fortaleza.

Pela correlação de forças e nível técnico, não era para tanto, mas o jogo expôs uma diferença de atitudes que justificam o placar elástico. O Ferroviário entrou como se fosse uma final de Copa do Mundo, para matar ou morrer. O PSC parecia estar a passeio. O resultado desastroso espelhou a movimentação em campo.

O empenho do Ferrão na busca pelo gol deu resultado logo cedo. Aos 6 minutos, Mauri mandou um tiro forte no canto direito de Victor Souza aproveitando corte errado de Vítor Salinas. O bombardeio não parava. Aos 8’ e aos 9’, dois ataques perigosos quase terminaram no barbante.

A zaga do PSC era um pandemônio. Ninguém se entendia, nem por cima, nem por baixo. Denilson e Salinas estavam perdidos e pela esquerda da zaga Diego Matos, sem proteção, era ultrapassado a todo momento. O meio-campo não existia, nem para defender e muito menos para criar.

Aos 11 minutos, o segundo gol. Emerson Souza lançou Edson Cariús na área. Ele protegeu a bola, Salinas não conseguiu interceptar e o chute saiu rasteiro, com endereço certo. O PSC só conseguiu sair de seu campo aos 14’, quando Rildo avançou pela esquerda, sem concluir a jogada.

O Ferroviário reduziu a intensidade e com isso o PSC finalmente respirou. Entre os 25 e os 35 minutos, ensaiou uma discreta pressão, ameaçou com uma bola desviada por Leandro Silva e um chute rasteiro de Ruy.

Antes de terminar a primeira etapa, o Ferrão foi lá de novo e anotou o terceiro gol. Um cruzamento da direita e Mauri se antecipou para testar em direção às redes. Os zagueiros ficaram olhando o lance acontecer.

Para o 2º tempo, o técnico Roberto Fonseca lançou Danrlei e Luan Santos no lugar de Tiago Santos e João Paulo. Uma tímida tentativa de corrigir a confusa escalação inicial. Não mexeu, porém, na caótica defesa. Logo aos 8 minutos, Ruy descontou cobrando pênalti cavado por Leandro Silva.

O PSC esboçou uma tentativa de reação, mas ficou só na vontade. Aos 22 minutos, o ex-azulino Dioguinho botou a bola na área para cabeceio mortal de Vitão, configurando a goleada. Depois de dois bons ataques com Diego Matos e Luan, o time bicolor se entregou de vez.

Sem pressa, o Ferroviário passou a administrar o tempo. No minuto final, Dioguinho construiu a jogada para Aperibé fechar a goleada. Poucas vezes nesta Série C se viu um abismo tão gritante entre duas equipes. O PSC não parecia atento à importância do jogo. O Ferrão, ao contrário, jogou bem e poderia ter vencido por placar até mais amplo.

Os bicolores erraram muito, aceitaram passivamente o domínio do Ferroviário, mas a responsabilidade maior cabe ao técnico, que inventou uma formação estranha. João Paulo, sumido há tempos, foi escalado. Perema ficou no banco. Danrlei, Fazendinha e Ratinho custaram a entrar.

Leão anuncia nomes para compor meio e ataque

Duas contratações necessárias e pontuais foram anunciadas pelo Remo nos últimos dias para fortalecer o elenco no returno da Série B. Na semana passada, o centroavante Neto Pessoa, ex-Botafogo de S. Paulo e Ipiranga, chegou e foi apresentado. Iniciou treinamentos e já está em condições de estrear diante do Avaí na quinta-feira.

Ontem, a diretoria divulgou a contratação do meia-armador Neto Moura, de 25 anos, que vinha jogando pelo Mirassol na Série C. É uma boa opção para compor o meio-de-campo, podendo revezar com Felipe Gedoz, Rafinha, Erick Flores e Mateus Oliveira.

O mais importante é que Moura vinha atuando como titular da equipe do Mirassol, com 27 partidas na temporada. Alagoano de nascimento, ele despontou no Sport-PE em 2014 e ficou até 2017.

Com os dois Netos, Felipe Conceição pode alcançar a regularidade que tanto persegue, mas que tem sido sabotada pelas muitas lesões e suspensões no time. Além da chegada da dupla, alguns jogadores podem reaparecer depois de longa ausência. Romércio e Erick Flores já estão na transição e têm chances de serem relacionados para quinta-feira.

Ao mesmo tempo, a zaga ganha a opção de Edu, cedido por empréstimo pelo Atlético-PR junto com o lateral-esquerdo Raimar, grata surpresa no jogo diante do Vitória.

Enderson, o responsável pela ascensão botafoguense

O prodigioso trabalho de Enderson Moreira tirou o Botafogo da zona cinzenta da Série B para brigar diretamente pelo acesso, como bem cabe a um clube campeão brasileiro e dono de tantas tradições. Com o novo técnico, que sucedeu a Marcelo Chamusca, foram nove vitórias em 11 partidas. 

Na terceira colocação, com 41 pontos, o Botafogo embalou e recuperou a expectativa de voltar à Primeira Divisão. O crescimento do time na competição é atestado pelos apontamentos do matemático Tristão Garcia. Segundo ele, as chances de acesso aumentaram de 63% para 74%.

Uma prova da vertiginosa reação botafoguense é que em agosto o time de Chay reunia apenas 26,5% de possibilidades de subir. Hoje, o Fogão fica atrás somente do líder Coritiba (92% de chances) e do vice-líder Goiás (79%). Avaí (31%) e Guarani (25%) vêm mais atrás.

Outro gigante do futebol brasileiro, o Vasco trocou Lisca Doido por Fernando Diniz, mas está no bloco intermediário, com apenas 4% de chances de acesso. O Cruzeiro está pior ainda, com 1% de chances de subir.

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 14)

2 comentários em “Vexame na conta do técnico

  1. O entregador de camisas Bicolor parece que juntamente com os jogadores não têm compromisso com o Paysandu.
    A reação dos atletas aos gols que se acumularam no decorrer da partida comprova isso
    Ontem era a chance de carimbar praticamente a passagem para a próxima fase.
    Se jogar novamente desse jeito, adeus classificação.
    E se classificar, também não passa para a série B a não ser que ocorra um milagre
    Eita time ruim de bola.
    Dá calo nos olhos, dor de dente em serrote, acompanhar os jogos do Paysandu.

    Curtir

  2. A célebre frase do jornalista Boris Casoy define na exata medida mais esse vexame do Paysandu: ” isso é uma vergonha” !!
    Vexames têm sido frequentes na Curuzu, lembrando que em maio/2016 o time também foi humilhado pelo Tupy (MG), pelo mesmo placar.
    Enquanto isso, para o presidente do clube, o treinador e seu cansado time Master – que não joga na sombra, e nem sob sol, continuam prestigiados….!!
    É bom lembrar que, em Teresina, urubu voa com apenas uma asa; com a outra se abana…!!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s