Empate muda planos do Papão

POR GERSON NOGUEIRA

Roberto Fonseca, técnico do Paysandu — Foto: John Wesley/Paysandu

O PSC contava com os três jogos em casa – Floresta, Santa Cruz e Manaus – para pavimentar a classificação à segunda fase da Série C. Caso vencesse os três jogos, alcançaria 29 pontos atingindo a pontuação mínima necessária para avançar na competição. Depois do empate com o Floresta, sábado, os planos terão que ser refeitos. Fazer o dever de casa nos dois próximos jogos não será suficiente para classificar.

Para a importância do confronto em casa, o PSC atuou de maneira desleixada e pouco eficiente, sábado à noite, na Curuzu. O primeiro tempo mostrou o visitante bem mais focado, encaixando três bons ataques. Os bicolores até tentavam algumas manobras, mas sem objetividade. 

Os ataques se repetiam mecanicamente, sem inspiração. Tecnicamente, o jogo foi terrível de assistir, muito em função do mau rendimento do PSC no campo de ataque. Com a crônica dificuldade para criar jogadas, o time se aproximava da área, mas não sabia o que fazer quando surgia a necessidade de aprofundar jogadas. Pior: não arriscava finalizações.

Como nos jogos com Tombense e Volta Redonda, Jhonnatan ocupou a função de segundo volante, atuando mais avançado. Até tentou, mas o jogo não fluía. Não havia transição. Os outros volantes, Marino e Paulo Roberto, também participavam pouco do processo. Marlon, que podia ser a válvula de escape, não cumpria esse papel.

Sem jogadas pelo meio, Grampola e Rildo dependiam sempre das ações de Leandro Silva e Marcelo pelos lados. Bem vigiados, os laterais pouco produziam e a bola não chegava em boas condições aos atacantes. Não por coincidência, o 1º tempo terminou sem que o PSC desse um chute a gol.

A partida só ganhou em emoção no 2º tempo, depois que o Floresta chegou ao gol. O PSC havia mexido na zaga, saindo Denílson para a entrada de Vítor Salinas, mas logo aos 3 minutos o visitante achou o caminho das redes. E foi um golaço. Alison Mira tocou para o volante Jô encher o pé, acertando um belo chute, sem defesa para Victor Souza.

Roberto Fonseca fez nova mudança no Papão. Trocou seis por meia dúzia, substituindo Jhonnatan por Ruy, mas era o Floresta que seguia ameaçador com chutes de fora da área, principalmente com Primão.

Até que, aos 17’, o empate caiu do céu. Em jogada sem perigo claro de gol, Fábio Alves tocou Marlon dentro da área. O Papão ganhava a esperada chance do empate. Até nisso, o processo foi sofrido. Grampola se apresentou para cobrar, bateu forte no canto direito, mas o goleiro Tony defendeu. No rebote, o centroavante tocou para as redes.

Havia tempo mais do que suficiente para buscar a vitória, mas o PSC seguiu errante e desorganizado. Sem condução de bola pelo corredor central, a única via de chegada eram os cruzamentos e cobranças de falta. Marcelo bateu uma com perigo, aos 31’, e foi só.

Jogo ruim, resultado frustrante. Agora, para garantir classificação, o Papão terá que vencer dois jogos em casa e pelo menos um fora.

Via-crúcis de lesões força contratações no Leão

Quando o jogo terminou em Pelotas-RS, sexta-feira, o técnico Felipe Conceição fez um desabafo. Disse que está cada vez mais difícil conviver com tantas baixas no elenco. Tem razão. Contra o Brasil, foram três. Renan Gorne foi expulso, Kevem recebeu o terceiro amarelo e Lucas Tocantins se contundiu com gravidade no lance do gol de empate.

Tocantins foi vítima da violência que o Brasil impôs com a conivência da arbitragem. Atingido duramente por um defensor ao partir para o cabeceio, sofreu fratura no rosto. Foi operado ontem e deve voltar em outubro. São perdas significativas, que ampliam o prejuízo num elenco limitado demais para o Brasileiro.

Erick Flores, Romércio, Wellington Silva, Tiago Ennes, Fredson e Mateus Oliveira estão afastados. Pelo andar da carruagem, apesar da austeridade que a diretoria adotou quanto a contratações, o Remo terá que se reforçar. O centro da defesa só conta hoje com Kevem e Jansen. Por óbvio, um zagueiro precisa ser contratado.   

