O goleador que vem de Baião


POR GERSON NOGUEIRA

Danrlei, atacante do Independente-PA — Foto: Lindoberto Filho

Um dos artilheiros do Campeonato Paraense é o baionense Danrlei, jogador do Independente de Tucuruí, vice-líder na classificação geral, invicto com 7 pontos e a primeira colocação no Grupo C. Com três gols marcados em três jogos, o dianteiro longilíneo e rápido já desperta atenção geral, em Belém e fora do Estado.

Não é uma novidade, pois em 2020 Danrlei foi o principal anotador do Independente, marcando oito gols, com destacada participação na Série D do Campeonato Brasileiro. Aproveitou todas as chances que surgiam, mesmo com a fraca campanha do time na competição.

No Parazão, marcou gols decisivos nos três primeiros jogos, contra Gavião, Tuna e Tapajós. Contra este último, assinalou o gol da vitória na valentona, meio de barriga, meio de joelho.

Aos 25 anos, Danrlei tem pressa, quer compensar o tempo perdido buscando um lugar no futebol da capital desde o fim de 2018. Treinou em vários clubes, teve uma chance no Sport Belém carregando ainda o apelido-homenagem de Baião. Por razões diversas, não conseguiu no Brasa mostrar a capacidade de finalizador que o caracteriza.

Como tantos outros garotos saídos do interior, sem parentes importantes e nem dinheiro no banco (obrigado, Belchior), Danrlei sabe que não pode desperdiçar chances. Desperdício zero. Sua atuação no Independente em crise ao longo da Série D comprova isso.

O time ia mal, trocou de técnico no meio da competição – Charles Guerreiro saiu e o auxiliar Carlão assumiu o comando – e os maus resultados se acumulavam. Danrlei ignorou as dificuldades e empenhou-se ao máximo, buscando fazer o que sabe. E fez. Marcou 6 gols.

Como bom baionense, tem vínculos fortes com a família e raízes com a terrinha. Tucuruí, mais ou menos próxima à Baião, é a cidade ideal para esse projeto de carreira em fase de construção. Lá, Danrlei sente-se em casa, conhece quase todo mundo e tem o incentivo da torcida.

Todos reconhecem seu esforço para buscar um lugar mais alto. A perseverança encontra abrigo no talento natural para o futebol. Dribles em velocidade, arrancadas em direção ao gol e bom posicionamento na área são as principais virtudes do jovem atacante.

Sob as orientações do experiente Sinomar Naves, Danrlei tem muito a crescer e desenvolver tecnicamente. O aprendizado passa pela valorização dos aspectos mais fortes, como os deslocamentos rápidos e o chute certeiro. Faz gols praticamente de todo jeito, o que é sempre um referencial por parte de olheiros e técnicos de equipes de outros Estados.

Questão importante para quem alimenta o sonho de seguir carreira no futebol. É bom não duvidar dos planos de Danrlei. Um baionense não desiste nunca, principalmente quem vem do bucólico distrito de Calados e traz no sobrenome Moreira o peso de uma dinastia de boleiros competentes, conscientes e politizados.

Leão também se posicionou contra o golpe

Destaquei na coluna de ontem o firme posicionamento do PSC a respeito do golpe militar de 1964, que tantos sofrimentos gerou – censura, tortura, restrições à liberdade individual, retrocesso político e econômico – ao Brasil, acabando por omitir a manifestação que o Clube do Remo postou nas redes sociais, intitulada “Futebol se faz com democracia. Memória. Verdade. Justiça. #DitaduraNuncaMais”.  

Complementa com o texto: “Jamais esqueceremos, para que a liberdade nunca mais seja ameaçada. Por mais verdade e mais democracia, no futebol e no Brasil”. Atitude irrepreensível e de consciência política tão necessária num momento de obscurantismo doentio que assola o Brasil.

O Remo sempre esteve do lado certo da História, não seria diferente agora. O presidente Fábio Bentes empenha-se pessoalmente para que o clube cultive uma postura progressista e inclusiva.

Por sinal, André Rizek destacou no Sportv as manifestações dos clubes brasileiros na data sinistra e citou Vasco, Corinthians e o Remo.

A saga de um mineiro corajoso em jogo do Fla

É sempre hilário ver rubro-negros reclamando aos brados de um erro de arbitragem, por menor que seja. Dá a impressão de que aconteceu um assalto monstruoso, mas é apenas chilique. Ocorreu anteontem em partida válida pelo Campeonato Carioca contra o Bangu. Convenhamos que as queixas do Flamengo contra arbitragem são incomuns e, de certa forma, denotariam até ingratidão com os homens do apito.

No fim das contas, o erro de marcação ficou irrelevante com a fácil (e justa) vitória do Flamengo por 3 a 0. Mas, até pelo aspecto inusitado da coisa, a gente fica logo curioso em conhecer o intrépido árbitro capaz da atitude quase suicida de errar uma marcação contra o clube mais popular do Brasil – e que, entre tapas e beijos, conta com o apoio incondicional da maior rede de TV do país.

Por puro instinto jornalístico, fiz questão de ir atrás da identificação do apitador responsável pela ira flamenguista: chama-se Grazianni Maciel Rocha, mineiro, 38 anos. Ele anulou, sem contar com o auxílio do VAR, um gol aparentemente legal de Gabigol aos 32 minutos do 1º tempo, para fúria dos mal acostumados rubro-negros. Pense num cabra corajoso.   

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 02)

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