Um confronto de gigantes

Goiás-GO 1×1 Remo (Lucas Tocantins e Renan Gorne)

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo segue com uma meia dúzia de desfalques em consequência da maratona imposta pelo calendário da Série B. Jogos que se amontoam, levando a situações esdrúxulas, como a desta semana. O time atuou no último horário (21h30) contra o Goiás na terça-feira, chegou na quarta à noite, fez um ligeiro treino ontem e entra em campo hoje contra o Vasco, um confronto dos mais difíceis.

Não há elenco que resista a tanta provação física. No momento, estão afastados por contusão o zagueiro Fredson, o volante Pingo e o lateral Wellington Silva. Kevem é dúvida. Felipe Gedoz está suspenso e Marcos Junior não pode jogar por força de contrato.

A ausência mais sentida é, inegavelmente, a de Gedoz, organizador da equipe, cabeça pensante do meio-campo e também artilheiro. Sem ele, Felipe Conceição deverá fazer algumas adaptações do meio para frente. Na partida diante do CSA, em que o meia esteve ausente, a opção foi por Renan Gorne. No fim das contas, acabou dando certo e o time venceu.

Para hoje, é provável que Felipe busque a mesma saída, com Renan Gorne e Vítor Andrade na frente, tendo Erick Flores na flutuação entre meio e ataque. Tem sido constante a movimentação dele em socorro a Uchoa na saída de bola. Ao mesmo tempo, é quase certo que Mateus Oliveira, que ainda não rendeu em níveis satisfatórios, permanecerá no time.

Parece haver dúvida entre Lucas Siqueira e Artur, no que pode ser um falso problema. No momento, mesmo abaixo do que costuma apresentar, Lucas tem muito mais a entregar. É um jogador participativo, de poucos erros e que pode também contribuir com o fator experiência. Artur poderia ser lançado no lugar de Mateus, para ajudar na marcação.

Diante do Goiás, mesmo atuando bem, o Remo teve acentuada queda de rendimento quando Felipe precisou fazer substituições. Rafinha, que havia reaparecido diante do Operário, não mostrou a que veio contra os goianos. Já Lucas Tocantins, em apenas uma jogada, resolveu a situação e garantiu o penal que levou ao empate.

No comando do ataque, o esforçado Gorne terá outra oportunidade para marcar presença. Aos poucos, até timidamente, vem conseguindo recuperar a imagem junto à torcida, apesar dos óbvios problemas de ordem técnica. Ocorre que centroavantes precisam de gols – e ele marcou nos últimos dois jogos.

Aventuras de um técnico nem tão doido assim

Lisca se tornou um técnico folclórico, lembrado quase sempre pelas reações que provoca e as frases de efeito que solta. Considero que essa visão é preconceituosa e até prejudicial a ele como profissional, mas é justo reconhecer que a exploração da fama de “doido” partiu do próprio.

Após boas passagens pelo América-MG e Ceará, ele chegou ao Vasco neste ano para tentar consertar uma campanha meio trôpega na Série B. Vem obtendo resultados animadores, apesar da eliminação na Copa do Brasil para o São Paulo.

Com ele, o Vasco tem sido acima de tudo objetivo. Joga no contra-ataque, sem nenhum pudor, explorando o oportunismo e o senso de colocação do artilheiro Germán Cano, que volta à equipe hoje à noite.

Não se espere atuações tecnicamente azeitadas. O Vasco de Lisca expressa a voz do comandante. É transpiração em alta e muita briga pela posse da bola, mesmo que no lance seguinte a pelota seja devolvida ao adversário.

É um time ligeiramente superior ao Remo, principalmente quanto à regularidade, fato evidenciado na campanha melhor nesta reta final do turno. A questão é que o Vasco tem história, tradição, camisa. Na Série B isso não tem sido lá muito útil, mas sempre impõe um certo respeito.

Assim como Felipe Conceição, Lisca tem problemas também na escalação. Não poderá contar com o zagueiro Leandro Castán, o lateral-direito Léo Matos, o atacante Daniel Amorim e o meia Marquinhos Gabriel.

Uma réstia de luz e esperança no Alvinegro

Não foi tão contundente como se todos os demais conselheiros renunciassem, mas já é um começo. Restitui parte da dignidade manchada. O conselheiro Mario Sergio Medeiros Pinheiro, desembargador do TRT do Rio, encaminhou carta ao presidente do Conselho Deliberativo do Botafogo ontem comunicando sua renúncia ao cargo.

A motivação foi a patética audiência pública entre diretores do Botafogo e o presidente Jair Bolsonaro. “O citado presidente por diversas vezes já demonstrou o seu desprezo à democracia e às vidas humanas. Inúmeras vezes, demonstrou seu descaso para com a pandemia do coronavírus, que tirou a vida de mais de 565 mil brasileiros”, disse o conselheiro na carta. E emendou:

“A visita e apoio ao presidente Bolsonaro é, no mínimo, contraditória à postura adotada pela diretoria do clube no início da pandemia, quando se opôs à volta do futebol em junho do ano passado, alegando ser constrangedor competir em meio a tantas mortes. Mortes essas, inclusive, que foram ridicularizadas pelo presidente”.

Mario Sérgio fez questão de citar o episódio – mencionado na coluna de ontem – envolvendo Garrincha e Elza Soares, sua mulher, que tiveram de deixar o país durante a ditadura militar, “regime defendido por Bolsonaro em diversos momentos”.

Foi um alento no dia em que o Botafogo comemorou 117 anos de fundação. Serviu para atenuar o humilhante episódio da véspera. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 13)

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