Seis pontos perdidos para o Belo

POR GERSON NOGUEIRA

Tsunami marcou o gol da vitória do Belo sobre o Paysandu

Com gols de Welton e Tsunami no segundo tempo, o Botafogo da Paraíba derrotou o PSC de virada ontem à noite, em João Pessoa. Marlon abriu vantagem para os bicolores no final do primeiro, em bela manobra individual dentro da área. A vitória, porém, escapou entre os dedos por força de melhor atuação do Belo na segunda etapa.

A rigor, foi um jogo marcado pelo equilíbrio, bem ao estilo da Série C. Marcação forte, transpiração e muitos erros de passe. As duas equipes passaram os 20 minutos iniciais tirando para ver quem falhava mais na saída de bola.

O lance de maior lucidez foi magistralmente assinado por Marlon. Aos 34 minutos, ele apanhou rebote de uma disputa aérea entre Tiago Santos e a zaga do Belo, driblou um defensor e bateu rasteiro para o fundo do barbante. Objetividade é ouro na Série C. O Papão aproveitou a única chance clara de gol criada até aquele momento.

Na etapa final, precisando reverter o resultado, o técnico Gerson Gusmão botou o Botafogo no ataque. Posicionou Tsunami como ala esquerda, tirou o volante Amaral e colocou Welton no ataque. Com isso, passou a pressionar a defesa do Papão com até seis jogadores avançados.   

Aparentemente acomodado com a vantagem, o PSC pouco saía de seu campo. Depois de duas tentativas em cruzamentos de Diego Matos, o time se aquietou e ficou apenas se resguardando das tentativas do Botafogo.

Aos 7 minutos, porém, a zaga vacilou e permitiu o empate. Gabriel Araújo cruzou da esquerda, Ederson furou e confundiu Perema e Denilson. A bola sobrou então para Welton mandar para as redes. Aos 11’, Welton quase fez o segundo gol após ser lançado na área por Ederson.

O Botafogo se movimentava à base de passes curtos na intermediária do PSC, que tinha dificuldade em marcar. Aos 20’, uma incursão de do meia Juba na área abriu espaço para Gabriel Araújo finalizar, fazendo Vítor Souza praticar grande defesa.

No minuto seguinte, veio a virada botafoguense. Esquerdinha chegou à linha de fundo e cruzou alto no segundo pau. O ex-azulino Tsunami apareceu por trás dos zagueiros e testou no canto esquerdo de Victor Souza.

Havia muito tempo ainda, mas o PSC optou por uma estratégia confusa para tentar reagir e perdia mais tempo reclamando do que jogando. Saiu do 4-3-3 utilizado no 1º tempo para um 4-2-4, com Marlon, Rafael Grampola, Rildo e Luan na frente. No final, Bruno Paulo substituiu Rildo.

No Belo, o veterano Marcos Aurélio entrou aos 40’ para dar mais qualidade ao contra-ataque. Aos 44’, Daniel Felipe fez grande inversão para Sávio, que foi derrubado na área por Luan. O penal foi marcado, mas Victor Souza catimbou a cobrança e defendeu o chute de Marcos Aurélio.

Resultado justo pelo desempenho melhor do Botafogo no segundo tempo, aproveitando bem os espaços permitidos pelo time de Roberto Fonseca.

Flamengo é goleado e atacante sai chutando lata

Expulso na goleada (4 a 0) do Inter sobre o Flamengo ontem, Gabriel Barbosa saiu espinafrando a arbitragem: “Por isso que o futebol brasileiro é essa várzea”, disse ao deixar o campo. Tremenda ingratidão, considerando a quantidade de vezes que os juízes passam pano para os chiliques dele.

Caso esteja realmente entediado de jogar no Brasil, Gabriel deveria pensar em retornar ao futebol da Europa, onde, como se sabe, brilhou intensamente no banco de reservas da Inter de Milão.

Legado de Lula e Dilma garantiu o êxito em Tóquio

O programa de patrocínio do governo federal está conectado a 90,4% dos pódios conquistados pelo Brasil em Tóquio. As exceções são o futebol masculino e a prata de Rayssa Leal, que não tem idade para adesão (tem 13 e a faixa mínima é 14 anos). No geral, é a melhor campanha brasileira nos Jogos Olímpicos, 12ª colocação, com 21 medalhas em 11 esportes diferentes – sete de ouro, seis de prata e oito de bronze.

Contra todas as previsões, os atletas brasileiros conseguiram superar a melhor campanha da história, cravada na Rio-2016, com sete ouros, seis pratas e seis bronzes. O ponto marcante é a participação do Bolsa Atleta em 19 dos 21 pódios (90,45%).

O pelotão do Bolsa Atleta obteve três dos seis ouros: Ana Marcela (maratona aquática), Martine Grael & Kahena Kunze (vela) e Rebeca Andrade (ginástica artística). Isso bastaria para garantir o 15º lugar no quadro geral de medalhas, à frente dos demais países da América Latina.

O investimento nos atletas, via Bolsa Atleta, foi de R$ 8,3 milhões de forma direta. A contribuição histórica desde a criação do programa, pelo presidente Lula em 2005, soma R$ 12,7 milhões destinados a todas as modalidades. Dos 302 integrantes do time Brasil em Tóquio, 242 são beneficiários do programa.

Vale lembrar que, desde o governo Temer, o país teve cortes expressivos no programa olímpico, a começar pela traumática extinção do Ministério dos Esportes pelo atual governo. Na Olimpíada do Rio, foram investidos R$ 3,2 bilhões, cifra que caiu para R$ 2,8 bilhões em Tóquio.

O recorde de medalhas soa surpreendente à primeira vista, mas esportes olímpicos exigem planejamento. Resultados não surgem de um ano para outro. Quando Dilma Roussef anunciou o amplo plano de investimento olímpico, em 2012, a ideia era ter um desempenho satisfatório em 2016 e arrebentar em 2020. Foi o que aconteceu.

Como só existem programas e verbas criadas em governos anteriores, há sempre o risco de um retrocesso, visto que o governo atual não apresentou até hoje nenhuma política de incentivo ao esporte. Que os ótimos resultados desta Olimpíada ajudem a estimular novos investimentos. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 09)

Um comentário em “Seis pontos perdidos para o Belo

  1. Uma vez na vida o Gabigol está coberto de razão. O futebol brasileiro é uma várzea. Não poderia ser diferente quando o clube em que joga, ele próprio e o atual técnico dele são tidos como referência. É o outrora melhor futebol do planeta e celeiro dos melhores jogadores descendo célere ladeira abaixo.

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