No meio, há necessidade de mais uma peça para revezar com Flores e o próprio Gedoz. No ataque, duas vagas a preencher: um centroavante, para o lugar que foi de Edson Cariús, e um atacante de lado para compensar a saída de Dioguinho e a perda temporária de Tocantins.

Além de contratar, o Remo terá que se cacifar com os deuses, a fim de evitar tantas contusões neste início de returno.

(Em tempo: houve quem não entendesse quando falei sobre o “consolo” representado pelas interferências do VAR no jogo de sexta-feira contra o Brasil em Pelotas. Comparei o fato de o jogo ter sido decidido pelo árbitro de vídeo, mas sem traçar paralelo com as trapalhadas da rodada anterior, que resultaram na derrota do Remo para o CRB. As revisões de lance em Pelotas foram pontuais e corretas, ao contrário das lambanças cometidas pelo VAR e pelo árbitro de campo em Belém.)

Messi estreia sem brilhar; CR7 está voltando para casa

A estreia é sempre um acontecimento especial. Ainda mais quando o melhor do mundo está em cena. Lionel Messi entrou em campo ontem contra o Reims, pelo Campeonato Francês. Pouco entrosado com o time, não chegou a brilhar. A estrela da tarde foi Mbappé, que está negociando saída para o Real Madrid. 

E Neymar, perguntaria o outro? Bem, o brasileiro foi substituído por Messi aos 20 minutos do 2º tempo. Não teve grande atuação, mas recebeu críticas exageradas da mídia esportiva francesa.

Cristiano Ronaldo retornando ao Manchester United faz mexer com a nostalgia dos fãs do futebol. O anúncio aconteceu na sexta-feira, com o mundo acompanhando pela internet. É mais finalizador do que o ponta rápido e forte da juventude, mas ainda capaz de comandar a caça ao título de Premier League e até mesmo da Champions.

O entorno será fundamental. Justamente o que faltou na Juve para que CR7 brilhasse mais. Na idade em que muitos estão aposentados (ou enganando), ele pode ser mais do que apenas um burocrático cobrador de pênaltis.

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 30)

Merval e as coxas de Lula

Merval e as coxas de Lula, por Eliara Santana

Por Eliara Santana*, no DCM

Há uma semana, comentei sobre o simbolismo – ou simbolismos – da linda foto de Lula e Janja sob o luar numa praia do Ceará. A foto nos toca por exaltar tudo aquilo de que temos muita saudade no Brasil da pandemia sem fim e do presidente incomível e descontrolado: afeto, alegria, praia, tranquilidade, disposição. Claro, a excelente forma física do ex-presidente não passa despercebida: aos 75 anos, Lula exibe coxas malhadas, difícil de ver em pessoas até mais jovens, especialmente na pandemia. Ou seja, está feliz e com capacidade física invejável para voltar ao Planalto.

Hoje, em sua coluna no Globo, Merval Pereira descobriu as coxas de Lula e deixou vazar o incômodo que a foto causou e está causando em várias hordas. O colunista se propõe então a elucidar para os não iniciados a “história política da foto”. Diz ele:

“Ricardo Stuckert estava lá, como está sempre há anos, acompanhando Lula. Mas o que estaria fazendo naquele momento de intimidade o fotógrafo oficial de Lula? Política, claro, para divulgar a boa forma física do ex-presidente, que aparecera em fotos anteriores com a fisionomia carregada, a cabeça branca”.

Merval poderia – e até acho que deveria sim – falar do significado político da foto. Como eu disse, ela ressalta a ótima disposição do candidato até o momento com o maior índice de intenção de votos para a eleição de 2022, um candidato de 75 anos que passou mais de um ano preso injustamente. Ao invés disso, ele reduz o significado político da foto a uma tentativa de dar um up na imagem de Lula, que tinha aparecido anteriormente com a fisionomia “carregada”.

A análise política da foto by Merval Pereira tem trechos ainda mais interessantes: “E não foi só sua coxa musculosa que chamou a atenção dos fãs. Estava de sunga, e houve até quem comemorasse, sob ela, o pressentido bilau do Lula. Essa demonstração de virilidade senil claramente não foi planejada, mas a certas fãs é um detalhe fundamental do mito”.

