Prova de fogo para o Leão

POR GERSON NOGUEIRA

Renan Gorne

Pela primeira vez desde o retorno à Série B, o Remo entra em campo pressionado a vencer. Nos três jogos anteriores, havia obviamente a importância de uma vitória. Agora, após a derrota (3 a 0) para o Botafogo e a queda para a 12ª colocação, há a obrigatoriedade de conquistar três pontos diante do Vitória, hoje à tarde, no Baenão. É o começo da luta para não se aproximar da famigerada zona de rebaixamento.

Não significa que tudo estivesse às mil maravilhas, mas as duas primeiras rodadas trouxeram tranquilidade e a ilusão de que era possível fazer uma campanha dentro das margens de segurança com a utilização do grupo que disputou o Parazão, acrescido de alguns reforços – Jefferson, Rafinha, Igor Fernandes. O jogo com o Botafogo mostrou que não é bem assim.

A maratona a que o time está submetido, com dois jogos por semana, é um teste duríssimo para o condicionamento de um elenco que tem um alto contingente de jogadores acima da faixa dos 30 anos. As baixas recentes – Lucas Tocantins, Suéliton, Wellington Silva, Marlon – sinalizam para problemas ainda mais sérios nas próximas rodadas.

Ao mesmo tempo, a falta de tempo para treinos impõe um desafio e tanto para o técnico Paulo Bonamigo, que precisa manter a estabilidade do sistema atual (4-3-3) com o uso de peças diferentes, algumas recém-chegadas e ainda pouco adaptadas ao esquema, como se viu no domingo.

Contra o Vitória, que está duas posições abaixo, o Remo terá que ser propositivo no ataque e muito mais consistente defensivamente. O adversário não teve um bom início de Brasileiro, mas conquistou um resultado empolgante na Copa do Brasil, eliminando o Inter no Beira-Rio. Merece, portanto, todo respeito.

A ausência de Marlon, líder de assistências na temporada, impacta negativamente na estrutura geral do time. De estilo diferente, Igor Fernandes entrou em duas partidas, mas não tem a frequência ofensiva do titular, embora seja eficiente na marcação.

A questão é que o Remo de Bonamigo construiu seus pilares ofensivos na subida dos laterais para apoio aos pontas. Foi assim desde a Série C, mas a perda de Wellington e Marlon compromete a base dessa estratégia.

Sem eles, Dioguinho e Jefferson terão que receber a ajuda do meio-campo, embora Felipe Gedoz não tenha sido tão participativo nos últimos jogos. Para que Renan Gorne possa ter oportunidades contra a alta defesa do Vitória, o jogo remista não pode se limitar a cruzamentos. Será preciso fazer incursões com a bola no chão. Nesse caso, Dioguinho pode ser a chave para resolver essa equação.  

Os boletins atualizados da Copa da Covid

Em três dias de competição, a Copa América já contabiliza 52 atletas e outros profissionais contaminados por covid-19. Até segunda-feira eram 41 casos, mas ontem foram confirmados mais 11. São 33 casos relacionados a jogadores ou membros de comissão técnica e 19 prestadores de serviço contratados para a competição.

Preocupa o fato de que a competição terá quase um mês de duração, com grandes riscos de novas contaminações.

É chato repetir o mantra, mas não há jeito: nós avisamos.

Clubes peitam CBF pela criação da Liga Nacional

Um grupo de 19 clubes da Série A informou à CBF, ontem, que pretende criar uma Liga Nacional para tomar conta do Campeonato Brasileiro (Séries A e B), hoje em poder da entidade. O documento entregue ao coronel Nunes contém posição fechada dos principais clubes, que falam em modernizar o sistema de disputa das competições.

Querem também adquirir mais força política nas votações da CBF, diminuindo o peso (3) das federações e equiparando os votos, tarefa que parece mais complicada de conseguir. Afinal, é o apoio incondicional das federações que garante o atual status quo na entidade.

A Liga não terá somente os 20 clubes da Série A. A ideia é ter 40 associados, incluídos todos os times da Série B, com a manutenção do sistema de rebaixamento atual. A CBF ficaria com as Séries C e D.

O momento escolhido para a iniciativa foi perfeito: a CBF mergulhou em crise séria desde o afastamento de Rogério Caboclo. Restam ainda dúvidas quanto à união de interesses entre os principais clubes brasileiros, principalmente quanto à divisão de cotas, item de discórdia com capacidade de implodir qualquer mobilização.

França prova por que ainda é a melhor do mundo

O ataque foi cirúrgico. Virada espetacular de Paul Pogba para Hernandez, cruzamento e gol contra (de canela) de Hummels. Na frente, Mbappé e Benzema fizeram um estrago na zaga alemã, fazendo outros dois gols que não valeram. Acontece que defensivamente o desempenho da França também foi assombroso. Kimpembé e Varane absolutos controlando Müller, sem problemas, com Kanté à frente roubando todas.

A partir da blindagem na zaga, o potencial ofensivo se tornou ainda mais cristalino e predominante no clássico da Euro entre os campeões mundiais de 2014 e 2018, disputado em altíssimo nível. Em determinados pareceu que a Alemanha era um time menor. Não é. Está renovada, com muitas caras novas, mas tem qualidades. O problema é que teve pela frente a (ainda) melhor seleção do mundo, dona de contra-ataque mortal.

Espera-se que Tite tenha visto o jogo – e que tenha espiado também o escrete português de CR7 superar a retranca húngara com paciência e arte.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 16)

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