Leão em busca da 5ª vitória

POR GERSON NOGUEIRA

Remo encerra preparação para encarar o Londrina — Foto: Samara Miranda/Ascom Remo

Com meio-campo ofensivo e bem diversificado – Uchoa, Artur (Marcos Jr.), Felipe Gedoz, Dioguinho – e um ataque rápido e hábil, com Victor Andrade e Erick Flores (Lucas Tocantins), o Remo não esconde os planos de vitória diante do Londrina, hoje à tarde, no estádio do Café, no Paraná.

Definitivamente, defensivo o time não é. A meta é sustentar a sequência vitoriosa e alcançar a 10ª colocação. Diante do lanterna da competição, a postura não podia ser outra.

O técnico Felipe Conceição tem um modelo cada vez mais bem delineado. Como Paulo Bonamigo, ele defende o controle da posse da bola como condição para dominar os adversários. Mas, ao contrário do antecessor, adota um desenho mais agressivo.

Na prática, o time de Bonamigo valorizava a posse trocando passes lá atrás, dentro de seu campo e longe da área inimiga. Felipe prefere assumir o controle ocupando o lado oposto para entrar na área adversária. É inegável que a proposta é mais adequada a quem busca vencer.

A Série B chega ao fim de seu primeiro terço com equipes que adotam sistemas bem diferentes, quase todas empenhadas em se defender com unhas e dentes, facões e cartucheiras. Os times em melhor situação na tabela são justamente os que se permitem arriscar.

O Remo de Bonamigo não era propriamente retranqueiro, mas abusava da lentidão e tinha cuidados em demasia. O de Felipe é assumidamente ousado, verticaliza os passes, parte para cima da marcação e manobra sempre com o objetivo de chegar ao gol. O estilo é mais bonito e vistoso.

Obviamente nem sempre a agressividade funciona. Depende da qualidade das transições, da segurança dos volantes e da participação dos alas. Aos poucos, Felipe está conseguindo ter à sua disposição jogadores com características favoráveis a essa proposta tática – ao contrário do que ocorreu com Bonamigo, cuja margem de manobra era menor.

Nas quatro partidas com Felipe, o Remo mudou para melhor. Tem sido funcional e convincente. Até nas substituições o acerto tem sido constante. Quando o técnico tira Victor Andrade ou Gedoz, os suplentes entram com as mesmas funções e o time não cai de rendimento, como antes.

CBF anuncia VAR e abre campanha pró-Covid

Fiel ao seu estilo, a CBF acendeu ontem uma vela para Deus e outra para o demo. Anunciou que as Séries B, C e D do Campeonato Brasileiro 2021 contarão com o árbitro de vídeo (VAR). Na Segunda Divisão, o uso do monitoramento eletrônico será durante todo o returno da competição, a partir da 20ª rodada. Na Série C, o VAR vai funcionar nos quadrangulares que definem o acesso. Na Série D, na fase final.

Os custos serão bancados pela CBF. Prevaleceu a insistência e o apelo dos clubes, muitos deles prejudicados por erros de arbitragem. A entrada em cena do VAR deve diminuir danos na fase mais decisiva da Série B. O Remo teve gol anulado erradamente contra Coritiba e Ponte Preta, sofreu gol do Náutico em impedimento, teve penal não anotado contra o Brusque e sofreu pênalti duvidoso diante do Sampaio.

Para não contrariar a eterna vocação para o erro, a entidade tratou de iniciar também a insana campanha para apressar a volta de público aos estádios, seguindo prática já defendida pela errática Conmebol, que autorizou torcida em jogos da Libertadores. A CBF está orientando clubes e federações a negociarem com os governos estaduais a volta de público nos jogos das competições nacionais.  

Sem medo, Paulinho desafia os alienados

A Olimpíada, cuja necessidade é muito questionada em tempos de pandemia, está permitindo que se tome conhecimento de opiniões que contrariam o coro geral conservador dos desportistas no Brasil. O principal brado partiu de Paulo Henrique Sampaio Filho, o Paulinho, em carta ao The Player’s Tribune, divulgada ontem.

Paulinho, 21 anos, ex-vascaíno e hoje no Bayer Leverkusen, marcou o quarto gol brasileiro na vitoriosa estreia da seleção olímpica de futebol diante da Alemanha. Festejou em grande estilo, com uma homenagem a Oxóssi. Na carta, ele revela que segue o candomblé e a umbanda, considerada “uma filosofia de vida”.

“Por tudo que nosso país já sofreu, temos não só o preconceito com religiões de matriz africana, mas também de outras naturezas, como de raça, gênero e orientação sexual. Como uma pessoa que tem voz, eu não posso me dar o direito de permanecer calado. De não me posicionar diante de preconceitos e negligências”, diz um trecho da mensagem.

A revelação é surpreendente e corajosa, mesmo para um país de ampla diversidade religiosa. No ambiente do futebol não há registro de outro boleiro que tenha declarado claramente sua fé nos orixás. Bem ao contrário da profusão de manifestações cristãs em campo e nas entrevistas. É comum ver jogadores orando antes e até durante os jogos.

Paulinho disse a que veio já na convocação para a seleção. “Nunca foi sorte, sempre foi Exú!”, escreveu nas redes sociais. Além disso, quebrou o silêncio dos jogadores da Seleção sobre a situação política e social do país.

Criticou o governo Bolsonaro e a gestão da pandemia. E demonstrou compreender a importância que o esporte tem neste momento: “Rezo todos os dias para que Exu ilumine o Brasil e os nossos caminhos. Que os orixás nos deem forças para buscar essa medalha de ouro. O brilho dela seria um alento para o povo brasileiro após tantos meses de caos no país”.

Ave, Paulinho, que assim seja!

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 23)

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