A partir dessa construção que ressalta o “pressentido bilau do Lula”, Merval passa a fazer um exercício textual mirabolante para falar de populismo e mitos populistas e ligar as coxas e o bilau de Lula a Putin, a Collor de Melo e até a Jair, o incomível. Coloca todo mundo, os que têm e os que não têm coxas pra mostrar, no mesmo balaio de gatos dos “mitos populistas”. E indaga, com aquele ar elitista de “cansei do Brasil”, “será que não vamos nos livrar  desses mitos populistas?”.  É uma construção tão pobre e sem criatividade que fiquei pensando se Merval pediu ao tio do churrasco para escrever em seu lugar.

Não contente com o resultado, Merval prossegue na salada, ligando Lula a Bolsonaro e misturando as coxas do ex-presidente com a regulamentação da mídia. E claro, em nome da pretensa preocupação com a volta do “populismo”, solta um recadinho para causar terror afirmando qeu qualquer um dos dois que voltar, Lula ou Bolsonaro, vai “dobrar a aposta”.

Não vou comentar a desonestidade dessa construção argumentava pífia e escandalosamente pobre, vazia de argumentos. Meu desejo é de que Lula dobre mesmo a aposta: ao invés de tirar 40 milhões de brasileiros da pobreza, tire 80 milhões; que triplique o número  de universidades e institutos federais; que torne o SUS uma potência; que trabalhe para o brasileiro voltar a ser feliz fazendo churrasco de picanha e tomando cerveja de qualidade.

E que Merval cogite parar de escrever tanta bobagem e vá para a academia. De ginástica, não de letras.

*Eliara Santana é uma jornalista brasileira e Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), com especialização em Análise do Discurso. Ela atualmente desenvolve pesquisa sobre a desinfodemia no Brasil em interlocução com diferentes grupos de pesquisa.

Airbnb oferece acomodação gratuita a 20 mil refugiados afegãos

mulher em acomodação

A plataforma online de serviço de hospedagem Airbnb disse que vai oferecer acomodação gratuita a 20 mil refugiados afegãos para ajudar no reassentamento deles pelo mundo. O CEO da empresa, Brian Chesky, disse que a medida é uma resposta a “uma das maiores crises humanitárias da nossa era” e que era sua responsabilidade fazer algo para ajudar.

“Eu espero que isso inspire outras empresas a fazer o mesmo. Não temos tempo para desperdiçar”, disse Chesky, que é cofundador do Airbnb.

“À medida que milhares de afegãos refugiados são reassentados pelo mundo, onde eles ficam será o primeiro capítulo de suas novas vidas. Para esses 20 mil refugiados, minha esperança é que a comunidade do Airbnb garanta a eles não apenas um lugar seguro para descansar e recomeçar, mas também boas-vindas calorosas à casa”, completou.

A oferta começa imediatamente e a empresa diz que está trabalhando com organizações não-governamentais in loco para ajudar com as necessidades mais urgentes. O Airbnb explicou que vai colaborar com agências de reassentamento e ONGs “para ir onde a demanda está” e adaptar a iniciativa e o tipo de apoio à necessidade.

“Começando hoje, o Airbnb vai acomodar 20 mil refugiados afegãos pelo mundo de graça”, escreveu Chesky no Twitter. “Nós vamos pagar por essas estadias, mas não poderíamos fazer isso sem a generosidade dos nossos ‘hosts’ (as pessoas que alugam suas propriedades pela plataforma)”, disse.

A empresa disse que os custos das estadias seriam financiados por meio de contribuições do Airbnb e de Chesky, bem como de pessoas que doam ao Airbnb.org Refugee Fund, um fundo criado pela empresa para políticas de apoio a refugiados.

Chesky pediu que hosts interessados em ajudar entrem em contato com ele. “O deslocamento e reassentamento de refugiados afegãos nos Estados Unidos e em outros lugares é uma das maiores crises humanitárias da atualidade”, ele disse.

afegãos na pista

Faz tempo que pessoas que alugam suas propriedades no Airbnb são encorajadas pela plataforma a doar estadias para “pessoas em situação de crise”. O esquema começou em resposta ao Furacão Sandy, em 2012, quando mais de mil pessoas precisaram de acomodação de emergência depois que Nova York foi atingida. Desde então, ele ajudou mais de 75 mil pessoas, segundo o Airbnb.

A empresa lançou a iniciativa Open Homes (Casas Abertas) em 2017, para permitir que a sua comunidade de hosts ofereça suas propriedades de graça a pessoas atingidas por desastres e que estão fugindo de conflitos.

Desde então, a iniciativa ofereceu estadias gratuitas a pessoas afetadas pelo terremoto na Cidade do México, os incêndios na Califórnia e na Austrália e outros desastres.

