Desafios na rota do Leão

POR GERSON NOGUEIRA

Marcos Júnior em treino pelo Remo — Foto: Samara Miranda/Ascom Remo

O Remo se prepara para dois jogos como mandante. Recebe Vila Nova-GO e Brusque. Chance preciosa para sair da 20ª posição na tabela e se recuperar no Brasileiro. Oportunidade e desafio convivem lado a lado. Ao mesmo tempo em que planeja somar seis pontos, o time convive com carências que dificultam propostas ofensivas e criar situações de gol. Acima de tudo, as opções para o ataque são limitadas.

Até na única vitória em casa, sobre o Brasil-RS, na segunda rodada, o Remo sofreu bastante para marcar 1 a 0, gol de Renan Gorne. Lutou o jogo todo e sofreu muito com a dura marcação do adversário.

Panorama que se repetiria nos outros três jogos disputados no Evandro Almeida, contra Vitória, Guarani e Sampaio. Principais deficiências: falta de repertório ofensivo, transição defeituosa e finalizações horrorosas.

O time se limitava a ficar quase metade do tempo tocando bola na horizontal, lá atrás, esperando por uma brecha que nunca aparecia. A demora em adotar um jogo mais resoluto, capaz de desbravar as linhas de marcação, acabava por cansar o próprio time e a encorajar os visitantes.

As ideias de Paulo Bonamigo não resultaram em soluções práticas principalmente jogando no Baenão contra times que se fecham em até dois blocos de marcação. É importante dizer que os problemas foram acentuados pela perda de jogadores importantes.

As baixas desfiguraram por completo o esquema. Sem os laterais Wellington Silva e Marlon, o Remo desfez um de seus maiores trunfos: o avanço forte pelos lados do campo, para infiltrações na área e cruzamentos para os atacantes de área.

Ao longo do caminho, por motivos extracampo, Bonamigo perdeu Dioguinho, que exercia um papel crucial pelo lado direito e na ajuda à articulação de meio. Nos últimos jogos, ficou sem Jefferson e Rafinha, que voltou contra o Coritiba e já se contundiu de novo.

Fiz esse breve retrospecto para fazer justiça a Bonamigo e descortinar os desafios que surgem no caminho de Felipe Conceição. Marlon já voltou, mas Wellington, Tocantins, Jefferson e Rafinha seguem de fora.

É possível que o novo técnico possa contar em breve com os recém-contratados Marcos Jr., volante, e Victor Andrade, atacante, compensando as muitas perdas causadas por lesões. Para encarar o Vila, amanhã, é possível que Felipe repita o time que atuou bem contra o Coritiba, sem Rafinha.

Com a saída de Edson Cariús, só resta um atacante de área: Renan Gorne. Bom momento para que o time passe a utilizar outro modelo tático, com jogadores de maior mobilidade, sem depender de um centroavante fixo.

Um brasileiro garante presença na final da Euro

Alguém comentou, após o jogão Itália x Espanha, que não é possível ganhar um torneio tão difícil sem um agrado do destino. A Azzurra chega à grande decisão após saltar algumas fogueiras, como o paneiro de gols perdidos pela Bélgica e o forte domínio da Fúria. Ontem, ganhou nos penais depois de escapar milagrosamente no tempo normal e na prorrogação.

Ocorre que a Azzurra é de chegada. E tem dois excepcionais defensores, Chielini e Bonnucci, que José Mourinho sugere até que ensinem em Harvard a arte de ser zagueiro. Além da tradição, tem um time renovado e eficiente, contando com três brasileiros – Jorginho, Emerson e Tolói. E um deles terminou como herói da classificação.

Jorginho cobrou o último pênalti com engenho e arte. Deu um saltinho e tocou no canto oposto ao do goleiro. Depois de vencer a Champions com o Chelsea, ele tem agora a chance de levantar outra taça pesadíssima.

Durante os 120 minutos de partida, o brasileiro teve atuação satisfatória, mas com poucas oportunidades de ir à frente, diante da impressionante troca de passes da Espanha. O jogo terminou 1 a 1 (Chiesa e Morata), com fortes emoções e muito desperdício de chances pela Fúria.

Como cabe a um super clássico decisivo, as emoções mais fortes vieram na série de penais. O artilheiro Morata parou nas mãos do goleiro Donnarumma, legítimo sucessor de Gianluigi Buffon.

Nascido em Santa Catarina, descendente de italianos, o volante do Chelsea nem pensava em ser jogador profissional quando vivia no Brasil. Mudou para a Itália aos 15 anos e fez na Europa toda a sua caminhada como atleta.

Quando Jorginho estreou no escrete italiano, em março de 2016, a Seleção de Dunga tinha Fernandinho, Renato Augusto e Luiz Gustavo no meio-campo. Todos já estão fora do escrete, enquanto o catarinense de 28 anos completou ontem 34 jogos oficiais e cinco gols pela Itália.

Figura de confiança do técnico Roberto Mancini nesta Euro, o prestígio do camisa 8 é justificado pela qualidade do passe – é o segundo jogador da Azzurra que mais pega na bola, com média de 77,4 passes por jogo.

Vôlei paga mico internacional por conta da covid-19

Uma vergonha de dimensões internacionais. A seleção brasileira sub-20 de vôlei feminino foi deportada da Bélgica por registro de casos de covid-19 na delegação. A Confederação Brasileira de Vôlei, de ações normalmente desastradas, desta vez se superou.

De início, duas jogadoras foram cortadas por contaminação ainda na “bolha” criada na concentração em Saquarema (RJ). Em seguida, a delegação viajou para Lisboa e, depois, para Bruxelas, na Bélgica, sem ter autorização para entrar no país legalmente.

Na condição de clandestina, a seleção brasileira foi expulsa pela Federação Bélgica, que descobriu que as jogadoras e a comissão técnica não estavam vacinadas. Envergonhados, os membros da comissão levaram as jogadoras para Rotterdam, na Holanda.

O mundial será realizado entre 9 e 18 de julho em cidades belgas e holandesas, provavelmente sem a presença do Brasil. Nada a se estranhar no país do negacionismo e do recorde de mortes por covid. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 07)

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