“Aiô Rin Tin!”

Por Heraldo Campos (*)

“Aiô Rin Tin!”, era mais ou menos isso que dizia a versão dublada que ouvíamos do pequeno cabo Rusty, um tipo de mascote da cavalaria americana do seriado “As Aventuras de Rin Tin Tin”, que a gente assistia na TV nos anos 60, pelas imagens em preto e branco e ainda nos velhos aparelhos com válvula.

Caso o capítulo do seriado passasse no domingo, depois do comportado almoço familiar, sem refrigerante, poderia aparecer, como prêmio pelo bom comportamento, uma pequena Crush geladinha, engarrafada em um vidro escuro, marrom, cheio de saliências, como se fosse uma sucessão de anéis.

Se dermos uma rápida pesquisada na internet, podemos encontrar que “Crush é um termo da língua inglesa que significa “esmagamento” ou “colisão”, na tradução literal para o idioma português”, entre outros significados.

Na época desses seriados de bang-bang, era a coisa mais comum a colisão entre mocinhos, bandidos mascarados e índios, para delírio da plateia de crianças, que tinha a TV como uma diversão disponível e, até mesmo, as vezes, como uma verdadeira babá eletrônica, na carência de humanos por perto.

Quase sempre, com raras exceções, o índio era um dos vilões desses filmes e vivia perdendo seu espaço natural para a cavalaria americana, seus associados e simpatizantes, que promovia um verdadeiro esmagamento de tribos na ocupação de territórios.“Aiô Rin Tin!”, era o comando de voz dado pelo pequeno cabo Rusty, para que o cão pastor alemão Rin Tin Tin, da cavalaria, atacasse alguém, para salvar de outra pessoa que, supostamente, se encontrava em um perigo eminente.

Quem hoje, deliberadamente, tem o comando de voz e grita “Aiô Rin Tin!”, para atacar os índios no território brasileiro, que estão em perigo eminente desde a época do descobrimento, é o governo federal. A mineração predatória, com a aproximação das atividades clandestinas e criminosas das terras indígenas, pelos predadores da natureza e verdadeiros reservatórios potenciais do coronavírus, encurralam cada vez mais os índios para seu sumiço definitivo, como vem demostrando os recentes números divulgados pela imprensa nacional e internacional.

Mas, convenhamos que isso foi uma pedra cantada, desde a época da campanha eleitoral do atual presidente que, como entusiasta da histórica política americana contra outros povos desse nosso judiado planeta, deu a senha que iria abrir as pernas para a mineração.  

Qual é o nosso limite para essa agressão?

Até quando vamos aguentar isso?

AL INDIO ANÓNIMO

Eras tierra, pasión, memoria, mito,

culto en la danza y fiesta en el sustento.

Pero ellos te imputaron el delito

de ser otro y ser libre como el viento.

Te hicieron colectivo anonimato

sin rostro, sin historia, sin futuro,

vitrina de museo, folclor barato,

rebelde muerto o salvaje puro.

Y, sin embargo, sigues siendo, hermano,

ojos-acecho al sol del altiplano,

huesos- murallas en los tercos Andes,

raíces-pies en la floresta airada,

sobreviviente sangre congregada

por todo el cuerpo de la Patria Grande.

DOM PEDRO CASALDÁLIGA 

(*) Heraldo Campos é Graduado em geologia (1976) pelo Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista – UNESP, Mestre em Geologia Geral e de Aplicação (1987) e Doutor em Ciências (1993) pelo Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo – USP. Pós-doutor (2000) pelo Departamento de Ingeniería del Terreno y Cartográfica, Universidad Politécnica de Cataluña – UPC e pós-doutorado (2010) pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento, Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo – USP.

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