A ditadura da vaidade

POR GERSON NOGUEIRA

Pochettino: "Prefiro trabalhar na minha fazenda do que treinar Arsenal,  Barça ou Rosario Central"

O mundo se aboletou nas poltronas, nas cadeiras de bares e nas esquinas da vida para apreciar a estreia de Lionel Messi no Paris Saint Germain, domingo passado. Uma atração de altíssimo calibre para os exigentes paladares dos adeptos do futebol de alto padrão. Estaria em campo simplesmente o melhor do mundo, acompanhado de dois astros de primeira grandeza, Neymar e Mbappé.

Do adversário, o Reims, ninguém queria saber. O foco era outro. Expectativas todas centradas no trio fenomenal que custa aos cofres do PSG algumas montanhas de dinheiro. Aí, quando o relógio marcava 16h30 (horário de Brasília), os times estavam em campo e faltava alguém.

Tremendo anticlímax. Messi não começaria jogando. Cabe aqui contextualizar as coisas. Jogos do campeonato francês não figuram entre os mais atraentes do mundo, todos sabem. O que sustentava aquela formidável audiência era a promessa de ver algo que extrapola o próprio PSG.

Todos queriam ver três craques jogando juntos, um combo que pode vir a superar o endiabrado trio MSN – Messi, Suarez e Neymar –, que causou sensação no Barcelona, há algumas temporadas.

A plateia teria que se contentar com Neymar e Mbappé, segurando a espera por Messi, que só entrou no segundo tempo, para jogar por 30 minutos. O autor da presepada toda, Mauricio Pochettino, justificou com o fato de Messi ainda precisar de mais tempo para entrar plenamente em forma.

Até aí, tudo bem. Super craques realmente precisam estar 100% fisicamente. O problema foi a falta do chamado senso de oportunidade. Pochettino, argentino como Messi, devia saber que a plateia mundial de olho grudado naquele jogo tinha um só objetivo. Ele contrariou todas as normas básicas de captação de audiência.

Foi desrespeitoso com o público e pouco atento aos óbvios interesses de seu clube, que busca há tempos conquistar popularidade, daí o investimento pesado em grandes astros. O fato é que técnicos de futebol vêm se notabilizando ao longo da história por decisões equivocadas, quase sempre motivadas pela mosca azul da vaidade.

Messi entrou no final – e substituindo outra atração do time, o brasileiro Neymar. Com essa mexida, Pochettino desfez todas as ilusões quanto a uma apresentação do trio de ouro, mesmo que por tempo reduzido. Por sorte, Mbappé salvou o espetáculo marcando dois gols.

Uma equação mais aceitável seria utilizar Messi logo de cara, junto com Neymar e Mbappé. Mesmo que fosse substituído depois, o público não teria sido contemplado com tamanha desfeita. O pior de tudo é que havia a concreta possibilidade de ser a última partida de Mbappé pelo PSG.

Horas depois, a transferência de Mbappé para o Real Madrid acabaria desfeita. Para limpar a barra, Pochettino garantiu que os torcedores terão muito tempo para ver os três juntos. Falou como se fosse um mago capaz de antevisões no movediço tabuleiro de negócios do futebol mundial.

Na real, foi apenas uma exibição de mais um técnico em busca de visibilidade extrema no momento errado. Típico exemplo de treinador querendo aparecer mais que os craques. Sem o devido aplomb, Pochettino sinalizou que pode vir até a barrar um deles (Neymar?) por puro capricho.

O futebol é maior do que seus “professores”.

PSC x Santa com ares de “final”

Virou decisão. Um jogo que até semanas atrás parecia fadado a ser tranquilo, com óbvio favoritismo do PSC diante do lanterna da Série C, de repente virou um confronto decisivo, com ares de final – para o Santa Cruz. A vitória do tricolor pernambucano sobre o Volta Redonda mudou as expectativas do time para a partida em Belém.

