Fome no Brasil: não é pandemia; é projeto do grupo que tomou o poder em 2016

Por Plínio Teodoro, na Revista Fórum

Em 2002, ao chegar à Presidência, o retirante nordestino Luiz Inácio Lula da Silva, que conheceu a fome de muito perto, fez uma promessa: “Se, ao final de meu mandato, cada brasileiro puder se alimentar três vezes ao dia, terei realizado a missão de minha vida”.

Dados do IBGE, na Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (PMAD) em 2013, três anos depois de Lula ter deixado o seu segundo mandato, mostram que o Brasil atingira o menor nível de insegurança alimentar grave – de 4,2% -, enquanto a segurança alimentar chegava à época a 77,1% dos brasileiros.

O gráfico divulgado em março no estudo Insegurança Alimentar e Covid-19 no Brasil, realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar, a Rede Penssan (que pode ser acessado na íntegra aqui), revela que a fome não é uma questão relacionada à pandemia, como Jair Bolsonaro tenta transparecer.

A fome é um projeto de governo do grupo que tomou o poder no golpe contra Dilma Rousseff (PT) em 2018 e que, por meio da sanha acumulativa neoliberal, levou um governo protofascista genocida à Presidência, responsável em grande parte pelas mais de 330 mil mortes em meio à pandemia.

Bolsonaro, no entanto, não é responsável – ao menos, não sozinho – pela volta da fome, um projeto levado à cabo pela horda privatista, defensora de banqueiros, militares e das transnacionais-gafanhoto que chegaram, junto com Paulo Guedes, ao Planalto.

O gráfico da Rede Penssan mostra que dois anos depois do golpe, em 2018, a segurança alimentar brasileira já havia decaído quase 14 pontos porcentuais e chegou a 44,8% em 2020, já na pandemia.

A insegurança alimentar grave mais que dobrou dos 4,2% registrados em 2013 para 9% em 2020, assim como a insegurança alimentar, que passou de 12,6% para 20,7% em 2018 e bateu 34,7% em 2020 – um aumento de mais de 20 pontos porcentuais em 7 anos.

O projeto político daqueles que tiraram Dilma e os progressistas do poder em 2016 passa pela fome do povo. Para eleger Bolsonaros da vida e seus discursos de ódio é preciso bem mais que o gado que o vê como mito. É preciso, sobretudo, conduzir novamente parte do povo brasileiro ao cabresto e para é necessário levar o Brasil de volta ao mapa da fome.

Um comentário em “Fome no Brasil: não é pandemia; é projeto do grupo que tomou o poder em 2016

  1. Prezado Gerson
    Bom dia.
    Se me permite, sobre esse assunto da fome, gostaria aqui de repassar mensagem que um amigo me enviou:
    “Com a fome e a miséria aumentando a cada dia, é importante dar apoio a programas que buscam aliviar um pouco a situação das pessoas que não têm o que comer. A Unicamp tem um Programa para coletar recursos para aquisição de cestas básicas junto a estabelecimentos comerciais e encaminhá-las diretamente ao Banco de Alimentos de Campinas. É o Programa Unicamp Solidária e podem ser doadas quaisquer quantias. A operação é feita via a Funcamp e as pessoas podem doar por meio deste link:
    http://www.funcamp.unicamp.br/portal/campanha/index.htm
    Abraços,
    Heraldo

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