Depois, a empresa fundou a sua própria ONG, a Airbnb.org, que foca em ajudar as pessoas a trocarem e compartilharem acomodações e recursos em tempos de crise.

Na semana passada, deu financiamento emergencial ao Comitê Internacional de Resgate e ao Church World Service para garantir estadia temporária a mil refugiados afegãos.

E, no último fim de semana, deu hospedagem a 165 refugiados pouco depois de desembarcarem nos EUA. “Acomodação acessível é urgentemente necessária e essencial”, disse David Miliban, presidente do Comitê de Resgate Internacional. (Da BBC Brasil)

Com música antivacina, Eric Clapton dá trabalho para os passadores de pano

Eric Clapton reclama de ostracismo por discurso negacionista: 'Meu telefone  não toca mais' - Jornal O Globo

Por Pedro Antunes, no UOL

Eric Clapton, o segundo maior guitarrista da história (segundo eleição de 2015 da Rolling Stone EUA), lançou uma música frágil e pouco inspirada. O que não seria um problema porque até os gênios da música erram, aqui e acolá. A questão é outra. Durante a pandemia de Covid-19, Clapton voltou a mostrar o lado “não-músico” dele. E esta figura, meus vacinados, é assustadora e problemática, como escrevi na coluna em novembro de 2020.

“This Has Gotta Stop” é uma canção antivacina, como aponta a Variety. A faixa, disponível no YouTube e nas plataformas de streaming, é a mais recente atitude do artista de 76 anos contra as medidas preventivas contra a covid.

“I can’t take this B.S. any longer / It’s gone far enough”, canta Clapton (em tradução livre algo como: “Eu não aguento mais essa bobagem / Foi longe demais”. Ainda na letra, Clapton afirma ter problemas em mexer as mãos e reclama de crises de suor. Estas duas reações foram sentidas pelo guitarrista quando tomou a primeira dose de vacina, em maio de 2021. “Minhas mãos e meus pés estavam congelados, dormentes ou queimando”, escreveu ele na época.

O vídeo, todo em animação, transforma pessoas em marionetes ou zumbis olhando para os celulares. Há políticos com coroas e manifestantes com placas pedindo “liberdade”. Ainda, há uma ilustração de Jam for Freedon, um grupo anti-lockdown apoiado por Clapton e imagens do planeta em chamas. Recentemente, Clapton se juntou a Van Morrison em uma música também anti-lockdown, chamada “Stand and Deliver” e afirmou, há poucos dias, que não se apresentará em casas e arenas que exigirem comprovante de vacinação para o público.

É bom lembrar que os shows da vindoura turnê de Clapton em setembro nos Estados Unidos serão em lugares fechados. Com histórico de comentários racistas e xenófobos no final de 1976, Clapton não surpreende ninguém com a temática de “This Has Gotta Stop”. A diferença, desta vez, é que nem qualidade da música não salva a pele do guitarrista aqui, como fez tantas outras vezes.

Com uma letra que reúne um punhado de pensamentos desconexos, cantados de forma quase monotônica e acompanhados por violão e guitarra pouco inspirados, além de um tecladinho tirado de karaokês da Liberdade, a nova música dará trabalho para quem ainda tenta passar o pano para o artista.

BRIAN MAY: DISCORDÂNCIA

O guitarrista Brian May, do Queen, disse que Eric Clapton é um dos seus ídolos, mas que isso não o impedia de o considerar “um maluquinho”. “Eu adoro-o, ele é o meu ídolo, mas pensamos de forma diferente em muitas coisas”, afirmou o guitarrista dos Queen, em declarações ao Independent. “Ele acha que dar tiros a animais por divertimento é uma coisa boa, mas nunca deixarei de o respeitar”, acrescentou.

Sublinhe-se que Eric Clapton tem sido muito crítico da gestão da pandemia e mesmo da vacinação, tendo dito que só optou por ser imunizado por pressão dos filhos. Recentemente, afirmou mesmo que recusaria dar concertos, onde fosse exigido um certificado covid ao público.

É devido a essa posição de Clapton que Brian May envia alguns recados. “Lamento dizer, mas as pessoas antivacinas são maluquinhas. Há várias provas que demonstram que a vacinação ajuda. No geral, as vacinas têm-se mostrado seguras”, disse. “Haverá sempre efeitos secundários com qualquer droga que tomem, mas andar por aí a dizer que as vacinas fazem parte de um plano para vos matar é para mim uma tremenda maluquice”, disse.