Enfim, a grande atuação

POR GERSON NOGUEIRA

Remo 2×1 Vasco-RJ (Romércio, Victor Andrade, Igor Fernandes, Kevem e Anderson Uchôa)

Os 45 minutos iniciais do Remo foram exemplares. Melhor atuação do time no Brasileiro até hoje, tanto no coletivo como no individual. Sem Felipe Gedoz na articulação, a transição ficou acelerada e ágil. Isso resultou em vantagem logo nos primeiros minutos da partida. A forte participação dos homens de meio, Uchoa e Erick Flores em destaque, foi fundamental para o resultado construído em cima de um Vasco quase sempre confuso.

As primeiras movimentações da partida mostraram o time vascaíno se impondo no campo de defesa do Remo, projetando Cano e Léo Jabá em cima da última linha defensiva azulina. O posicionamento firme de Romércio e Kevem conseguiu impedir que lances rápidos resultassem em situações de perigo.

Aos 14 minutos, em articulação que envolveu Mateus Oliveira, Flores e Renan Gorne, surgiu o primeiro gol do Leão. A bola foi cruzada na área por Flores para o cabeceio de Gorne. Não se via no Vasco capacidade de equilibrar as ações. O Remo se espalhava pelo campo e controlava o jogo.

Fez isso tão bem que logo em seguida chegou ao segundo gol, como consequência natural do melhor rendimento tanto na defesa quanto no ataque. Mateus Oliveira, em noite inspirada, cobrou escanteio no segundo pau e Romércio subiu para testar no canto.

No único momento de desatenção, o Remo permitiu que o Vasco chegasse ao gol. Léo Jabá atraiu a marcação de Romércio e tocou para Sarrafiore finalizar rasteiro. Não era o retrato fiel do que se via em campo.

Tanto não era que, dos 34 aos 40 minutos, o Remo teve três grandes oportunidades para ampliar. O goleiro Vanderlei apareceu para evitar com os pés um chute de Flores. Depois desviou milagrosamente uma bola que havia sido cabeceada por Romércio na trave e ainda salvou um chute cruzado de Flores.

Remo 2×1 Vasco-RJ (Kevem)

Pelo volume de jogo imposto nos 45 minutos iniciais, o Remo tinha condições de ter saído com um resultado mais dilatado, um 3 a 1, pelo menos. Faltou mais apuro nas finalizações, mas as articulações revelaram um time ofensivamente comprometido em chegar ao gol.

O segundo tempo não teve praticamente lances de perigo nas duas áreas. O Remo buscava controlar o jogo, mas com um posicionamento menos agressivo, situação que foi amplificada com a expulsão do goleiro Vanderlei logo aos 21 minutos. Botou a mão na bola fora da área, após perder o tempo da defesa. Se a bola passa, Renan Gorne entraria livre para fazer o terceiro gol. Depois disso, o cansaço afetou a movimentação dos azulinos, ainda sob o efeito do jogo com o Goiás três dias antes.

Ocorre que o jogo tem que ser observado pelo nível de comprometimento e maturidade tática da equipe de Felipe Conceição. Uma evolução interessante e necessária após a desastrosa derrota para o Operário-PR.

Bola na Torre

Giuseppe Tommaso apresenta o programa, a partir das 22h, na RBATV. Participações de Valmir Rodrigues e deste escriba de Baião, falando sobre a participação dos clubes paraenses nas séries B, C e D. A edição é de Lourdes Cézar.

Saúde mental: a nova fronteira do esporte

Além das esperadas façanhas dos gigantes das piscinas e tatames, com direito a decepções, como a derrota de Gabriel Medina no surfe, um tema sobressaiu em meio às estatísticas e comparações sobre rendimento. A saúde mental dos atletas entrou definitivamente na pauta dos especialistas do esporte e das autoridades médicas. A psicologia do esporte tem afinal o reconhecimento merecido quanto à necessidade de reforçar o emocional dos atletas, principalmente em competições de alto nível.

Historicamente, atletas são vistos como gladiadores modernos. Não têm o direito de revelar fragilidade ou insegurança, não podem reagir como os demais mortais. Exige-se deles um comportamento de super-homens.

A coisa é tão séria que, em Olimpíada ou Copa do Mundo, as torcidas só se contentam com a justificativa da lesão física – desde que seja reconhecidamente grave – para derrotas e eventuais fracassos.

Nesse sentido, o episódio envolvendo a ginasta norte-americana Simone Biles, que desistiu de participar finais olímpicas, demarca uma nova fronteira. Apresenta a oportuna reflexão sobre a prioridade que se deve dar à saúde mental e emocional dos desportistas.

Acrescente-se a isso a forte influência da pressão gerada pelos grandes patrocinadores, marcas de primeira linha que apoiam os astros do esporte, juntando-se ao caldo de exigências habitual de torcedores e dirigentes. Falhar na hora H, perder uma medalha, desperdiçar um recorde é algo que pode ter consequências sérias no planejamento de uma carreira.

Não é possível vencer sempre, nem todos podem ir para o alto do pódio. Simones Biles é exemplar por ter dado nome aos bois. Ao contrário de seus técnicos e do próprio comitê olímpico americano, que alegaram inicialmente uma lesão, ela assumiu toda a dimensão do problema.

O caso expõe também a visão que o mundo tem da saúde mental. Há quem diga que depressão não passa de “frescura” ou “corpo mole”. Um atleta precisa, porém, estar 100% para superar limites e adversários. E, para isso, não pode estar se sentindo mal ou abalado psicologicamente.

A contradição é que praticar esportes sempre foi uma forma de cuidar do corpo e da mente. Na prática, a banda toca de outra forma e quase ninguém ousa quebrar o silêncio a respeito. Atletas de futebol no Brasil já tiveram carreiras comprometidas por não receber a atenção devida quando demonstravam sintomas depressivos.

Um dia isso terá que ser enfrentado. A Olimpíada de Tóquio, imprudente por desafiar os riscos da pandemia, tem o mérito de ter sido a primeira a evidenciar essa realidade. Biles é merecedora de aplausos por não ter se rendido à pressão econômica e técnica.

Um detalhe: Patrocinadores, empresas normalmente gigantescas, não são inocentes nessa história. Têm que assumir seu papel nesse triste latifúndio. 

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 15)

Um comentário em “Enfim, a grande atuação

  1. Medina, além de ter recebido a benção e a inhaca do Bozo, se envolveu em um desgastante problema de relacionamento com a mãe, padastro que era seu técnico , e por conta da noiva, chegou até a cortar relação com seus pais, com certeza isso tem relacionamento com baixos rendimentos.

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