Leão tenta reforçar virtudes

POR GERSON NOGUEIRA

Lucas Siqueira, Felipe Gedoz e Wellington Silva

O Remo foi eliminado da Copa do Brasil, perdendo os dois confrontos da terceira fase para o Atlético-MG, mas segue invicto na Série C. A avaliação do técnico Paulo Bonamigo, após a exibição de quinta-feira no Mineirão, sinaliza para o aproveitamento de lições deixadas pelo enfrentamento com um dos melhores times do país.

Para o torcedor, a partida deixou a sensação de que o time pode disputar em alto nível o Brasileiro. As pretensões de terminar a competição na parte superior da tabela foram reforçadas pelo futebol apresentado.

Intensidade, busca pelo ataque e esforço por uma conexão entre os setores foram as principais virtudes do Remo na despedida da Copa. A concentração quase garantiu o empate, apesar do alto nível do adversário.

Bonamigo destacou o destemor e a confiança de seu time, que em nenhum momento se rendeu taticamente. O Remo utilizou o sistema 4-3-3, sem se preocupar em fechar marcação no meio, como a maioria dos adversários do Galo costuma fazer. Foi propositivo e aberto, sem medo.

A maturidade técnica que o técnico projeta para as próximas partidas ficou evidenciada na segunda metade do jogo. Com base nisso, os passes curtos, decorrentes da aproximação entre os setores, devem se tornar prática permanente nos jogos da equipe na Série B.

Contra o Botafogo de Marcelo Chamusca, a história muda de figura. O embate tende a ser mais intenso e verticalizado. O Remo terá que confirmar todas as premissas positivas. O Alvinegro está em fase de construção, tem mostrado desempenho instável, mas encara o jogo como decisão.

Bonamigo tem sólidas crenças táticas, mas desempenhos individuais podem comprometer um modelo de atuação. Desde o Parazão, o sistema defensivo apresenta furos. Quando atacado, o Remo não tem volantes rápidos e fisicamente capazes de encarar o duelo à frente da área.   

Os zagueiros são criticados. Jansen virou alvo fácil dos detratores. Acontece que, sem proteção adequada, nenhuma linha de defesa funciona a contento. A todo instante, os zagueiros de área ficam frente a frente com os atacantes, dificultando a ação de combate.

Foi assim nas partidas contra o Atlético. O Remo aprecia jogar com a bola nos pés, controlando a movimentação em campo, mas se torna vulnerável quando não tem a posse. E é aí que entra a importância de volantes pegadores, que marcam firme e encurtam distâncias.

Uchoa não é um primeiro volante clássico. A missão ali é basicamente a de resguardar a defesa. Lucas também não é cão de guarda, embora participe mais do desarme que o companheiro. Por esse motivo, Charles, guardião na Série C, faz falta até hoje. Paulinho Curuá, Artur e Vinícius Kiss estão disponíveis no elenco e podem ser testados na função.

No ataque, Jefferson destoa. Lucas Tocantins contribui mais para as ações de ataque. Apesar disso, ele não é maior problema. Responsável pela criação, Felipe Gedoz caiu de rendimento desde o Parazão. Trava o jogo e não participa do balanço necessário para garantir a transição ofensiva. Para vencer o Botafogo, o Remo precisa corrigir essas situações.

Bola na Torre

O programa vai ao ar mais cedo neste domingo. Começa às 20h, na RBATV, com apresentação de Guilherme Guerreiro e participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, a participação de Remo e PSC nas Séries B e C. A edição é de Lourdes Cézar.

Maioria desaprova realização da Copa América

O povo não é bobo. Saiu na sexta-feira a pesquisa XP, apontando que 64% dos brasileiros desaprovam a Copa América; apenas 29% aprovam. Os poderosos de plantão podem imaginar que a população é ingênua e manipulável, mas a realidade não é exatamente essa. Promover um torneio que vai atrair mais de 2 mil visitantes (atletas e outros profissionais), sem protocolos seguros, é um escárnio para um país que sangra a caminho de meio milhão de mortos pela covid.

Ao mesmo tempo, a CBF, que banca a competição a partir de hoje, não sossega o facho e apresenta outra jabuticaba feia. Depois do afastamento de Caboclo, chega a conta de outro escândalo. No mesmo dia em que era denunciado, o cartola fechou a compra de um jatinho Legacy de 16 lugares pela bagatela de 14 milhões de dólares (R$ 71 milhões). À vista.

Não havia urgência, nem necessidade. A entidade já tem um jato Citation de 12 lugares. O pior é que Caboclo não avisou os demais dirigentes – nem o coronel Nunes sabia. Com receio da repercussão do negócio, a CBF trabalha para desfazer a compra, mas as chances são remotas.

A maior preocupação é que o anúncio da gastança crie problemas junto aos clubes. Durante a pandemia, a CBF tem liberado um auxílio modesto aos filiados, gastando menos de R$ 20 milhões. A entidade, que jamais contabiliza prejuízos nos balanços, fechou 2020 com R$ 870 milhões em caixa.

Em tempo: antes do amistoso contra a Rússia, na sexta, atletas da Seleção Brasileira feminina se manifestaram sobre o caso de assédio envolvendo o presidente (afastado) da CBF com uma faixa que explicitou seu posicionamento. Nas redes sociais, ao contrário da amarelada de Neymar & cia., as mulheres assinaram manifesto consistente, encorajando a denúncia e pedindo “respeito e igualdade além dos gramados”. 

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 13)

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