Regulamento avacalhado

POR GERSON NOGUEIRA

O Conselho Técnico da Série B havia decidido, por unanimidade, que o público só voltaria aos estádios com a plena concordância de todos os clubes participantes da competição. Para surpresa quase geral, o Cruzeiro ganhou o direito de jogar contra o Confiança tendo a torcida ao seu lado no Mineirão, na sexta-feira. Isso foi possível pela autorização concedida pela Prefeitura de Belo Horizonte.

Um privilégio grave, que fere o princípio do equilíbrio técnico da Série B.  Mais que isso: representa um precedente perigoso, pois os demais clubes (o Remo inclusive) passam a conviver com uma nova realidade. Jogam com os portões fechados, sem apoio de suas torcidas, contra um adversário que passa a contar com essa força extra. Quem acompanha futebol sabe bem a diferença que o torcedor pode fazer nos jogos.

Botafogo e Guarani reagiram em notas protestando contra a omissão da CBF em relação ao regulamento da competição, ferido gravemente. O Conselho dos Clubes também se manifestou, pedindo o adiamento do jogo de sexta-feira, mas a CBF preferiu lavar as mãos.

Do jeito que a coisa vai, em breve teremos estádios liberados na marra, sem respeito a protocolos e semeando riscos de contaminação pela covid. A rigor, o calendário de 2021 já deveria vedar o retorno de público, pois o Brasil é recordista mundial em número de casos e mortes da doença.

O exemplo de outros países, citados irresponsavelmente pelos defensores do liberou-geral, não serve para a situação brasileira. Aqui a doença está longe de ser controlada, ao contrário dos países europeus que reabriram seus estádios para cobrança de ingressos.

Mais que um problema específico da Série B, constitui um ato de desdém criminoso atentar contra o bem-estar das pessoas num cenário agravado pelo surgimento de novas cepas, com ênfase na temível variante Delta.

Em tempo: na partida com o Confiança, o Cruzeiro de Marcelo Moreno e Fábio foi empurrado o tempo todo pelos gritos de sua torcida, que ocupava um terço do Mineirão. Com isso, encurralou o visitante e intimidou o árbitro, que só marcava falta em cima de jogador cruzeirense.

Pelo visto, a novidade do VAR fica em segundo plano para a licenciosidade dada ao Cruzeiro, que ganhou um trunfo que os demais 19 times não têm. Caso não haja uma tomada de atitude, a vantagem dada aos mineiros pode manchar inapelavelmente a edição da Série B.

Papão tenta vitória, mas empate não é ruim

O jogo contra o Volta Redonda, no Rio, neste domingo, pode abrir um novo cenário para o PSC na Série C. Na vice-liderança do campeonato, o time paraense tem a oportunidade de chegar à ponta da tabela, que já ocupou lá atrás. Para isso, terá que derrotar um time de bom nível técnico, também aspirante à classificação e ao acesso.

Nas últimas partidas, contra Tombense, Botafogo-PB e Jacuipense, o PSC ensaiou uma ligeira evolução em termos de conjunto, embora repetindo os mesmos erros que derivam das conhecidas limitações técnicas do elenco.

A articulação defeituosa e a lentidão do meio-campo permanecem, mas o time demonstra mais confiança em suas próprias forças. Defende-se com afinco e compensa com transpiração a falta de criatividade para armar ações ofensivas. O PSC tem vários atacantes, de qualidade variada. Danrlei não viajou, mas Rildo e Marlon podem ser decisivos.

A parte ruim é que os jogos mostram um tempo excessivo de bola entregue nos pés do adversário. Há um excesso de concentração de jogadores no campo de defesa. Roberto Fonseca grita, esperneia ao lado do campo, mas seus volantes só sabem desarmar, não conseguem construir.

Contra o Voltaço, além de se defender, será necessário caprichar nas finalizações e aproveitar as oportunidades que a partida oferecer. A Série C tem demonstrado que é possível vencer mesmo sem propostas criativas. Um chute de fora da área, uma bola alçada na área e até um escanteio podem decidir as coisas. Só não pode haver desperdício.

Bola na Torre

O programa começa às 22h, na RBATV, com apresentação de Guilherme Guerreiro. Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião participam das análises sobre a performance dos clubes paraenses nas séries B, C e D do Campeonato Brasileiro. A edição é de Lourdes Cézar.

Um brado de apoio ao artilheiro baionense

Excluído da relação de atletas para o jogo em Volta Redonda, torcedores baionenses manifestaram solidariedade a Danrlei Moreira, artilheiro nascido na vila de Calados, em Baião. Nas redes sociais, amigos e fãs do jogador postaram uma mensagem de incentivo.

“Baião e todos os seus amigos e admiradores, torcem pelo seu sucesso, fazendo gols, que tanto o Paysandu precisa pra subir para Série B do Brasileirão. A exemplo de um passado não muito distante dos destacados craques baionenses Oberdan e Marçal, que dignificaram orgulhosamente seus nomes, nas galerias dos principais clubes paraenses, de maneira brilhante e vitoriosa, como jogadores de futebol”, diz a mensagem.

Acrescenta que, no momento, a vez é da grande revelação do futebol paraense: o habilidoso Danrlei Moreira. Encerra desejando toda sorte do mundo a ele. Vai precisar realmente. Com traços fisionômicos caboclos e sem experiência fora do Estado, terá poucas chances de jogar.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 22)

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