À procura de um organizador

POR GERSON NOGUEIRA

Não precisa ser um meia de ofício, nem um camisa 10 clássico. Tem que ser é um organizador de jogadas, alguém que tenha qualidade para comandar a transição ofensiva, lançar os companheiros e se aproximar da área adversária. Este é o perfil básico do meio-campista que o PSC está buscando no mercado, com as dificuldades naturais do período.

Há uns oito anos, desde que Eduardo Ramos passou pela Curuzu em grande forma, o PSC não tem um jogador que reúna as qualidades exigidas de um médio clássico. Médios, para os europeus, são todos os jogadores que se posicionam ali na meiúca. Nem todos precisam ser armadores, alguns volantes fazem bem a função.

Andrea Pirlo foi um deles, dos melhores. Zidane foi imenso. Fernando Redondo outro. Kevin De Bruyne é o melhor de hoje, mas Paul Pogba não fica longe. Ninguém exige legítimos estilistas, mas precisam saber organizar empurrar um time à frente. A recente Eurocopa mostrou o quanto é valioso ter um meio-campista dinâmico, sagaz e participativo.

Fiz esse ligeiro nariz-de-cera para exemplificar o quanto é complicado arranjar um jogador de meio que saiba cuidar de funções diversificadas. É o dínamo do time, o cara que vai assinar todas as bolas e cuidar da construção de jogadas.

No elenco do PSC, desde o ano passado, não existe ninguém capaz de fazer minimamente o que um meia-armador faz. Não é culpa do clube, talvez tenha sido um descuido não incluir a posição entre as prioridades, mas o mercado também não ajuda. Buscar um meia é caro e difícil.

João Paulo supera lesão, diz estar 100% e projeta próximo desafio do  Paysandu na Série C | paysandu | ge

Os melhores estão todos empregados, disputando as competições nacionais. Só por um golpe de sorte se encontraria alguém talhado para a função esquecido num clube de terceira ou quarta divisão. O Castanhal tem William Fazendinha, que sabe jogar ali. A dúvida é: funcionaria no PSC com as cobranças inerentes a um clube de massa?

Diante disso, Roberto Fonseca terá que olhar à sua volta. Ruy não encaixou, nem desembarcou ainda. Volantes como Jhonattan e Ratinho não se estabilizaram no papel. Resta João Paulo (foto), um meia de bons recursos, cujo grande problema é de ordem física, situação causada por lesões seguidas.

Conhece aquela faixa do campo em que os meias pisam. Sabe lançar, chuta bem e é hábil para exercer o controle de bola. Em Manaus, na penúltima partida do PSC, fez boa aparição nos 30 minutos finais. A sequência talvez ajude João Paulo a se encontrar e permita que Roberto Fonseca encontre o que busca para a meia-cancha.

Treino dos profissionais “inaugura” o CT do Leão

Em meio à luta por causas impossíveis, como esperar providências da CBF para os seguidos erros de arbitragem contra o time na Série B, a diretoria do Remo conseguiu ontem se debruçar sobre um cenário bem mais satisfatório e real: o início da utilização do Centro de Treinamento do Leão pelos jogadores do elenco profissional.

Foi o primeiro treino coletivo comandado pelo técnico Felipe Conceição num dos campos do CT. Portanto, a partir de agora, o complexo esportivo passa de fato a ser de uso permanente do clube, tanto para o time de profissionais como para as divisões de base, que já vinham se exercitando em campos do CT.

Várias obras internas estão sendo tocadas para dar mais conforto aos atletas, comissões técnicas e profissionais da área médica. O Remo, por assim dizer, entra definitivamente para o patamar dos grandes clubes. Nos próximos dias, voltarei ao atualíssimo tema da utilidade dos CT’s.

Olimpíada faz justiça às mulheres do Brasil

Imagem de Ana Marcela nadando com peixe em Tóquio chama a atenção; veja  fotos - Jornal O Globo

Ana Marcela é a bola da vez. Venceu ontem, com performance admirável, a prova olímpica da maratona aquática. Era desconhecida até então. Em alguns minutos transpôs a barreira que separa a vida comum do estrelato. Como Rebeca Andrade e Rayssa Leal, Ana vem de uma comunidade humilde, representa o Brasil periférico, das quebradas.

Acima de tudo, o ouro conquistado por ela confirma que esta Olimpíada vai ser marcada pela forte presença da mulherada brasileira. Com a nova conquista, o Brasil atingiu um total de 15 medalhas, quatro de ouro e, dessas, duas foram conquistadas por mulheres negras: além de Ana Marcela, a ginasta Rebeca Andrade levou a premiação máxima na prova de salto da ginástica artística.

O show nos saltos deu à Rebeca o ouro na ginástica artística e fez o país se derreter repentinamente por um esporte pouco badalado. Olimpíadas servem para isso: levar à redescoberta de modalidades que hibernam por quatro anos.

Como a “fadinha” Rayssa, Rebeca e Ana Marcela lutam contra todos os obstáculos que jogam contra todo atleta olímpico no Brasil. Para agravar o quadro, o atual governo acabou com o Ministério dos Esportes.

Rebeca, Rayssa, Ana Marcela são heróis improváveis da saga de sacrifícios do país que não tem um projeto institucional de formação de atletas e só descobre o real valor das medalhas na hora dos Jogos.

Há, também, variações disso, na figura de atletas cujas famílias cultivam a prática de esportes desde os ancestrais. É o caso de Martine Grael, que junto com Kahena Kunze, faturou o ouro na vela, anteontem. Duas excepcionais atletas, que tiveram a sorte na vida de dispor de mais recursos.

Martine veleja desde garotinha. Velejar não é barato. A modalidade é inacessível para a maioria, mas quem liga? Importante é a festa no pódio, a bandeira (tão enxovalhada por alguns) tremulando. 

Não há dúvida: o esporte só é amado pelos brasileiros se nos permite vencer. Mas, voltando ao pitaco inicial, que os misóginos se calem e reconheçam que nesta Olimpíada as mulheres são a cara do Brasil. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 04)

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