VAR gera mais insegurança

POR GERSON NOGUEIRA

Árbitro Thiago Luis Scarascati consulta o VAR no jogo Remo x CRB — Foto: Reprodição Premiere

Diante de erros grosseiros na análise de lances polêmicos no Campeonato Brasileiro, os gaiatos de plantão andam espalhando no mundo livre da internet a piada de que a diferença dos esquemas antigos de arbitragem para os atuais é que estes ficaram apenas mais dispendiosos, pois passariam a incluir o pessoal da cabine do VAR. Teses conspiratórias à parte, há um debate que se impõe quanto ao excesso de insegurança gerado pelas decisões do árbitro de vídeo.

No mundo todo, a adoção do sistema de monitoramento de vídeo contribuiu para esclarecer dúvidas e dissipar discussões sobre os lances mais críticos de um jogo. No Brasil, a situação é bem diferente. Aqui, o VAR gera ainda mais receios e desconfianças. Torna-se uma tortura aquele suspense nos intermináveis minutos consumidos entre a análise de vídeo e o chamado para o árbitro de campo dar o veredito final.

O clima criado nos jogos pelas decisões do VAR não contribui para tornar o futebol mais justo. O conceito de justiça esportiva, como se sabe, é bastante relativizado ao longo da história. Nos tempos pré-VAR era comum dizer que não havia justiça em futebol. Desde que se instituiu o árbitro de vídeo nasceu a sensação de que era possível avaliar lances com mais justeza e confiabilidade.

Acontece que não há apenas a interferência do olhar eletrônico. Nas tomadas de decisão entra o fator humano, e aí mora o perigo. A Série B, que passou a contar com o VAR desde a primeira rodada do returno, virou palco de algumas situações bizarras. As reclamações se acumulam. A expectativa de diminuição de erros e prejuízos deu lugar a muita frustração.

No jogo entre Ponte Preta e Brusque, o sistema simplesmente não funcionou. Já na partida entre Remo x CRB o sistema funcionou até mais do que o necessário, com interferências que mudaram o resultado. Foram dois pênaltis e um gol mal anulado por impedimento.

Personagens que tomam parte do processo, embora não estejam atuando nas partidas, os comentaristas de arbitragem do canal que transmite os jogos passaram a ter o papel de fiscais da aplicação do VAR. Dois deles, Sandro Meira Ricci e Paulo César de Oliveira, ex-árbitros, fizeram reparos à arbitragem do jogo do Remo, embora durante a partida Ricci tenha tido um posicionamento ambíguo.

A jogada do segundo penal marcado contra o Remo foi apontada como erro grave, pois o zagueiro Rafael Jansen sofreu falta na origem do lance. PC Oliveira apontou falta de critério dos árbitros, citando a anulação do gol de Victor Andrade nos instantes finais da partida. Questionou a definição gráfica das linhas, que gerou muitas dúvidas sobre a decisão porque o defensor do CRB nem apareceu na imagem.

Para piorar, o árbitro Thiago Scarascati mostrou-se inseguro e refém das recomendações do coordenador de cabine, Péricles Bassols. Não havia marcado nenhum pênalti e nem invalidado o gol, mas ao ser chamado no monitor mudou inteiramente de opinião e acabou punindo o time paraense.

A expectativa de justiça, pelo menos por enquanto, está longe de ser atendida. Botafogo x Vila Nova fizeram um jogo recheado de lances confusos, não observados pelo VAR. Uma agressão do zagueiro Rafael Donato ao atacante Rafael Moura, visível na transmissão, foi ignorada pelo árbitro de campo e pelo monitoramento de vídeo.

Caso a CBF mantenha o comportamento omisso diante de tantos erros, não será surpresa se logo os clubes – que tanto pediram o VAR – chegarem à conclusão de que o jogo fica menos complicado sem bisbilhotice externa.

Ex-azulino, parado há meses, reforça o Papão

Tcharlles, que teve boa passagem pelo Remo em 2020, foi anunciado como novo reforço do PSC para a disputa da Série C. Em condições normais, é nome capaz de dar mais alternativas ao técnico Roberto Fonseca, propiciando qualidade ao setor ofensivo, tanto pelos lados como em posição mais centralizada.

Habilidoso e rápido, Tcharlles sofria no Remo com as críticas à falta de pontaria. Perdia muitas chances de gol. Talvez por isso não tenha chegado a ser titular absoluto. Saiu para disputar o Campeonato Paulista e está sem jogar desde o final do certame, o que levanta dúvidas sobre sua condição atual.

O mais provável é que Tcharlles passe a figurar como opção para as duas rodadas finais da fase de classificação. Pode ser útil num ataque que tem hoje apenas Rildo e Marlon como peças confiáveis para os lados do campo.

Rildo vem atuando mais pela extrema esquerda, justamente a faixa preferida de Tcharlles. Nessa configuração, Roberto Fonseca teria que encontrar lugar para um deles, talvez deslocando Rildo para a direita e recuando Marlon para o meio-campo, onde o PSC não tem nenhum jogador de habilidade.

Tudo isso, é claro, se Fonseca estiver disposto a experimentar um sistema com apenas dois volantes. Até o momento, ele manteve a configuração deixada por Vinícius Eutrópio, com três jogadores na marcação.

Baixas de última hora atormentam Felipe Conceição

O Remo viaja para o Rio Grande do Sul com um desfalque sério de última hora: o lateral Tiago Ennes, um dos mais regulares da equipe, que não atuou contra o CRB e tinha retorno previsto para o jogo de amanhã contra o Brasil em Pelotas.

Além de Ennes, o técnico Felipe Conceição talvez tenha que montar outro meio-campo, pois Anderson Uchoa também é dúvida para a partida. Mais sério ainda é o possível desfalque de Victor Andrade, principal atacante da equipe.

Sem os três, o Remo talvez jogue com Warley na lateral, de novo, Artur no meio e Renan Gorne na frente. A situação já existiu antes e o time teve sérias dificuldades para desenvolver seu jogo. A conferir. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 26)

2 comentários em “VAR gera mais insegurança

  1. Gerson, inadmissível o que aconteceu no baenão, dois lances a favor do Remo que o VAR nem sequer olhou, ainda acho que a soiku ajudar seria o time solicitar a tirada da dúvida e chamar o VAR igual ocorre no vôlei .. Invadimos deixar na mão dos juízes da cabine.

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    1. É uma situação cada vez mais estranha. O VAR, que seria uma solução para os lances polêmicos, se tornou alvo de mais desconfiança ainda. O Remo tem se posicionado, mas é um problema que vai depender da preparação dos árbitros. Os analistas são fracos, o que gera decisões confusas e sem critério.

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