Papão dribla pressão e avança

POR GERSON NOGUEIRA

Marlon, atacante do Paysandu — Foto: John Wesley/Ascom Paysandu

A partida foi dura e dramática, como se previa. O PSC, mesmo jogando em seus domínios, teve imensa dificuldade em transformar a posse de bola (mais de 70% ao longo do jogo) em resultado prático. Arriscava chutes de fora da área, com Nicolas e Robinho, sem instrumental criativo para entrar na área e abrir caminho em direção ao gol.

Nem foi possível avaliar direito a evolução técnica da equipe, destacada pelo técnico Itamar Schulle, pois o Castanhal se mostrou preso a uma cautelosa estratégia de defesa, impondo duas linhas de marcação e dando chutão quando recuperava a bola.

O duelo de ataque contra defesa se estabeleceu desde os primeiros minutos. Com a bola, mas sem criatividade, o Papão recaía no costumeiro erro dos cruzamentos na área. A proposta conservadora do Castanhal não admitia sequer contra-ataques para assustar a defesa bicolor.

Ainda assim, as subidas dos laterais Israel e Bruno Collaço foram raras e prejudicadas pela forma travada de atuação do meio-campo. Nicolas se movimentava, mas as jogadas não fluíam e a bola não chegava.

A superioridade do PSC era flagrante, mas o placar seguia em branco. As mudanças feitas por Schulle na etapa final, com as entradas de Ruy, Elyezer, Diego Matos e Igor Goularte, tornaram o time mais ofensivo e o repertório ficou mais rico.

O técnico custou, mas acabou percebendo que podia abrir mão de um dos zagueiros – saiu Yan, substituído por Jhonnatan –, visto que o Castanhal mal passava do meio-campo. Com as novas peças, o time passou a tocar bola com mais consciência e pressionar a última trincheira bragantina.

Aos 38 minutos, Deco Jr. soltou a bola, dando início a uma blitz na área do Bragantino. Ruy pegou o rebote e mandou no travessão. Em seguida, o disparo final de Elyezer entrou direto, resvalando antes num zagueiro. Foi um ato de justiça na partida. Um minuto antes, o volante havia acertado um chute no canto esquerdo, mas o goleiro defendeu bem.

Além da comemoração pela vaga nas semifinais, após uma jornada que exigiu muito esforço, o time finalmente teve motivos para sair de campo acreditando que o esforço coletivo pode ser premiado e que o sonhado entrosamento está a caminho. (Foto: John Wesley/Ascom PSC)

Castanhal conquista vaga com emoção e raça

De todas as classificações às semifinais, a mais empolgante (e dramática) foi a do Castanhal, que precisou de uma virada heroica para vencer o Independente e garantir presença no top 4 do Campeonato Estadual. O confronto era o mais equilibrado das quartas de final, embora o Independente ostentasse uma melhor posição na classificação geral.

Ocorre que os comandados de Cacaio deixaram de lado o leve favoritismo do adversário e partiram em busca de uma vitória, que se revelaria maiúscula, com gols marcados já nos minutos finais. Fato que queimou a língua de muitos candidatos a adivinhos, como este escriba.

A partida foi disputada em ritmo morno no 1º tempo. O gol de Yuri, cobrando falta aos 21 minutos com um tiro forte, foi o único acontecimento digno de nota. O equilíbrio imperava.

Repetia-se o cenário da partida de ida, realizada em Castanhal, quando os times lutaram muito, mas não conseguiram impor vantagem. O empate em 1 a 1 naquela partida expôs a igualdade de forças.

No segundo tempo, quando o Independente já administrava o resultado, um nome se sobressaiu. Pecel, que ainda não havia marcado na temporada, fez os dois gols. No ano passado, ele se destacou como vice-artilheiro do Parazão, com oito gols, ajudando na conquista da vaga à Série D.

Aos 34 minutos, a estrela do goleador voltou a brilhar. Ele recebeu cruzamento da direita e mandou para as redes de Dida. Depois, aos 45’, assumiu a responsabilidade que todo artilheiro deve ter nessas horas e foi bater a penalidade sofrida por Quadrado.

Cobrou com força e determinação para garantir a classificação. O resultado, que garantiu a presença do Castanhal na Série D 2022, é também um prêmio a Cacaio, que assumiu o barco na metade da etapa de classificação e soube conduzir a bom termo.

Cabe lembrar que o Castanhal foi a equipe interiorana que melhor se preparou e contratou para o Parazão. Chegou a ser apontado, aqui mesmo na coluna, como um dos favoritos para chegar à fase decisiva. Andou tropeçando pelo caminho, mas está engrenando no momento certo.

Parte agora para o objetivo maior, que é a inédita conquista do título estadual. Que ninguém duvide da audácia do time da estrada.

Escudo original do Evandro Almeida foi destruído

O leitor Paulo César Alves escreve à coluna para esclarecer a história do escudo original do pórtico do Evandro Almeida. Fez isso em função da coluna publicada no domingo (25 de abril) saudando a suposta descoberta da peça histórica.

“Gostaria muito que fosse verdade! O escudo que o então presidente Amaro Klautau mandou, na calada da noite demolir, virou pó. Seria impossível alguém retirar o escudo que lá havia. Um bloco de alvenaria de 50cm de espessura”, revela Paulo Alves.

“O que foi mostrado por mim, num grupo de WhatsApp, foi o molde que mandei fazer, através de pesquisa em fotos antigas, para reconstruir o que lá está. Ele não estava perdido. Está num sítio de propriedade da minha família e devido a um vazamento no depósito, deteriorou um pouco”.

Finaliza com uma promessa: “Vou recuperar a peça. No dia em que o Remo possuir um museu, ele estará lá, se assim o quiserem. Espero ter esclarecido a situação. Um grande abraço!”.

Esclareceu, sim, Paulo. A lamentar que uma peça de grande importância para o clube e para a cidade tenha sido criminosamente destruída – e com os autores do ato seguindo impunes até hoje.  

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 07)

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