Ainda na lanterna, com 11 pontos, o Santa passou a nutrir esperanças de escapar do rebaixamento. Está a um ponto do penúltimo colocado, Jacuipense, e a quatro do primeiro time fora da zona.

Em linhas gerais, depende de três vitórias em quatro jogos para afastar qualquer perigo de queda. Por isso, o jogo diante do Papão, no próximo domingo, vai fazer um jogo de vida ou morte, tudo ou nada.

Um problema a mais no rol de dificuldades que o técnico Roberto Fonseca tem pela frente nos próximos quatro compromissos na competição. Tem dois jogos em casa – Santa Cruz e Manaus – e dois fora, Ferroviário e Altos. Precisa vencer três para se garantir na próxima fase.

Da forma como o time vem jogando, com lentidão excessiva e problemas de finalização, serão quatro batalhas duríssimas. E o PSC tem baixas importantes para domingo. Diego Matos não tem retorno certo à lateral esquerda, Denilson se lesionou no último jogo e Perema está suspenso.

Rildo: uma pérola escondida na base do Grêmio

A torcida do Remo foi apresentada, na sexta-feira passada, a um desconhecido jogador de ataque. Rildo, meia-atacante do Brasil de Pelotas, de 21 anos, acabou com o jogo. Foi o melhor em campo, marcou um belo gol (depois anulado pelo VAR) e deu muito trabalho à zaga paraense. Rápido, driblador, dono de bom chute e presença na área.

Ficou no ar a pergunta óbvia: por que ninguém notou esse jogador no mercado? Simples. Ele estava no time sub-21 do Grêmio até algumas semanas atrás e estreou no Brasil justamente diante do Leão. É claro que o Remo, que busca atacantes desde antes da Série B, não tinha informações sobre ele.

O Grêmio cedeu Rildo por empréstimo ao Brasil até o final da Série B, sem opção de compra. Os dirigentes do Xavante haviam procurado o clube da capital gaúcha procurando jogadores jovens em disponibilidade. O nome de Rildo surgiu na prosa e o negócio acabou agradando a todas as partes.

Para a diretoria gremista, Rildo é uma joia da base e precisa adquirir rodagem. Para o Brasil, o meia é uma esperança de evitar o rebaixamento à Série C. Para quem acompanha futebol, Rildo é a prova de que bons reforços se escondem nas equipes de base dos grandes clubes.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 01)

Um comentário em “A ditadura da vaidade

  1. Os jogos das séries B, C e D, são de dar dor de dente em serrote.
    É um maltrato a bola que eu me pergunto se nossos dirigentes são incompetentes ou se estão lucrando com a contratação de tanto jogador ruim que não tem como evitar críticas pesadas aos elencos que observo.
    Vejo a nossa imprensa endeusar o Castanhal e quando se verifica o terrível baixo nível técnico dos adversários o tão badalado clube acaba ficando em xeque nesta situação.
    Os da série C não estão longe das críticas.
    Ver, e com muita boa vontade, as partidas desta terceira divisão não me dá a menor vontade de tecer comentário algum sobre os embates.
    O Paysandu está a quem das tradições de um time de garra, porque técnica é uma ofensa a palavra querer falar algo sobre o atual escrete alviceleste.
    O Remo na B, vem desempenhando satisfatoriamente sua campanha, está se mantendo longe do Z4 o que é muito bom para o futebol paraense, porém com um futebol abaixo da média.
    Na série A, apenas Flamengo, Atlético-MG e Palmeiras jogam um futebol de boa qualidade técnica.
    Mas cito que o Verdão está com o repertório manjado e sem alternativa diante dos atletas que tem.
    Não acredito num tricampeonato do Rubro Negro só se muita coisa estranha ocorrer na campanha do Galo que mesmo com alguns tropeços vem mantendo a liderança convincente.
    Foi-se o tempo que eu sentava com muito prazer para assistir uma partida de futebol.
    Hoje a missão é árdua por falta de coisa menos pior nos mais de mil canais de TV paga que também deixa muito a desejar.

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