Schulle e a primeira decisão

POR GERSON NOGUEIRA

Itamar Schulle pede calma à torcida: "nosso trabalho está iniciando" |  Esporte Pará | Diário Online | DOL

Clima decisivo é sempre um desafio para técnicos em início de caminhada dentro de um clube. Itamar Schulle, que chegou depois da Série C para reformatar completamente o PSC, ainda não conseguiu dar ao time bicolor uma aparência bem definida.

Nos dois jogos pelo Campeonato Estadual, o rendimento foi de insatisfatório a competitivo. Na estreia, contra o Castanhal, o visível desentrosamento quase causou a derrota. Diante do Paragominas, fora de casa, o comportamento mudou e o time teve méritos indiscutíveis na vitória por 2 a 0.

O que se pode esperar da terceira apresentação do time de Schulle? Para os que observaram com mais atenção a atuação em Paragominas, ficou evidenciado um perfil guerreiro, pragmático e voltado para o esmero no aproveitamento das chances que aparecem.

A rigor, foram três oportunidades naquela partida. Duas delas resultaram em gols que nasceram de lances com participação de pelo menos três jogadores, o que denota um esforço para adquirir sentido de conjunto.

É provável que o Papão que irá a campo hoje à tarde, no Rio, seja uma mescla do que se viu até agora. Velocidade em contra-ataques, pegada na marcação de meio campo e tentativa de organização em blocos. A participação dos laterais Israel e Diego Matos reforça o potencial ofensivo.

Até mesmo o esquema usado desafia a curiosidade. Contra o Castanhal, Schulle usou o 3-5-2. Para vencer o Paragominas, utilizou um 4-3-1-2. Com meias já integrados ao time, aumentam as variáveis de jogadas para aproveitar o talento e o oportunismo de Nicolas na frente.

Como Rui ainda não parece com o condicionamento adequado, talvez ceda lugar a João Paulo, estreante do dia. Schulle também pode surpreender com João Paulo mais à frente, colado em Nicolas. Essa mexida pode implicar na saída de Marlon, jogador que destoou até aqui.

Para sair com a vaga, o PSC joga por dois resultados – empate e vitória. O Madureira joga em seu estádio e costuma ser agressivo, embora sofra do mesmo problema encarado pelo time paraense neste começo de temporada: a dificuldade de ajustar peças recém-contratadas.  

Não é um adversário superior tecnicamente ao Papão, mas pode representar problemas caso estabeleça pressão desde o início da partida. Do lado bicolor, controle e intensidade devem ser as armas de luta.

Leão repatria ponteiro nascido em São Geraldo

O paraense Lucas deu uma volta pelo país em pouco tempo de carreira até surgir a chance de defender um clube de seu Estado. Jogador de beirada, de 26 anos, ele está vindo para reforçar o Remo na temporada. Nascido em São Geraldo do Araguaia, ele passou pelo Botafogo de Ribeirão Preto, Diadema, Ivinhema, Maringá, Atlético-PR, Rio Claro e Coritiba, onde viveu grande fase. No ano passado, jogou pela Chapecoense.

Com o apelido de Lucas Tocantins, o jogador parece animado com a ideia de disputar a Série B pelo Leão. Os seis anos fora do Pará foram produtivos e movimentados, permitindo jogar sob o comando de vários treinadores e aperfeiçoar a habilidade natural de velocista.

O jogador foi avalizado pela comissão técnica e chega hoje a Belém para se submeter aos exames. Depois disso, será anunciado oficialmente e integrado ao elenco azulino. Vem para disputar espaço com jogadores igualmente jovens que atuam pelos lados, como Gabriel Lima, Dioguinho e Ronald.

É uma opção interessante para a disputa do Brasileiro. Nenhum time pode hoje abrir mão de um atacante rápido pelos lados, capaz de puxar contra-ataques e contribuir com cruzamentos para os homens de área.

Aliás, o centro do ataque já conta com a opção do experiente Edson Cariús, contratado junto ao Fortaleza. Aos 32 anos, o centroavante viveu boas fases nas últimas temporadas, mas perdeu espaço no ano passado e foi negociado com o Al Jabalain, da Arábia Saudita.

Terá que lutar para arranjar um lugar no ataque, que conta com Renan Gorne em fase ascendente, com três gols marcados no Parazão.

A tragédia aumenta e o futebol não se sensibiliza

O futebol vai sendo mantido em meio às agruras do pior momento da pandemia no país. Em São Paulo aumenta a discussão para suspender o certame estadual, após o novo recorde diário de mortos: 517 óbitos. É provável que a bola pare de rolar ainda neste fim de semana.

“Futebol tem que parar já! Escolas têm que fechar já! Igrejas e cultos têm que fechar já! SP está na iminência de um colapso sanitário sem precedentes na sua história”, escreveu ontem no Twitter o neurocientista Miguel Nicolélis, uma das maiores autoridades do país no estudo da pandemia.

Em outros Estados, a movimentação aumenta, embora o cenário de fundo revele um claro esforço de CBF e federações para que os jogos sejam mantidos até quando não der mais. É um pacto não oficial, segundo reportagens recentes da mídia paulistana.

Talvez por um desses caprichos próprios da retórica negacionista, há quem entenda que a continuação das competições não representa qualquer adicional de contágio ou perigo para outras pessoas, que trabalham com futebol e nem sempre integram elencos ou comissões técnicas.

O problema que tornará inviável teimar com o futebol no país mais impactado pela pandemia é o próprio tamanho das cifras nacionais: caminha-se para os 300 mil mortos. A superlotação de hospitais particulares e públicos também não é boa aliada para dirigentes teimosos e pouco solidários com a tragédia humana. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 10)

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